Por que escutar a fase country de k.d.lang


k.d. lang, provavelmente você nunca ouviu falar dela, ou se ouviu talvez não saiba que ela começou a carreira como cantora de Country Music.

Pois bem, Kathryn Dawn Lang nasceu em novembro de 1961 na cidade de Edmonton, Alberta, Canadá, mas com apenas nove meses de idade, junto com a família, mudou-se para a cidade de Consort, também no Estado de Alberta, e cresceu junto com mais duas irmãs e um irmão na pradaria Canadense. Quando entrou na faculdade, Lang ficou apaixonada pela música de Patsy Cline e se interessou por Country Music. Em 1983, formou uma banda tributo a Patsy chamada de Reclines. 

Com esta banda, k.d. gravou um single em 1983, "Friday Dance Promenade" \ "Damned Old Dog", e em 1984, lançou o álbum "A Truly Western Experience" de forma independente pela Bumstead Reacords, ambos calcados no estilo de Patsy com composições originais de Lang e alguns covers, nestes podemos ouvir honky-tonks como "Pine And Stew", "There You Go" e influências de Rockabilly como "Bopalena" e "Stop Look And Listen".

Lang começou a chamar a atenção na cena Country do Canadá, e logo chamou a atenção da Sire Records de Nashville e em 1986 assinou com a gravadora, uma divisão da Warner, e sob a produção de Dave Edmunds foi a Londres com os Reclines, que agora contava com Bem Mink na formação, que seria parceiro musical dela por muitos anos, e gravou o soberbo "Angel With A Lariat", aonde temos 10 faixas alucinantes entre elas temos a altamente dançante "Turn Me Round", "Diet Of Strange Places", um honky tonk de primeiríssima qualidade e dois covers absolutamente fantásticos: "Rose Garden", originalmente gravada por Lynn Anderson e o clássico "Three Cigarretes In An Ashtray", originalmente gravada por sua heroína Patsy Cline. "Angel With A Lariat" foi lançado em 1987 e k.d. ficou associada a nova cena do Country que surgia na época com artistas mais outlaw e menos mainstream como Dwight Yoakam e Steve Earle.


Em 1988, Lang foi a Nashville e trabalhou com Owen Bradley, produtor de Patsy Cline na década de 60, e registrou um disco com covers clássicos da década de 60 e algumas composições modernas. O grande destaque do álbum é sem sombra de dúvidas a parceria dela com Loretta Lynn, Kitty Wells e Brenda Lee em "Honky-Tonk Angels Medley", que combina trechos de 3 clássicos absolutos do Country, "In The Evening", "You Nearly Lose Your Mind" e "Blues Stay Away From Me", o álbum como um todo ficou fantástico.

Nesta época Lang foi escolhida pelo lendário Roy Orbison para fazer um dueto na regravação de "Crying", clássico de Orbsion de 1961, para a trilha sonora do filme "Hiding Out". O resultado da canção produzida por Don Was e Pete Anderson (produtor na época de Dwight Yoakam) foi soberbo e rendeu a dupla um Grammy.

Em 1989, Lang lançou seu último álbum de Country, "Absolute Torch And Twang", que traz Lang mais adulta e um pouco menos caipira, vale lembrar que em seus primeiros anos lang vestia uma combinação no mínimo curiosa de roupas de cowboy de filmes de faroeste, e em minha humilde opinião trata-se do melhor disco de Country que já ouvi. O álbum foi descrito por k.d. na época como sendo "country progressivo" e realmente é a melhor descrição para ele. Aqui temos o único número 1 que lang conseguiu na parada Country canadense, a excelente "Full Moon Full Of Love". Entre outros destaques do disco podemos citar "Pullin' Back The Reins", uma balada Country absurdamente moderna, "Trail Of Bronken Hearts", que além de ter um belo videoclipe filmado na pradaria canadense, tem o melhor solo de steel guitar que eu algum dia já ouvi. "Big Big Love" é extremamente Rockabilly, "Didn't I" tem um estilo de Country que Nashville copiaria ao extremo nos anos 90, e "The Wallflower Waltz", como o próprio título descreve um Country waltz de primeira ,qualidade podem ser apontados como destaques do disco.

Com este álbum, Lang faturou mais um Grammy de melhor performance vocal Country com "Lucky In My  Eyes", um country outlaw fantástico que deixaria Waylon Jennings orgulhoso. Depois deste disco, lang entrou em um hiato de 3 anos e quando voltou  em 1992, com "Ingénue", deixou de lado a Country music e foi explorar outros rumos musicais, mas sempre utilizou muito a steel guitar. Neste mesmo ano ela assumiu publicamente sua homossexualidade e transformou seu visual, sempre andrógeno, em algo mais urbano e menos hillbilly. Porém é inegável o legado que ela deixou para a Country music, seus álbuns são muito bem produzidos e lang tem um talento vocal único que permite uma faceta muito ímpar no Country feito por ela.

Vale a pena conferir o trabalho dela, o disco "Reintarnation" de 2006 resume de forma bem completa a fase Country de k.d. e é altamente recomendado para quem quer conhecer esta fase do trabalho dela. Eu gosto de tudo que ela gravou desde 1983 até 2011, quando saiu o último álbum lançado por ela. Porém se você é mais fã de Country fique com a fase country soberba de k.d. lang.



Wotson
Daniel Tessari é curitibano, psicólogo e fã de Country Music, Rock, Rockabilly, e Americana. Boa música é sempre a melhor companhia.
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