Melhores álbuns nacionais que escutei no primeiro semestre de 2017


Seis meses se passaram e chegou a hora de fazer uma lista com os melhores álbuns nacionais que escutei no primeiro semestre de 2017.

Fui meio relapso com os álbuns nacionais esse ano, se eu tivesse cumprido minha promessa de ter escutado dois por semana, essa lista seria muito maior, mas irei correr atrás do prejuízo nos próximos meses. No final da postagem fiz uma lista de álbuns que deveria ter escutado e que estão na minha lista de álbuns salvos no Spotify. Tenho muitas pessoas me ajudando atualmente no site, mas ainda sou responsável por 90% do conteúdo, então não me crucifiquem.

Pode parecer esquisito, mas é muito mais difícil encontrar um álbum de um músico underground americano do que um brasileiro. Todos os anos deixo de incluir algum bom álbum nacional em minha lista, não por minha culpa, mas por falta de divulgação do material. As bandas ainda são muito amadoras, não sabem utilizar as redes sociais, não entendem a importância do streaming e de manter contato constante com sites que podem divulgar seu trabalho.

Eu ainda dependo muito do apoio dos leitores e da boa vontade das bandas para tomar conhecimento dos lançamentos. Sempre foi assim, algumas pessoas nunca aprendem, mas vou divulgando aquilo que encontrar pelo caminho.

Aqui vocês não irão ver muitos nomes populares, aqui lido com um pedaço do underground que é renegado pelos grandes sites, aqui dedico meu espaço a uma galera que tem pouca ou nenhuma chance de divulgar seu trabalho.

Se seu álbum não aparece nessa postagem, três coisas podem ter acontecido: (i) você não lançou ele no Spotify, (ii) não me enviou um release por email ou Facebook ou (iii) eu não gostei e fiquei com vergonha de te falar.

Como tudo nesse site, vocês irão encontrar na lista álbuns Country, Blues, Bluegrass, Folk, Stoner e Rock, não garanto que irão amar todos, mas tenho certeza que irão se apaixonar por algum.

Melhores álbuns nacionais que escutei no primeiro semestre de 2017


Them Old Crap - Galeria Fantasma

Em seu novo álbum, a Them Old Crap expandiu sua musicalidade de uma forma que eu não esperava, algo bem radical na minha opinião, deve ser por isso que gostei tanto das quinze músicas que compõem o álbum. A sonoridade da banda melhorou demais, essa liberdade musical fez bem para a banda, e as composições saíram do clichê bebidas e brigas que as bandas brasileiras tanto gostam (eu também gosto, mas só isso não dá). Destaque para as ótimas "Rituals""Make Up""Shiver""Someone" e a belíssima "Caldroun". A Them Old Crap  se reinventou em "Galeria Fantasma" sem perder sua essência, o Bluegrass. Essa é uma das melhores bandas nacionais, não tenho dúvidas disso.


Hammerhead Blues - Caravan of Light


Todos os integrantes da banda são bem novos e tocam juntos a pouco tempo, mas não foi essa a impressão que tive ao escutar "Hero", um belíssima instrumental, e as demais faixas do álbum. Eles já eram muito bons no seu EP de estreia, não esperava uma evolução tão grande em pouco tempo. Tenho certeza que isso é fruto de muito trabalho e dedicação. O álbum tem muitos destaques, mas foi "Drifter" que me fez ligar o repeat. A faixa mais longa do álbum mas está repleta de ótimas jams. Uma em especial me chamou a atenção, ela começa por volta do quarto minuto e, para mim, soou muito Allman Brothers, o suficiente para ganhar minha preferência. Não vejo os sites nacionais falando muito da Hammerhead Blues, mas tenho certeza que isso irá mudar com o lançamento do ótimo "Caravan of Light".

