Melhores álbuns que escutei em agosto de 2017


Como faço todos os meses, vamos a mais uma lista com os melhores álbuns que escutei no último mês. Os álbuns que escuto, na maioria das vezes, não foram lançados no mês que escuto, não consigo escutar todos os álbuns lançados no mês ou conheço o álbum bem depois dele ter sido lançado. As minhas listas sempre são compostas, em sua maioria, por lançamentos de bandas pouco conhecidas, mas sempre tento trazer alguns nomes mais conhecidos do grande público.


Melhores faixas que escutei em agosto: "Endless Summer" (Vandoliers), "Old Porch Swing" (Tony Jackson), "Welcome Home Baby" (Mellow Buzzards), "They Need Each Other" (Brandon Rhyder), "You're Still in These Crazy Arms of Mine" (Charley Pride), "It's Hard to Love an Angry Man" (Amy Black), "The Brightest Star in the Sky" (Luke De Held), "Enemies" (National Park Radio), "Enemies" (Red Mess), "I Swear (To God)" (Tyler Childers) e "Roses" (The Delta Saints)


Wotson
A The Delta Saints tem evoluído constantemente seu som, no início essa era uma banda de Blues Rock, estilo que ainda é a base do álbum, mas a adição de influências do Rock alternativo deu uma cara diferente para a sonoridade da banda, chegando a um ponto que é difícil classificar o som dos caras, que eles chamam de "Bourbon-Fueled Bayou-Rock". O carro chefe "Monte Vista" é a animada "California", que tem uma pegada bem pop. "Burning Wheels" me fez lembrar um pouco de The Black Crowes, talvez seja por isso que se tornou em uma das minhas preferidas do álbum. "Crows" é um pouco mais indie, mas não menos bela. "Roses" é minha preferida, começa lenta e aos poucos vai aumentando seu ritmo, chegando ao ápice no seu refrão pegajoso e com belos riffs no fundo. Cada música de "Monte Vista" soa diferente e isso é uma tendência cada dia maior entre as bandas que estão tentando fazer algo mais original. A Delta Saints é mais uma banda para acompanhar de perto e "Monte Vista" é, sem dúvidas, um dos grandes álbuns de 2017. 
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"Music in My Heart" é Country tradicional puro, no seu estado mais bruto. Não esperava nada de diferente, mas ainda assim consegui me surpreender com a bela voz do Charley, que já ultrapassou a marca de 50 anos de carreira. A voz do Charlie é a grande atração, mas é impossível deixar de elogiar o ótimo trabalhos dos instrumentistas, principalmente o violinista Stuart Duncan e o guitarrista Scotty Sanders, os dois protagonizam ótimos duetos ao longo do álbum. O Charley Pride é um dos melhores vocalistas de todos os tempos da Country Music e "Music in My Heart"é só mais uma prova disso. Escutem esse álbum com muito carinho, não é todo dia que podemos escutar algo novo de uma lenda do estilo.

