Albert Collins e seu invejável feeling


Pouco se lê por aí sobre Albert Collins, sua vida e sua obra é um tanto desconhecida pela maioria das pessoas que não têm aquela sede de música, estando Albert Collins relegado às profundezas do Blues Eletrificado.

E é nesses confins que fui para escrever esse texto sobre o conhecido "Mestre da Telecaster". Depois de muito ouvir seus hits e álbuns, essa foi melhor forma de abordar e destrinchar o som de Albert Collins e descrever ao leitor o que ele pode esperar ouvindo seus discos e indiretamente, refletir sobre as influências de seu som no Blues e no Rock.

Das noites de Houston para o mundo, Albert Collins mostra, como tantos outros mestres do Blues, que não é preciso de muito conhecimento musical para mandar ver no Blues. Basta o feeling. Ah, o feeling... fortemente percebido nos timbres da Telecaster que Albert escolheu para ser sua guitarra favorita para o restante de sua carreira que viria à seguir.

Usando uma tonalidade menor, Albert usava da força dos dedos de sua mão direita para deixar registrado ali, sua marca e seu som. Um som estalado, com muito vibrato, dava a impressão que sua guitarra estava chorando. Juntando as influências de Soul na sua banda (tal qual Albert King), tocava um Blues de qualidade impressionante e arrebatava multidões por onde passava.

A voz meio rouca mas ao mesmo tempo suave, parecida como à de uma pessoa inebriada de whisky, mostrava que o feeling de Albert Collins vinha da sua alma, como o Blues tem que ser. E Albert fazia isso muito bem.


Sua discografia é repleta de músicas que são tocadas por blueseiros mundo afora. Pra listar algumas, "Honey Hush", "Cold Cold Feeling", "Too Tired", "If Love Me Like You Say", "I Got a Problem", "Frosty" e tantas outras que tornaria essa lista extensa. 

Como muitos outros blueseiros, Albert Collins também foi água de beber para músicos e suas influências ressoam até os dias de hoje. Gary Clark Jr., Gary Moore, Bernard Allison, Buddy Guy, Jimmie Vaughan, Stevie Ray Vaughan e Robert Cray são alguns dos ícones que se serviram da água de Albert Collins.

A discografia de Albert Collins não é tão extensa como a de outros grandes mestres do Blues, mas é digna de ser ouvida e apreciada. Destaco os discos "Iceman", "Frostbite", "Trash Talkin'" e "Ice Pickin'" como obrigatórios para quem quer um Blues com toque de Soul e alma texana. Destaco também um álbum gravado com Johnny Copeland e Robert Cray, intitulado "Showdown!" e  que é um dos mais primorosos registros fonográficos do Blues. 

Há também diversos registros ao vivo de Albert Collins, captando toda a essência de seu som, como os discos "Frozen Alive", "The Iceman At Mount Fuji" e o "Live At Montreux 92", bem como, outros registros oficiais e bootlegs.

Albert Collins morreu aos 61 anos, depois de lutar por 3 meses contra um câncer, em Novembro de 1993. Outras curiosidades acerca da vida de Albert Collins é de que ele já foi um trabalhador de contrução civil e caminhoneiro (isso enquanto tocava por aí).

Deixou um legado incrível e a certeza de que feeling na guitarra elétrica vale mais do que qualquer extenso conhecimento musical. Seu som é divertido e digno dos ouvidos e umas cervejas do leitor. O leitor perceberá que o feeling de Albert Collins é inconfundível. E você, já ouviu Albert Collins hoje?



Dil Genova tem 28 anos, mora em São Paulo, é um rockeiro, blueseiro, cervejeiro e Engenheiro de Software em tempo integral. Fã de Blackberry Smoke, Allman Brothers Band e Lynyrd Skynyrd, Dil escreverá sobre Blues e Rock aqui no Southern Rock Brasil sempre que puder.
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