Blues Etílicos & Noel Andrade - Canoeiros

José Dias Nunes, mais conhecido como Tião Carreiro ou o Rei do Pagode, para os mais íntimos, é um músico brasileiro imortalizado pela sua obra. Seu estilo acaba por influenciar diversas gerações tanto a do sertanejo, cantor e violeiro Noel Andrade, como também a dos músicos da banda carioca Blues Etílicos, por mais incrível que pareça. Esta influência, tanto para Noel Andrade quanto para o Blues Etílicos, resultou em uma parceria e, consequentemente, homenagem destes para o Rei do Pagode. O encontro entre os Rios Mississipi e Piracicaba resultou em belíssimas releituras daquelas músicas que acabaram por acompanhar a vida de muitos, sertanejos ou não. O destaque fica por conta dos diálogos entre as guitarras slide de Otávio Rocha, a Viola de 10 cordas de Noel Andrade e as gaitas sempre inspiradas do Flávio Guimarães, por mais difícil que seja escolher apenas um em um trabalho tão denso de informações e musicalidades. Para os amantes de Blues e da musica sertaneja de qualidade, linhas de guitarra slide e gaita inspiradas, uma cozinha com bastante suingue, viola caipira muito bem inserida e ditando o ritmo e, por fim e não menos importante, o belíssimo trabalho de vozes que, em dados momentos, remetem as tradicionais duplas sertanejas brasileiras, deve conhecer cada nota, cada acorde, desta obra conjunta de Noel Andrade e Blues Etílicos homenageando o Rei do Pagode, o inesquecível Tião Carreiro.

Alexandre da Mata & the Black Dogs - All Them Reasons

Faz tempo que o Alexandre me fala desse álbum e já tinha desistido dele, mas para minha felicidade, o álbum foi lançado. O Blues Rock é o estilo predominante no álbum, mas o Rock aparece em diversos momentos. O Alexandre, assim como os músicos da banda (o vocalista Junio Gomes, a baixista Cinara Motta e o baterista Evaldo Rodrigues), é muito experiente e isso faz muita diferença no estúdio. Além do talento do guitarrista e de seus companheiros de banda, "All Them Reasons" conta com a participação de músicos reconhecidos na cena nacional e internacional, como Leandro Ferrari, Auder Júnior,  Flávio Simões e a lenda Chris Slade, ex-baterista do AC/DC, que gravou a faixa "Big Love". O álbum demorou demais para ser lançado, mas fomos recompensados com grandes canções e um dos melhores álbuns lançados nos últimos anos aqui no Brasil.

Léo Maier - I Choose the Blues

Duas coisas se destacaram em "I Choose the Blues": o fato do álbum não seguir uma linha específica do Blues, tem um pouco de Chicago, Texas, Swing e até Funk e Soul; e, para mim, a divisão do álbum em duas partes, a primeira, que vai até "Blues For Mr. Jody Williams", tem uma pegada mais vintage, acho que é pela adição do saxofone e piano, e a segunda parte, que se inicia com a ótima "I Choose the Blues", já é mais moderna e com a guitarra roubando a cena. A primeira parte do álbum é boa, mas fiquei empolgado de verdade com o que escutei de "I Choose the Blues" em diante. Os solos, de guitarra e teclados, em "That Crazy Girl" são sensacionais; "We Miss the King"é uma belíssima homenagem ao BB King; e a curtinha "I'm Travellin" encerra o álbum em um ritmo mais dançante. "I Choose the Blues" é a estreia de um músico que ainda tem muito a fazer pelo Blues no Brasil, um cara que pensa pra frente, apaixonado por Blues e um guitarrista/compositor extremamente compositor. O cara tem futuro!

Watch Out for the Hounds - XIII

Eu me considero um profundo conhecedor das cenas Folk, Country e Blues do Brasil, mas vez ou outra deixo passar algo e esse algo é sempre de muita qualidade. Para minha sorte, o Spotify existe para salvar a minha vida e recomendou essa semana o álbum "XIII" dos curitibanos da Watch Out for the Hounds. O Folk da banda não é dos mais comuns, eles pegam o Folk cigano e misturam com o americano e o Blues, além de ter alguns toques de Jazz. O som da banda é contagiante e sem padrão, sem limites para a criatividade, algo que adoro e estimulo. 

