Melhores álbuns que escutei no primeiro semestre de 2017


Seis meses se passaram e chegou a hora de fazer uma lista com os melhores álbuns que escutei no primeiro semestre de 2017. Nesse período escutei no minimo 200 álbuns e só 20 apareceram nessa lista. Admito que a lista é bem enxuta e sei que estou deixando grandes álbuns de fora, mas quem quiser explorar melhor esse meu louco gosto musical, leiam o conteúdo da tag 2017, lá vocês encontrarão todos os álbuns que já resenhamos nos site.

Vocês irão notar diversas ausências na lista de 20 álbuns, em alguns casos eu não escutei e em outros eu simplesmente achei que eles não superaram outros álbuns que escutei ao longo do ano. Os álbuns do Chris Stapleton, Zac Brown Band, Chuck Berry e Willie Nelson  não aparecem na lista principal, isso não significa que não amei esses álbuns, amo álbuns demais, então tenho que filtrar bastante e a tendência é sempre valorizar o novo, o desconhecido.

Assim como tudo nesse site, essa lista é composta por álbuns de Southern Rock, Blues, Country, Folk e Bluegrass, que são os estilos que nos comprometemos a divulgar. Confiram a lista:

Melhores álbuns que escutei no primeiro semestre de 2017


Gov't Mule - Revolution Come...Revolution Go

Warren Haynes, Matt Abts e companhia conseguiram criar um grande álbum mais uma vez. O título é enganador, esse não é um álbum político, ele é bem diversificado, musicalmente e liricamente. Além das ótimas composições e da sonoridade, a voz do Warren é o grande destaque. É impressionante como ele melhora álbum a álbum. Na minha humilde opinião, o Warren é o músico mais completo do Blues, talvez um dos mais completos da música na atualidade. O cara escreve ótimas canções, sua voz está em um patamar elevadíssimo e poucos se comparam a ele na guitarra.


The Magpie Salute - The Magpie Salute

Para quem não conhece, a The Magpie Salute foi criada no final de 2016 pelos ex-Black Crowes Rich RobinsonMarc Ford e Sven Pipien, sendo composta também pelo John Hogg, Joe Magistro, Matt Slocum, Nico Bereciartua, Charity White, Adrien Reju e pela Katrine Ottosen. É impossível não escutar "The Magpie Salute" e pensar em Black Crowes, Southern Rock, jams e Allman Brothers.Esse álbum foi lançado só para mostrar o grande potencial que essa banda tem, não que alguém tenha duvidado disso desde o início. Agora é esperar que eles lancem logo um álbum de inéditas.

Balto - Strangers

O Balto é uma mistura de Americana, Indie, Alt-Country, Folk Rock, Blues e Rock. Pode parecer uma mistura estranha, mas a banda conseguiu pegar todas essas influências e criar um som maravilhoso, algo que vale a pena escutar. Já escutei "Strangers" dezenas vezes e em todas fiquei impressionado com a qualidade das canções, seja pelo som eclético ou pelas belas letras. Não existem momentos ruins, se não acredita, escute o álbum do início ao fim, tenho certeza que irá escutar mais de uma vez.

Natalie Hemby - Puxico

A Natalie Hemby é mais uma grande compositora que decidiu apostar em uma carreira solo. O título do álbum não foi escolhido aleatoriamente, esse é o nome da sua cidade natal, localizada nos estado do Missouri. Assim como foi o álbum da Brandy Clark e do BJ Barham"Puxico" retrata como é a vida em uma pequena cidade do interior americano. Natalie fala dos seus lugares favoritos, do povo e das suas histórias, fazendo desse um álbum extremamente pessoal e que não foi feito para ser ter suas composições regravadas por outros. 

The Show Ponies - How It All Goes Down

As influências do Country e, principalmente, do Bluegrass são facilmente notadas nesse álbum. Logo na primeira faixa, "The Time It Takes", já escutamos as influências citadas. A alternância do Clayton Chaney e da Andi Carder nos vocais é uma constante muito agradável, ambas as vozes são belíssimas. Outro detalhe que me chamou a atenção é a tendência que a banda tem em fazer jams, pequenas, mas notáveis. Várias canções dão brechas para improvisações ao vivo e devem ficar sensacionais. É difícil apontar destaques nesse álbum, cada uma das 13 faixas tem brilho próprio e devem ser escutadas com muito carinho. 

The Band of Heathens - Duende 


O som da banda continua baseado na mistura de Rock, Blues, Soul e Country. "Duende", ele não é um álbum Country, mas quando escutei "Green Grass of California", tive a impressão que eles tocam Country melhor que a maioria dos músicos do estilo; "Daddy Longlegs" é um funk sensacional; "Trouble Came Early" é um Rock à lá Rolling Stones só que com riffs do Lynyrd Skynyrd; "Last Minute Man" é suave e pegajosa; "Cracking the Code", além de sua maravilhosa melodia, aborda um tema muito interessante, mídias sociais e relacionamentos virtuais. Resumidamente, o som da banda se encaixa muito bem no estilo Americana. As principais características de "Duende" são a diversidade e a capacidade dos membros da The Band of Heathens executarem qualquer estilo com uma qualidade absurda.