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A estreia solo da Molly Tuttle é há muito tempo aguardada pelos fãs de Bluegrass e valeu a espera. O pai da Molly, Jack Tuttle, é um respeitado multi-instrumentista e ela sempre foi encorajada por ele para se dedicar ao Bluegrass. Aos 11 anos ela já tocava com ele e aos 13 gravou "The Old Apple Tree" com seu pai. Ao longo dos anos ela lançou outros álbuns com sua família e com outros músicos, ganhou diversos prêmios e com apenas 24 anos de idade já é um nome respeitado. "Rise" mal foi lançado e a Molly Tuttle já recebeu três indicações da International Bluegrass Music Awards 2017, o prêmio mais importante do estilo, nas categorias Emerging Artist, Female Vocalist e Guitar Player of the Year, sendo a primeira mulher indicada nesta categoria desde sua criação. "Rise" é bem curtinho, tem pouco mais de 20 minutos e sete canções, mas cada segundo é bem aproveitado. A Molly não é só uma ótima vocalista, ela é uma compositora de qualidade, suas composições são simples e profundas, e toca violão como poucos, ela pode tocar de forma simples ("You Didn't Call My Name") ou pode ser extremamente técnica ("Super Moon"), mas sempre perfeita. Em pouco tempo é possível perceber que ela é uma artista completa e pronta para alçar voos mais altos. Guardem esse nome.
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Kenny Wayne Shepherd é um dos músicos de Blues mais bem sucedidos da atualidade, você pode não gostar dele, pode achar seu Blues comercial demais, mas ele é um dos nomes que ainda mantêm o estilo na grande mídia, angariando novos fãs ano após ano. "Lay It On Down", seu primeiro álbum autoral em seis anos, é um dos álbuns mais ricos do Kenny, ele expandiu suas influências e colocou um pouco de Soul ("Diamonds & Gold"), Country ("Hard Lesson Learned") e Hard Rock, mas seu som ainda é majoritariamente dominado Blues Rock, e faixas como "Baby Got Gone" e "Nothing But The Night" estão entre os destaques do álbum. Além da bela performance do Kenny na guitarra, algo que é normal, vale destacar as performances do vocalista Noah Hunt, principalmente nas faixas "How Low Can You Go""Nothing but The Night" e "Louisiana Rain". O Kenny se encaixa naquela categoria de músicos que estão sempre buscando expandir suas fronteiras musicais, nada muito diferente do que o Joe Bonamassa, Gary Clark Jr., Tedeschi Trucks Band e outros músicos de Blues fazem na atualidade, mas assim como os nomes citados, ele não abandona totalmente suas raízes, o Blues sempre está presente. Os fãs do Blues mais tradicional podem torcer o nariz, mas esse é um dos melhores álbuns de Blues do ano. 
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Desde que escutei os primeiros acordes do álbum "The Great Divide" lançado no ano passado, soube que essa banda iria se tornar uma das minhas favoritas. O som da banda me lembra muito a Avett Brothers e Mumford & Sons dos primórdios, em certos momentos soa parecido demais, mas uma grande parcela dos fãs dessas bandas clamam por um retorno às suas raízes. Se esses dois expoentes da música Folk contemporânea não dão isso aos fãs, a National Park Radio dá. Pode parecer que eles são uma simples cópia de qualidade, mas não é isso, a banda tem sua identidade e ela reside em Bluegrass, Folk e Americana e conseguir soar intemporal. O som da banda, que eles chamam de Modern Folk, é um dos mais agradáveis que escutei nos últimos anos, é aquele tipo de música que basta uma nota para se apaixonar. Acione o aleatório do seu player de música e escute qualquer faixa, não importa qual, é difícil não gostar desse tipo de som. Admito que gosto mais de "The Great Divide", as canções eram mais pegajosas, mas "Old Forests" não fica muito atrás. Como disse ano passado, fiquem de olho nessa banda, ela é uma das mais promissoras dessa efervescente cena Americana.

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A estreia solo do Tony Jackson é uma mescla de faixas autorais com canções de outros compositores e alguns clássicos. O álbum não tinha como começar pior, "Go" é um Bro-Country clássico e muito bem poderia ser excluída do álbum. Mas esse é o único ponto negativo de "Tony Jackson", que segue com uma trinca de clássicos impecável: "Nashville Cats" (The Lovin' Spoonful), "The Grand Tour" (George Jones) e "It's Only Make Believe"(Conway Twitty). São 35 minutos do mais puro Country tradicional, a instrumentação é impecável e remete a diversos momentos da Country Music e a voz do Tony Jackson é tradicional em todos os sentidos, me vi pensando em Alan Jackson, Daryle Singletary e Mark Chesnutt. As atenções estão muito voltadas para os covers que ele fez, mas me concentrei nas suas três composições, "Old Porch Swing""Drink by Drink" e "She's Taking Me Home". Ele ainda precisa melhorar sua escrita, mas ambas as faixas são bem acessíveis e podem agradar um público mais amplo, as letras são fáceis e os refrões bem feitos. A imprensa americana não está repercutindo "Tony Jackson", não li reviews ou qualquer coisa sobre o álbum, mas isso não importa, ele está conseguindo espaço mesmo sem o apoio da mídia. Os números nas plataformas de streaming são ótimos e fazia tempo que não via um álbum de um novo artista ser tão bem avaliado na Amazon e iTunes. Você precisa escutar esse álbum, precisa acompanhar a carreira desse cara! 