NOAHS - Rise


Os catarinenses da NOAHS não são novos na cena folk nacional, estão na ativa desde 2014, mas só fui conhecer eles no final de 2016, mais exatamente no período de pesquisas que antecedeu o lançamento da playlist +100 bandas brasileiras que você deve escutar. A faixa "Catching Stars", lançada no EP "Cedar & Fire", é uma das melhores canções Made in Brazil que já escutei. Assim como na sua estreia, o Folk que aqui é mais moderno, mas não deixa de ser maravilhoso. O ponto alto do EP é a belíssima "Talk To Me", mas não achem que existe um ponto baixo no EP, essa faixa só está um nível acima das outras quatro ótimas faixas. A NOAHS está no caminho certo para ser o grande nome do Folk nacional nos próximos anos.

OutroEu - OutroEu

Eu estava muito ansioso para escutar esse álbum de estreia da OutroEu. Fui um dos milhares de fãs que acompanharam cada passo da banda no Superstar e tenho acompanhado o dia a dia da banda desde então. Eu comecei a gostar dessa pegada mais Pop do Folk no último ano, não via essa vertente e suas bandas com bons olhos, mas as bandas nacionais insistem em fazer esse tipo de som, então acabei sendo vencido pelo cansaço. Não é fácil apontar os destaques desse álbum, são muitos: a maravilhosa voz do Mike; todas as composições; as faixas "Coisa de casa""Zade", "O que dizer de você" e "Poema de lágrimas"; a ótima participação da Sandy em "Ai de mim"; e a versão de "Dona Cila", originalmente lançada pela Maria Gadú. Sendo bem sincero, "OutroEu" não tem defeito, só indiquei aqueles que mais se destacaram dos demais. "OutroEu" é o início de uma carreira que promete ser muito promissora.


Eu vivo elogiando os ótimos compositores americanos e muitas vezes me esqueço de olhar para os ótimos escritores que temos no Brasil. As 12 faixas de "Give me Something Real" são muito bem escritas e abordam temas bem comuns do dia a dia de qualquer ser humano, a vida, a sociedade em que vivemos, o mundo e os momentos de cada um dos músicos que integram a banda. "Give me Something Real" é um grande álbum e tem potencial para ser um dos destaques do ano, só precisa trabalhar melhor a divulgação, que é a parte fácil, a difícil é criar boas canções e uma sonoridade agradável, tarefas executadas com maestria pela banda.


The Lucywood - The Lucywood

A The Lucywood é formada pelo casal gaúcho Fernanda Cassel e Rodrigo Scopel e está na ativa desde 2014. Tudo começou como uma brincadeira, eles gravavam vídeos com covers de seus ídolos e postavam nas redes sociais. No começo os vídeos repercutiam entre familiares e amigos, mas, com o tempo, os vídeos foram se tornando populares e a coisa ficou séria. É impossível não notar a influência de bandas como Avett Brothers e Mumford & Sons, que aparece com muita força em "Like Knives", faixa de abertura do EP, e em "The Reader". Mas as influências do duo não se limitam ao Folk, o Pop Sia está entre as principais influências do casal. "The Lucywood" foi uma grande surpresa para mim, não conhecia o trabalho da dupla e fiquei bastante impressionado com a qualidade da gravação, dos arranjos e dos vocais da dupla. Que o casal se mantenha unido por muito tempo e que continuem nos presenteando com mais músicas como essas.


"Natural" é  segundo álbum de estúdio da argentina Jes Condado, que reside atualmente no Brasil. O álbum é uma mescla de Soul e Blues, as principais influências da cantora, mas fiquei impressionado com a faixa "So Many Things", que começa com um solo de banjo e tem uma forte presença do lap steel, e ao contrário das demais, é uma música Country. Aos poucos a Jes Condado está consolidando seu nome na cena nacional e "Natural" é um grande passo para essa consolidação.