Mipso - Coming Down the Mountain

Para mim "Coming Down the Mountain" é o álbum com mais influências Country da banda até hoje, não que isso não fosse visível nos seus primeiros álbuns, mas aqui essas influências aparecem com mais frequência e destaque, vide a faixa-título, "Hurt So Good" e "Monterey County", três faixas impecáveis. O som da banda ainda é melhor classificado como Americana, o Bluegrass e Folk ainda influenciam muito a banda, mas foram as faixas mais Country que me enlouqueceram. É comum vermos uma banda lançar um grande álbum de estreia e não conseguir repetir a qualidade nos próximos álbuns, mas a Mipso é um exceção a essa regra. Desde a sua estreia em 2013 com "Dark Holler Pop", passando por "Old Time Reverie" em 2015 e agora com "Coming Down the Mountain", a Mipso ainda não sabe o que é lançar um álbum mediano. Que continue assim.

Tinariwen - Elwan

Os músicos da Tinariwen hoje podem ser considerados refugiados e utilizam sua influência para falar da situação da sua terra natal, o Mali. "O Tenere tornou-se uma planície de espinhos onde os elefantes lutam uns contra os outros, esmagando a grama macia sob os pés", canta Ibrahim Ag Alhabib em "Tenere Taqqal", lamentando o fato de sua terra natal ter se tornado um campo de batalha para lutas entre diferentes facções do seu povo. Ao mesmo tempo que lamentam a situação, a banda critica seu povo em "Imidiwan N-Akall-In". Esse álbum é bem mais pessimista que seus antecessores e além das críticas já citadas, a banda fala da vida no deserto, na necessidade de água, o bem mais precioso naquele canto do mundo, da amizade e lealdade, do abandono da alegria e da situação dos idosos e das crianças. Como li em um comentário, "este é o verdadeiro Blues do deserto". Esse é o segundo álbum da banda no exílio e eles fazem questão de mostrar como isso os entristece, mas existe esperança, eles ainda não desistiram do seu maior sonho, que é explicitado em "Ittus": "Eu lhe pergunto, qual é o nosso objetivo? É a unidade da nossa nação".


Na atualidade poucas vozes são tão fascinantes como a Rhiannon, palavras não explicam com perfeição a experiência que é escutar uma faixa como "Birmingham Sunday", que é sobre a 16th Street Baptist Church em 1963 sendo bombardeado por membros do KKK e que acabou matando quatro meninas e outras 22 pessoas. As composições também se destacam. Das doze canções do álbum, a Rhiannon só não participou da composição de duas, "The Angels Laid Him Away" do Mississippi John Hurt e "Freedom Highway" do Roebuck "Pops" Staples. "At The Purchaser's Option" conta a história de uma mulher estuprada pelo seu proprietário; "Julie" é a história de amor de uma senhora e sua escrava, que mais tarde descobre que a senhora vendeu seus filhos; "Better Get It Right the First Time" fala sobre a violência contra jovens negros e tem a participação do seu sobrinho, o rapper Justin Harrington; "Come Love Come" é sobre um casal de escravos em fuga tentando superar seus captores e apenas tentando viver suas vidas juntos. E não poderia deixar de falar da sonoridade. Tem Jazz, Folk, Hip-Hop, Bluegrass, Funk e Blues, é incrível como ela conseguiu unir tantos estilo no mesmo lugar sem soar estranho aos ouvidos mais exigentes.

Jason Isbell - The Nashville Sound

Estava ansioso para escutar "The Nashville Sound" e ver o nível das críticas do Jason Isbell, me decepcionei e me animei ao mesmo tempo quando encerrei a primeira audição. O álbum foi vendido como bem politizado, mas fomos todos enganados. As histórias são bem variadas, a vida no interior, as falsas esperanças que criamos ao longo da vida, privilégios, raça, gênero, amor eterno e até dá conselhos para sua filha em "Something to Love""The Nashville Sound" é mais uma prova de que o Jason Isbell é um dos melhores músicos da sua geração e que seu som não deve ser limitado. Não importa se é mais Country, Pop ou Rock, o trabalho desse cara deve ser apreciado sem preconceitos.