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O guitarrista Castro Coleman, mais conhecido como Mr. Sipp, iniciou sua carreira tocando em bandas gospel no Sul dos EUA, onde participou de mais de 50 álbuns, e decidiu iniciar sua carreira solo no Blues em 2012 e em 2014 se venceu o tradicional International Blues Challenge em Memphis e o Gibson Best Guitarist Competition. Seus dois primeiros álbuns foram muito elogiados e dez com que ele recebesse diversas indicações em vários prêmios especializados em Blues. Em "Knock a Hole" é possível perceber os motivos de tantas pessoas "babarem o ovo" do Mr. Sipp, o cara além de ser um ótimo guitarrista e compositor, é um vocalista de muito potencial. Eu esperava escutar uma voz mais próxima daquelas que escutamos no Gospel, mas escutei um vocal bem Blues com influências do Gospel em algumas canções, a balada "Sea of Love" é um bom exemplo.  O Blues apresentado em "Knock a Hole" é bem variado, vai do mais tradicional ("Juke Joint") até o mais moderno ("Going Down"), o guitarristas consegue navegar pelas diferentes vertentes do Blues sem grandes problemas, algo que não é muito comum. Ao lado do Toronzo Cannon, o Mr. Sipp é o guitarrista que mais me impressionou nos últimos anos. Sem dúvidas ele será um dos grandes nomes do estilo nos próximos anos. Escutem esse álbum, ele é um dos melhores do ano.

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A Vandoliers foi formada em 2015 por músicos experientes de Dallas e Fort Worth, Texas que apostam no Alt-Country com uma forte pegada Punk. O que mais me impressionou no som da banda foi essa mistura de Rock, Punk e estilos mais Roots como Country e Folk. A faixa "Endless Summer" é um exemplo perfeito de como o som da Vandoliers é diferente, os caras criaram uma canção com instrumental pesado e com uma performance vocal impecável, mas foi a adição do piano e violino tornou essa faixa única e o exemplo perfeito do que a banda quer fazer, que é abordar a Country Music de uma perspectiva Rock. "The Native" é o segundo álbum da banda, os caras são experientes, sabem onde querem chegar e estão a todo vapor. Se você está procurando um álbum divertido e com uma sonoridade rica, "The Native" é uma das melhores opções de 2017.

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Até pouco tempo atrás não ligava para o Stoner, não sou um grande fã de Black Sabbath, Kyuss e Sleep eram bandas desconhecidas e a efervescente cena do estilo não me chamava atenção. Acho que comecei a gostar do estilo quando comecei a acompanhar os passos da Red Mess mais atentamente em 2014 e aos poucos fui descobrindo as centenas de ótimas bandas que existem nessa maravilhosa cena brasileira. Em "Into the Mess" a banda abusou dos riffs e tornou seu som ainda mais progressivo. A sequência "Enemies""Kork""Illusion" e "Into the Mess" é tão que parece ser uma única faixa, teve vezes que viajei tanto que nem percebi o fim e o começo delas. "Into the Mess" é um destaque a parte. A faixa tem mais de 12 minutos de duração e está cheia de mudanças de ritmo e é uma loucura agradável de se escutar. Sou um fã de jams, então espero muito ouvir essa faixa ao vivo, ela é perfeita para improvisos. A Red Mess não é a banda mais famosa na cena Stoner nacional, mas é minha preferida. Ver a evolução deles lançamento a lançamento é maravilhoso e espero que não parem de evoluir nunca, esses garotos tem futuro!
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Apesar de já ter sido indicada ao Grammy por três vezes, de ter ganhado diversas indicações do Blues Music Awards e ser dona de uma ótima discografia, dificilmente você escutará o nome da Ruthie Foster nas rodas de amigos quando o assunto for melhores vocalistas de Blues da atualidade, o que é um absurdo. Talvez "Joy Comes Back" sirva para mudar isso. Mesmo não sendo um álbum autoral, "Joy Comes Back" é sensacional e repleto de momentos inesquecíveis. O que dizer da maravilhosa e impecável versão de "War Pigs" do Black Sabbath? Não me lembro de ter escutado uma versão Blues desse clássico do Heavy Metal, se existir, duvido que seja tão boa quanto essa. E a performance dela em  "Joy Comes Back", escrita por Sean Staples? Além da performance impressionante da Ruthie, a faixa-título conta com o inconfundível slide do Derek Trucks, que em certos momentos faz sua guitarra cantar junto com a vocalista. Além das duas faixas citadas, vale destacar os covers de "What Are You Listening To?" do Chris Stapleton"Loving You is Sweeter Than Ever" do Four Tops, "Richland Woman Blues" do Mississippi John Hurt e a belíssima autoral "Open Sky". Poucas vocalistas na atualidade conseguem ser tão inspiradoras quanto a Ruthie Foster, poucas tem uma voz tão poderosa. "Joy Comes Back" é uma viagem pelo Blues, Gospel, Rock e Country, uma viagem que você irá querer repetir.