Mad Monkees - Mad Monkees


Acompanho o trabalho solo do Felipe Cazaux (guitarrista e vocalista) desde que criei esse site e é um dos músicos brasileiros que mais respeito, seu trabalho no Blues é maravilhoso e aqui na Mad Monkees não poderia ser diferente. A banda pratica um Rock com uma pegada Stoner mas suas influências não se limitam só a esses estilos, elas vão do Blues ao Grunge, do Thrash Metal ao Rock alternativo, de Black Sabbath a Muse. Além da sonoridade, pesada e repleta de riffs, as letras do álbum são um destaque a parte. Elas abordam as disputas de poder no mundo ("Profit Over Doom"), guerras ("Bombman"), as dificuldades de relacionamento entre os membros da banda no início ("Monkee Business") e questões políticas e sociais.  A Mad Monkees é mais uma ótima banda dessa excelente safra de bandas nacionais de Rock e seu álbum de estreia é a prova disso, que debut! Fiquem de olho nesses caras.


"Nesses Últimos Dias" ainda tem resquícios do primeiro álbum - não estou falando das duas canções que ele regravou daquele álbum - mas dessa vez o Jean focou mais em contar histórias que ele viveu nos últimos anos e falou bastante sobre amor. O álbum abre com duas faixas do "Na Estrada""Mais de Mil Milhas" e a lindíssima "My Favorite Star", ambas com instrumental e ritmos diferentes e melhores do que já eram. "Colecionador de Lições" é uma faixa que me identifiquei instantaneamente. A faixa é uma espécie de carta que o Jean escreveu para seus pais quando ele morava em São Paulo. Morei muito tempo longe dos meus pais e ganhei muito com isso.  O outro grande destaque do álbum é "Amor de Pinguim", uma declaração de amor do Jean para sua namorada e que fala de fidelidade - pinguins são um dos únicos seres da natureza que escolhem um companheiro e passam toda sua vida com ele. A sonoridade de "Nesses Últimos Dias" não está muito diferente do álbum de estreia do Jean Donato. A voz dele ainda é o centro de suas gravações e o violão é o instrumento soberano. Infelizmente o nome do Jean Donato não é tão conhecido, uma pena para a cena como um todo.

Big Gilson - XXX

O Big Gilson está completando 30 anos de carreira em 2017 e "XXX" é o seu presente para os fãs de Blues. As letras do álbum são bem variadas, algumas expressam a indignação do Big, outras o amor, o romantismo e sua fidelidade ao Blues. O vocal do Big não é dos melhores, ele faz o que pode, mas esse é um mero detalhe, impossível se incomodar com isso sendo que o cara é uma fábrica de riffs e belos solos. O Big Gilson tem mais tempo de carreira do que eu de vida, o cara viveu os primórdios do Blues no país, ajudou a criar a cena nacional e fez do Blues parte da sua vida. Faça um favor a si mesmo, escute "XXX" e curta a obra de um dos maiores nomes do Blues brasileiro.

Lorenzo Tassinari - Maybe You Can Feel

O Lorenzo Tassinari é um promissor guitarrista gaúcho e "Maybe You Can Feel" é seu primeiro álbum de estúdio. O álbum contém 10 faixas autorais, cantadas em português e inglês, e algumas já são conhecidas pelos seguidores do músico. Três faixas foram lançadas em 2014 no EP "Se Eu Soubesse", mas todas foram regravadas e percebi algumas mudanças na parte instrumental, principalmente em "Thank You", que tem mais jams de Jazz e um minuto a mais de duração. No geral, "Maybe You Can Feel" é um bom álbum. A parte instrumental é a grande atração, principalmente nas jams.

Ari Frello - Take One

O Ari Frello não é um novato no mundo da música, está na estrada desde 2008 e esse é seu quarto álbum de estúdio. Ao contrário de muitos músicos nacionais, o Ari está tentando fazer diferente, ele investe pesado na sua imagem e tudo o que faz é de uma qualidade absurda. "Take One" é composto por seis clássicos do Blues que o Ari toca em seus shows, todos interpretados no estilo do músico. O Ari Frello é um dos músicos brasileiros que mais respeito, o cara é bom no que faz e merece mais atenção dos fãs de Blues de Pindorama.