Left Lane Cruiser - Claw Machine Wizard

Atualmente é impossível não incluir a Left Lane Cruiser em qualquer lista de melhores bandas de Blues da atualidade, o duo está em um nível altíssimo a anos e ainda não sabem o que é lançar um álbum ruim. Pegue qualquer um dos nove álbuns lançados pela banda, do "Gettin' Down on It" de 2006 até esse novo álbum, tenho certeza que nenhum som irá te decepcionar. O som da banda não mudou e nem acho que o duo queira mudar sua fórmula bem sucedida. O blues da Left Lane Cruiser continua cru e sujo, cheio de Rock e guitarras distorcidas. "Claw Machine Wizard" é bem curto, tem pouco mais de meia hora de duração, mas é extremamente empolgante e viciante.


Quando escrevi sobre o EP "Sunset Avenue" no ano passado, disse que a Gina Sicilia só precisava lançar um álbum definitivo, aquele que arrepie as pessoas e chame a atenção de um público maior. Parece que "Tug of War" é esse álbum, que não é totalmente inédito, cinco das onze faixas foram lançadas no EP citado, talvez seja por isso que foi tão fácil amar esse álbum. Das novas faixas, destaco "I'll Stand Up", onde ela mostra todo potencial de sua voz, "I Don't Want To Be In Love", que tem uma grande influência do Soul de Memphis e é o melhor single para divulgar o álbum, e a bela versão do clássico "All My Loving" dos Beatles. Acompanho a Gina Sicilia desde "It Wasn't Real" (2013) e é impressionante ver como sua voz evoluiu, suas composições estão melhores e sua mistura de Soul/Blues está cada dia mais perfeita, uma das melhores da atualidade.

Jason Eady - Jason Eady

O Jason Eady é um daqueles músicos que não soariam ruins nem se quisessem muito. Mas não se engane, ele nem sempre foi essa maravilha de vocalista e compositor, seu som evoluiu álbum a álbum. "Jason Eady" é simples, a instrumentação do álbum é baseada no violão e na belíssima voz do Jason, vez ou outra aparece um pedal steel, uma guitarra e um violino, as letras são fantásticas, a voz dele é impecável e não existe uma música ruim! Este é um daqueles álbuns que se destacam logo na primeira audição e só vai melhorando a cada vez que você aperta o play. Não deixem de escutar esse álbum, tenho certeza que vocês não irão desperdiçar seu precioso tempo.


Para mim o Country não se resume só a sonoridade, não adianta ter pedal steel e banjo se as composições são superficiais. "Todas as minhas canções sempre foram sobre a vida real, mas estas tem sido mais sobre as coisas reais que eu tenho atravessado em minha vida. Eu escrevo sobre coisas que eu sei." Acho que é por isso que gosto tanto de Country e Blues, ambos prezam por contar histórias reais, histórias que conectam os fãs com as canções. A Bobbie Jean Sawyer do Wide Open Country resumiu perfeitamente o álbum: "afamada, sincera e destemida, esta coleção de músicas é exatamente o que a música country precisa agora. Com o 'Trophy', a Sunny Sweeney finalmente leva para casa o grande prêmio. E parece que todos nós ganhamos."

Delta Moon - Cabbagetown

O lado ruim desse constante bombardeio de informações é que, na maioria das vezes, não conseguimos filtrar aquilo que realmente nos interessa, boa parte do que nos atinge é inútil. Sou um pesquisador frenético, adoro investir horas do meu dia procurando bandas legais, mas nem sempre alcanço todas, a Delta Moon é uma dessas que demorei para conhecer. Essa não é uma banda novata, já está na estrada desde os anos 90 e já lançou oito álbuns de estúdio. "Cabbagetown", seu lançamento mais recente, é simplesmente fabuloso. A banda tem influências do Swamp Blues, Boogie Bock, Delta Blues e acaba caindo no Southern Rock, principalmente na faixa de abertura, "Rock and Roll Girl". A dupla de guitarristas Tom Gray e Mark Johnson me fez lembrar das grandes duplas que já existiram no Southern Rock, os caras são muito talentosos, não é a toa que eles são conhecidos como "Atlanta's sultans of slide guitar".

Colter Wall - Colter Wall

Criado nas pradarias de Saskatchewan, Canadá, o jovem Colter Wall, ele tem apenas 21 anos, tem tudo para se tornar uma grande estrela da Country Music. Se você for um fã de caras como o Steve Earle e Parker Milsap, músicos extremamente minimalistas, você irá adorar "Colter Wall". Dessa atual geração de tradicionalistas canadenses, o Colter Wall é o que tem mais potencial para se tornar uma "estrela". As composições dele contam boas histórias; sua voz está mais próxima de um desses cantores em fim de carreira, ela soa velha e cansada, o que me fez crer que ele era bem mais velho; seu som não é exuberante, é baseado em um violão, pedal steel e uma percussão bem suave, mas nada que tire o foco da sua bela voz. Por ser muito novo, o Colter Wall pode ter um futuro impressionante, o cara nasceu para isso.