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Tive o prazer de assistir um show da Carolyn Wonderland ao vivo no Rio das Ostras Jazz & Blues Festival de 2015 e fiquei extremamente impressionado com sua performance e chateado por nunca ter ouvido nada dela antes. Quase dois anos se passaram e eis que ela lança "Moon Goes Missing", seu primeiro álbum desde "Peace Meal" de 2011. A Carolyn Wonderland é dona de uma magnifica voz, sem dúvidas uma das melhores do Blues na atualidade, mas ela não é só uma bela voz, toca trompete, piano, escreve muito bem e toca guitarra como poucas"Moon Goes Missing" é um dos grandes lançamentos do ano, mas é uma pena ver que as pessoas estão dando mais atenção a versão que a Carolyn fez de "Bad to the Bone" do George Thorogood do que ao restante do álbum, principalmente de jóias como "Open Eyes""Moon Goes Missing" e "Hellfire Bitters".

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O Tyler Childers é apenas mais um músico Country que passou por maus bocados até ganhar a atenção que merece. O músico do Kentucky escreve e toca desde muito novo, mas só agora, aos 27 anos, está recebendo atenção por parte da mídia e dos fãs, grande parte por causa do seu padrinho musical famoso, um tal de Sturgill Simpson. Tyler e Sturgill nasceram e foram criadas em cidades próximas, então não deve ter sido muito difícil o Sturgill ter conhecido o Tyler e visto todo seu talento. "Purgatory", que foi co-produzido pelo Sturgill Simpson e David Ferguson, é o segundo álbum do Tyler Childers, que lançou em 2011 "Bottles & Bibles" e não foi notado por quase ninguém, e mostra todo o potencial desse jovem cantor e compositor.Tirando a faixa-título, que um belo Bluegrass, e "Universal Sound", que é um Country Pop e que eu achei um deslize, o álbum é composto por ótimas faixas Country, mas sem nenhum grande hit, não falo de faixas para as rádios, mas de uma que você irá lembrar no futuro quando ouvir/ler sobre o Tyler. A força de "Purgatory" não reside em uma faixa e sim no conjunto da obra, que é uma prova do talento do Tyler, forte o suficiente para colocar ele no grupo de artistas mais promissores da Country Music. Mesmo que o nome do Sturgill Simpson nos créditos do álbum pese muito, todos os créditos devem ser dados ao Tyler, ao Sturgill só devemos agradecer por ter dado espaço para mais um ótimo músico. 