Pallets - Pallets


Os paranaenses da Pallets já estão na ativa desde 2004 e lançaram sua estreia independente intitulado "Independência ou Sorte?" em 2012. Tive a sorte de conhecer a banda no final de 2016 e estou cada dia mais gostando do som feito pela banda, principalmente depois do lançamento do EP "Pallets". Esse EP é bem curto, tem 9 minutos de duração e duas canções, "Estrada" e "Eu Preciso". A primeira é um Southern Rock muito bem feito e que irá agradar demais os fãs do estilo. A banda lançou semanas atrás um clipe dessa faixa, confiram aqui"Eu Preciso"ainda é Southern Rock e tem um slide muito legal, mesmo ficando bem de fundo. A Pallets está fazendo um ótimo trabalho e espero que continue nessa pegada.

Conheço o Anderson Camelo desde 2013 e venho acompanhando a evolução do seu som e o cara não para de melhorar. Ao contrário de "Slide Groove" - o Anderson não se preocupou muito em seguir um estilo, ele simplesmente deixou as coisas fluírem sem limitações - "In the Wrong Side of the River" tem uma pegada mais Blues e investe pesado nos slides, que como disse o Derek Trucks"pode soar como a voz da mulher mais bonita ou como alguém esfolando um gato!""In the Wrong Side of the River" é um show de 13 minutos da voz da mulher mais bonita! Em "Swamp Strings" o Anderson mostra toda a sua habilidade no violão de 12 cordas e dá uma aula de slide. O mais impressionante é que esse álbum foi 99% gravado na casa do Anderson e ele utilizou iPad3 e um microfone Tascam, só os vocais de "Sick Of It All" foi gravado em estúdio. O Anderson Camelo a anos é um dos meus músicos preferidos da cena Blues do Ceará, mas sempre senti falta de mais lançamentos, algo que parece estar chegando ao fim. Liga o repeat e se divirta!


Do longínquo estado do Tocantins, mais exatamente de Palmas, vem a Four de Reis, banda que mistura influências do Blues, Rock e Country em suas canções. Em "Uma História por um Cigarro", seu segundo EP, a Four de Reis mudou demais sua sonoridade e a temática de suas canções. As faixas são mais obscuras, negativas e todas cantadas em português. A novidade do EP é o Country nas faixas "O Fumo, O Ópio e a Cachaça" e "Bar". Quando escutei o EP pela primeira vez, estava conversando com o Julio Bigeli, um dos membros da banda, e disse que tinha sido surpreendido com o Country nas canções. Adoro ser surpreendido. Tenho acompanhado a evolução da Four de Reis nos últimos anos e estou gostando do caminho que a banda resolveu escolher.

Folk Como Ocê Gosta - Os Punks Viraram Hippies


Indo na contramão da cena Folk nacional, os paulistas da Folk Como Ocê Gosta estão apostando no Folk raiz ou como as pessoas estão chamando aqui, Folk caipira. A instrumentação das faixas é simples mas precisa e o destaque do curto EP são as composições. A faixa-título expressa a visão de mundo da banda, um pouco diferente da minha em alguns pontos, mas nada que tire o brilho da bela composição e do refrão pegajoso. "Ontem" é a faixa romântica e a que mais gostei do EP. Como a Maísa do Folkdaworld disse, é impossível escutar essa faixa e não ficar batendo o pé no chão. "Colheita" é mais reflexiva e me fez pensar no imediatismo da geração. 
Zumpiattes - Margens

A Zumpiattes é uma novata na cena Folk nacional e já estreou em alto nível. O Folk tocado em "Margens" é uma mistura do tradicional com o alternativo, uma mistura bem interessante. É difícil acreditar que a banda foi formada em 2016, a sonoridade e as composições me fizeram pensar que essa é uma banda com anos de estrada.
Phantom Powers - Knock Knock


O som da Phantom Powers é uma mistura muita boa de Blues, Surf Music, Psychobilly, Punk e muitas influências das clássicas trilhas dos filmes Western Spaghetti. Pode parecer impossível unir todos esses estilos em uma única música, mas os gaúchos da Phantom Powers conseguiram. O EP "Knock Knock" contém quatro e é uma pequena amostra do vasto repertório de canções do duo. Mesmo com tantas influências, algumas sem nenhuma conexão, Vico e Ray conseguiram criar ótimas canções.