Jaime WyattFelony Blues

Aos 17 anos de idade, a Jaime Wyatt assinou um contrato de gravação, mas logo foi desfeito. Após o fracasso inicial, a cantora caiu no mundo das drogas e acabou cometendo alguns crimes. Jaime foi presa por roubar seu traficante de droga e ficou presa na Califórnia por oito meses. Assim como fez Merle Haggard e David Allan Coe, a Jaime decidiu iniciar sua carreira na Country Music, não só por amos ao estilo, mas também pela falta de oportunidades. Ela não escolheu o estilo, a Country Music a encontrou por aí. "Felony Blues" é um álbum autobiográfico e nele a Jaime fala um pouco da sua vida na prisão ("Wasco" e "Stone Hotel") e de amor em "Yout Loving Saves Me". O álbum se encerra com "Misery and Gin", clássico gravado pelo Merle Haggard e que doi sugerido a Jaime pelo compositor original, John Durrill. "Felony Blues" mostra o potencial da Jaime Wyatt, não é um álbum que vai explodir sua cabeça de tão bom, mas mostra que temos mais uma promessa no pedaço. Jaime Wyatt, não se esqueçam desse nome!


Bob Wayne pode não ser tão conhecido como o Whitey Morgan and the 78's, Cody Jinks e Jamey Johnson, principais nomes da nova geração Outlaw Country, mas não perde em criatividade e qualidade para nenhum deles. Ao contrário dos nomes citados, o Bob Wayne se mantém distante dos olhos do mainstream e construiu um público fiel pelo mundo, principalmente na Europa, onde suas turnês são constantes. "Bad Hombre" continua na mesma pegada de seus antecessores, a atitude Punk está presente no álbum inteiro e as histórias continuam ótimas. Mesmo que a atitude Punk seja uma das marcas registradas do Bob Wayne, o seu som ainda é Country tradicional. "Fairground in the Sky", que conta com a belíssima participação da Kristina Murray, é a faixa mais suave e mais tradicional que o Bob lançou até hoje, pelo menos é o que acho, que música maravilhosa.


Os fãs mais antigos do Pokey LaFarge irão perceber que o som do músico não soa tão retro como antes, mas isso não significa que ele abandonou suas origens. "Maniac Revelations" tem uma pegada mais anos 60 e existe uma explicação para essa mudança drástica no seu estilo. Pokey ficou indignado com o que aconteceu em Ferguson, Missouri, um subúrbio de St. Louis, sua cidade natal, e decidiu abraçar o som dos anos 60, o som movimento dos direitos civis, para passar sua mensagem. A maioria das pessoas que escutam o Pokey LaFarge se atentam muito ao seu som, mas se esquecem que ele é um ótimo contador de histórias e é isso que ele faz em seu novo álbum.O som pode ser retro, mas a mensagem é muito atual.

Cary Morin - Cradle to the Grave

"Cradle to the Grave" passou meses na lista de álbuns que tenho que escutar, tantos artistas de destaque lançaram álbuns no primeiro semestre que acabei deixando muitos álbuns de lado. E como estou arrependido de não ter escutado o quarto álbum do Cary Morin antes! O som o Cary Morin é um Blues acústico que tem muitas influências do Folk e Jazz. O Cary compôs, cantou e tocou todas as faixas de "Cradle to the Grave", quase um one man band. É impossível não se hipnotizar pela voz e, principalmente, violão do Cary, faz tempo que não escutava um álbum acústico tão como esse. Esse é um daqueles álbuns em que o músico e seu instrumento estão em completa harmonia. Vocês precisam escutar as músicas desse álbum!

Outros álbuns altamente recomendados:

The Steel Woods - Straw in the Wind
Bruce Robison - Bruce Robison & the Back Porch Band
Sam Outlaw - Tenderheart
Southern Avenue - Southern Avenue
Shinyribs - I Got Your Medicine
Reverend Peyton's Big Damn Band - Front Porch Sessions
Aaron Watson - Vaquero
Robert Randolph & The Family Band - Got Soul
Willie Nelson - God's Problem Child
John Moreland - Big Bad Luv
Scott H. Biram - The Bad Testament
Samantha Fish - Chills & Fever
The Wild Reeds - The World We Built
Chris Stapleton - From A Room: Volume 1
Chris Shiflett - West Coast Town
Dale Watson - Dale & Ray
Dalton Domino - Corners
The Infamous Stringdusters - Laws of Gravity
Zac Brown Band - Welcome Home
Chris Bergson Band - Bitter Midnight
Breaking Grass - Warning Signs
Saints Eleven - Coming Back Around
Aaron Keylock - Cut Against the Grain
Justin Townes Earle - Kids In the Street
Nikki Lane - Highway Queen
Malcolm Holcombe - Pretty Little Troubles
Tecnologia do Blogger.