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A The Last Revel é um trio de Minneapolis, Minnesota em franca ascensão. O trio de multi-instrumentistas é muito habilidoso e consegue combinar diferentes influências em seu som, do Folk ao Rockabilly, da música acústica ao Rock. Ao mesmo tempo que o som da banda soa tradicional, ele tem um pouco de rebeldia, algo que pode ser notado na ótima faixa "Engine Trouble". Bandas como a The Last Revel estão cada dia mais ganhando atenção da mídia americana, elas conseguem soar tradicionais e pop ao mesmo tempo, elas conseguem agradar gregos e troianos. "Hazard & Fate" é fácil de gostar, as composições são boas e o ritmo é contagiante, não deixe de escutar esse ótimo álbum.

Wotson
No dia 08 de agosto perdemos mais uma lenda da Country Music, o Glen Campbell, que nos presenteou meses antes da sua morte com um novo álbum intitulado "Adiós", que começou a ser gravado em novembro de 2012, meses após ele ser diagnosticado com Alzheimer, e as gravações terminaram em janeiro de 2013. O álbum é composto por 12 covers de artistas como Willie NelsonBob Dylan, Roger Miller e Jimmy Webb, conta com a participação dos seus filhos Ashley, Cal e Shannon, de amigos de longa data como o Vince Gill, Roger Miller e Willie Nelson. Como o nome já diz, Glen queria que "Adiós" fosse sua despedida e fez isso da melhor forma possível. Mesmo beirando os 80 anos na época em que gravou e com a doença avançando rapidamente, é possível reconhecer o lendário Glen em todas as canções, a voz não é a mesma, muito menos o ânimo, mas o amor pela música, pela Country Music ainda é intacto. É como sempre falo, o músico genial se foi, mas suas músicas serão eternas e ainda irão encantar gerações de fãs da Country Music.

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Quando o Luke de Held me falou que ia lançar um novo álbum em 2017, esperava algo totalmente diferente, mais na linha do álbum "Blues From Redland" (2015), algo majoritariamente elétrico, mas fui surpreendido por músicas com uma levada mais calma e letras cheias de sentimentos, e letras muito bem escritas.  "Dreams", faixa que abre o álbum, é uma declaração de amor a sua esposa e filha; "Since You've Been Gone"fala sobre solidão; e "The Brightest Star in the Sky" é a joia desse álbum, a faixa é uma homenagem Luzia Orlandi Mendes, madrinha da sua filha que morreu alguns anos atrás. A letra da música é carregada de sentimento, que letra linda. Já escutei muitos álbuns lançados no Brasil, mas em poucos encontrei composições tão simples e boas como em "The Redland Son", mas o álbum não se resumo só a boas composições, a banda que acompanha o Luke, a The Lucky Band, faz um trabalho impecável.

Wotson
Sons of the Palomino é uma banda nova composta por velhos nomes da Country Music, entre eles o músico, compositor e idealizador da banda, Jeffrey Steele, membro do Nashville Songwriters Hall of Fame, e o lendário Paul Franklin. O nome da banda é uma referência ao Palomino Club, que era conhecido como "o clube de Country Music mais importante da Costa Oeste", ponto de parada obrigatório para qualquer artista Country que passava pela região. Jeffrey tocou lá por anos e esse álbum é uma tentativa de recuperar o clima do local, talvez seja por isso que o álbum soe tão datado, mas isso é proposital. O álbum começa de forma espetacular com "Runnin' Around", ela te faz querer escutar esse álbum todo, mas ele tem seus deslizes, torna-se cansativo e sonolento em alguns momentos, mas nada que prejudique o todo. A balada "When Lonely Calls" é cantada maravilhosamente pelo Jeffrey, mas é a instrumentação que rouba a cena, o dueto entre o piano e a steel guitar é maravilhoso, minha faixa preferida. "Countryholic" é bem clichê, mas mesmo assim gostei. "Sons of the Palomino" conta com a participação do John Anderson em "Authentic", da Emmylou Harris em "Outta This Town", do Jamey Johnson na bela "Whiskey Years" e da Gretchen Wilson em "Used to be a Country Town". O Jeffrey Steele alcançou seu objetivo com "Sons of the Palomino", conseguiu criar canções que emulam aquele Country criado nos anos 80 e 90, principalmente a instrumentação, que é impecável.