Siloé Claus - Apenas Eu

O mineiro Siloé Claus já participou de algumas bandas ao longo dos seus mais de 15 anos de carreira e lançou alguns álbuns com elas, mas só aos 29 anos de idade lançou seu debut solo. "Apenas Eu" é composto por cinco faixas autorais e o que ouvi é um Folk Pop acústico de muita qualidade. A instrumentação é simples, mas são as composições que se destacam. O amor é a temática do EP, todos os tipos de amor, o familiar, ao próximo, aquele que sentimos por nós mesmos, pelos amigos e, óbvio, o amor por uma mulher/homem. Espero que o Siloé lance mais músicas em breve, preciso de mais.

Banda de Um - Arbitrium


O Folk se espalhou pelo país e ótimas bandas tem surgido por todo território nacional e o nome da vez é a Banda de Um, lá de Roraima. "Arbitrium" é a estréia da banda e está repleto de destaques. Logo de cara a voz do Gleyson Vaz (voz e violão) chama a atenção do ouvinte, uma voz suave que se encaixa como uma luva nas composições da banda, que é outro destaque. "Arbitrium" em latim significa escolhas e destaca o conceito do disco que aborda as escolhas que as pessoas adotam em suas vidas. Por ser ateu, sempre acho que não vou me conectar com canções que falam sobre fé, mas sempre acabo interpretando as composições de outra forma, gosto de abusar da minha subjetividade. A Banda de Um estreou com o pé direito.

Márcio Rocha - No Blues Até os Ossos


"No Blues até os Ossos" é o debut de um músico que se dedica ao Blues por mais de duas décadas, ensinando e difundindo o estilo, principalmente no interior paulista. O álbum é composto por 11 músicas cantadas em português e falam de temas bem comuns no Blues: o amor pelo gênero, decepções amorosas, sofrimento, sexo,  relacionamentos com mulheres casadas, entre outros. O Blues que escutamos nesse debut não é moderno, até parece ter sido gravado muitas décadas atrás, uma tendência nos lançamentos da Blue Crawfish Records. Gravado no estúdio Rancho Rockfeller em São Carlos e produzido por Netto Rockfeller, o álbum contou com a participação dos músicos Danilo Hansem, Felipe Côrtes, Danny Vincent, Edu Gomes, João Leopoldo, Murilo Barbosa, David Tanganelli, Jes Condado, Mayra Aveliz e Lidi Cortez.

Álbuns que eu deveria ter escutado:

Chico Teixeira - Saturno
Pedro Nascente - Back to the Start
Os Arrais - Rastros e Trilha
TBZ Blues - Tribuzana
Flávio Guimarães e Netto Rockfeller - Sound Tracks
Detritons - The Roots of Blues
Guilherme Zanini & Groove Solution - Guilherme Zanini & Groove Solution
Uirá Cabral - Blues is Calling
Léo Uoya - Mojoman
Luke De Held & the Lucky Band - The Redland Son
Jambock Sul - Jambock Sul
Qualquer Bordô - Qualquer Bordô
Salsa Brezinski - Blues
Modstock - Mod is Back
The Césaros - Devaneio
The Kings in Ely Street - The Kings in Ely Street
Lobisomen - Lobisomen
Vanguart - Beijo Estranho
Flaviano Pichitelli - Vai
Gabriel Gonti - Eterno Viajante
Meio Amargo - Tudo o que Dissemos que Não Era
Stranhos Azuis - SZ
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