Escutem Revolution Come...Revolution Go do Gov't Mule


"Revolution Come...Revolution Go" começou a ser gravado na noite do dia 8 de novembro de 2016, dia em que os americanos decidiram o futuro do país em uma eleições presidenciais mais importantes da história. O resultado das eleições nós sabemos, muitos adoraram, outros odiaram. Foi nesse clima de raiva, decepção e agitações sociais que o álbum foi gravado. Mas não se engane com a palavra revolução no título, isso não é uma ode a nenhuma corrente política.

"O título do álbum parecia perfeito devido aos fatos políticos", disse Haynes. "Mas eu dei a canção esse título - 'Revolution Come...Revolution Go' - porque se transformou em uma peça central com muitos movimentos e influências diferentes. Então eu escrevi uma letra que se relaciona com a música." Em algumas entrevistas o Warren Haynes disse que é uma coincidência alguns temas se encaixarem tão bem com fatos relevantes que aconteceram após as eleições presidenciais de 2016. A banda começou a trabalhar no álbum 15 meses antes de sua gravação e nenhuma letra foi escrita após o início das gravações.

O álbum começa com "Stone Cold Range", que tem um riff maravilhoso e que ir´deixar qualquer fã da banda animado. A faixa fala sobre a raiva que vemos por aí, não só daqueles que perderam, mas também do lado vencedor. "Eu nunca vi nada assim, nunca. Cresci no sul; nunca vi pessoas tão bravas e tão divididas. E nós viajamos por todo o país. Eu já fui para a Califórnia - também está acontecendo lá fora," disse Haynes. "Drawn That Way" é uma resposta direta às tragédias urbana nos últimos anos e é repleta de mudanças de ritmo, em alguns momentos é mais lenta e em outros dá uma leve acelerada.

Em "Pressure Under Fire" o Warren encarna um pregador, mas ele não quer te convencer a seguir uma religião, ele prega a unidade, não apenas entre os americanos, mas entre os seres humanos como uma raça. Estamos todos lutando pela mesma causa, os meios são diferentes, mas os objetivos são dos mesmos. "Todos estamos viajando pela estrada da vida / Existe tanta coisa que você pode fazer por si mesmo / Pessoas, nós temos que compartilhar a carga / Nós conseguimos compartilhar a carga."

Política não é o único assunto de "Revolution Come...Revolution Go", o amor é retratado em "The Man I Want To Be", uma balada cantada com muita paixão pelo Warren. A vida na estrada é o tema de "Traveling Tune", que é totalmente Allman Brothers e um pouco de Country nas guitarras, impossível não amar essa faixa. "Thorns Of Life" é uma das faixas mais bem trabalhadas do álbum, repleta de mudanças melódicas e seu ritmo é surpreendente. Como o Warren disse, "Thorns of Life" é "uma jornada musical legal".

"Dreams & Songs" é a faixa mais pessoal escrita pelo Warren nesse álbum e foi uma das produzidas pelo Don Was. O Warren disse que a versão incluída no álbum foi gravada na primeira tentativa, eles fizeram outras, mas ficaram com a inicial. Difícil não se identificar com a letra de "Dreams & Songs": "Minha vida inteira foi preenchida com canções e sonhos / Quando eu era criança eu tinha uma máquina do tempo / Pouco eu sabia que seria rápido / Pouco eu sabia que eu podia ver o futuro...mas não o passado / Deixe tudo para trás, venha o que pode / Sempre pensei que estaria, vindo, em casa algum dia / Pouco eu sabia que a vida é difícil / Aqui estou agora, arrumando uma janela / Para o meu antigo quintal."

Se você é um fã antigo do Gov't Mule, irá perceber que a banda tem introduzido novas influências em suas músicas nos últimos álbuns. Em "Revolution Come...Revolution Go" isso é perceptível em diversas faixas, principalmente em "Sarah, Surrender", faixa com uma pegada R&B e, como disse o Warren, é uma espécie de cruzamento entre Curtis Mayfield e Al Green.

A faixa-título tem uma pegada muito parecida com "Thorns Of Life" e é muito Allman Brothers. Gostaria de escutar essa música ao vivo, ela é perfeita para improvisações. "Burning Point" é um Blues psicodélico que conta com a ilustre participação do Jimmie Vaughan. "Easy Times" é a faixa mais lenta e reflexiva do álbum e tem uma das melhores performances do Warren nos vocais. "Dark Was The Night, Cold Was The Ground", música tradicional eternizada pelo Blind Willie Johnson, que encerra o álbum de forma impecável.

Engana-se quem acha que "Revolution Come...Revolution Go" é um álbum político, ele é bem diversificado, musicalmente e liricamente. Não vou perder tempo "babando ovo" das qualidades do Warren na guitarra, do Matt Abts na bateria e da banda como um todo, quero usar esse tempo para falar da voz do Warren.

Não basta ser um dos melhores guitarristas da sua geração, o cara tem que ter uma puta voz, uma daquelas inconfundíveis. É impressionante como ele melhora álbum a álbum. Na minha humilde opinião, o Warren é o músico mais completo do Blues, talvez um dos mais completos da música na atualidade. O cara escreve ótimas canções, sua voz está em um patamar elevadíssimo e poucos se comparam a ele na guitarra.

Por fim, "Revolution Come...Revolution Go" é fortíssimo candidato a álbum do ano e é um pecado não escutar essa obra prima.

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