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"Let It Fly" é o quarto bom álbum da Kate Lush e a vocalista continua sendo uma completa desconhecida dos fãs de Blues. A australiana conseguiu construir uma boa reputação em seu país, mas agora é necessário expandir sua área de influência, potencial não falta. A voz da Kate é poderosa e envolvente, com uma pegada Soul e R&B, vai depender da música, sua banda é muito boa, principalmente o guitarrista Matt Roberts, e as canções são de extrema qualidade, com destaque para "River Flow""Good Good Love" e a infalível "Angel from Montgomery". É difícil escutar a voz da Kate e não comparar com a da Susan Tedeschi e Bonnie Raitt, é difícil acreditar que essa vocalista seja tão desconhecida. É um desperdício que o Blues da Kate Lush não se espalhe pelo mundo.
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Após décadas tocando ao lado da Destroyers diversos álbuns lançados, o George Thorogood lançou "Party of One", que pode ser considerado seu primeiro álbum solo. O álbum é composto por 15 covers de Blues e Country, todos gravados pelo George com a ajuda de um violão, uma guitarra e um dobro. "Party of One" é uma ode ao aos músicos que formaram sua consciência musical. Robert Johnson a Johnny Cash, de Elmore James a Hank Williams, de Brownie McGhee a Bob Dylan, cada cover é tocado com respeito e amor ao artista e a música. Já escutei dezenas de versões de "The Sky Is Crying" do Elmore James, mas a do George é uma das melhores, os vocais e o slide brilham ao longo da faixa; "One Bourbon, One Scotch, One Beer" do John Lee Hooker é outro destaque, totalmente acústica; em "Pictures From Life's Other Side" do Hank Williams ele sai um pouco do Blues, algo que não acontece em "Down The Highway" do Bob Dylan e "Bad News" do Johnny Cash, que foram transformadas em belos Blues acústicos. A voz do George Thorogood não mudou muito, mas esse não é o grande destaque do álbum. O slide brilha quando toca slide nas faixas do álbum, o cara é um mestre do slide. Não existem novidades em "Party of One", apenas um músico querendo tocar sozinho aquilo que ama para sair da rotina.

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Tenho certeza que você não conhece a Liz Rose, mas dependendo do seu gosto musical, irá conhecer "Teardrops on My Guitar""Picture to Burn""Fearless""White Horse" e "You Belong with Me", faixas que ajudaram a Taylor Swift a alcançar seu status de superstar, e os hits das rádios Country "Girl Crush" da Little Big Town e "Crazy Girl" da Eli Young Band. Todos esses hits foram escritos pela Liz Rose em parceria com algum outro compositor, fazendo dela uma das compositoras mais bem sucedidas da Country Music no século 21. Assim como suas colegas compositoras, Lori McKenna e Natalie Hemby, a Liz decidiu se arriscar e lançar sua estreia como cantora. Suas canções sempre foram gravadas por estrelas de Nashville, todos representantes da cena Pop Country, mas em "Swimming Alone" ela soa bem tradicional, mas não deixa de ser acessível a uma audiência maior. As composições do álbum nunca foram regravadas por outros artistas, elas são pessoais demais para outra pessoa gravar. Liz nunca se considerou uma cantora, sempre preferiu compor e escutar suas letras serem cantadas por outras vozes, o que é uma pena, ela tem uma bela voz. Em momento algum "Swimming Alone" supera os trabalhos de outras compositoras de sucesso lançados recentemente, mas ele tem seu próprio brilho. Esse não é o melhor álbum do ano, mas vale o play.

Outros álbuns

"Canyons of My Mind" do Andrew Combs
"Chapter 3" do Lawson & Williams
"Long Hard Ride" do Deryl Dodd
"Old Salt Union" da Old Salt Union
"Green" do Kody West
"Eterno Viajante" do Gabriel Gonti
"The Mountains Are Calling Me Home" do Junior Sisk
"Vai" do Flaviano Pichitelli
"1932" do Davy Knowles
"Ao Vivo no Theatro São Pedro" do Gustavo Telles & Os Escolhidos
"From Where I Started" da Sera Cahoone
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