Do Blues ao Jazz


Como sabemos o Blues tem suas raízes nos spiritual e worksongs. Pois bem, junto com o saudoso Blues também nascera o Jazz, que neste ano (2017) completa o centenário do seu primeiro registro sonoro em disco. A autoria desta façanha foi um conjunto americano de New Orleans chamado Original Dixieland Jazz Band.

Esse magnifico conjunto de jazz liderado pelo cornetista Nick LaRocca, foi muito importante não somente por ter sido a primeira banda á gravar um disco de Jazz em 1917, mas também por ter exportado o estilo á Europa em 1919 e ainda por fazer a primeira transmissão de rádio tocando Jazz.

Quando o Jazz surgiu, assim como o Blues, também representava uma cultura de subversão, o Jazz misturou a baixa e a alta classe da sociedade de New Orleans. Por não ter um tema fixo e ser tocado com mais improviso do que o Blues, logo o Jazz passou a representar um estilo musical mais complexo, sendo classificado como uma evolução do Blues.

O Jazz celebrava a espontaneidade e liberdade de interpretação o subversivo prazer, a década de 1920 ficou conhecida como a "Jazz Age".

As big bands eram as grandes bandas de Jazz da época, e causavam alvoroço por seu grande potencial rítmico, influenciado pela cultura africana. Nesta época o Jazz era alegre com muito swing, feito para dançar, e por isso se tornou popular entre os jovens que iam a New Orleans a procura de diversão e prazeres! Os arranjos para as big bands eram feitos com "janelas", ou seja, compassos dedicados aos improvisos individuais dos músicos, o que proporcionava liberdade de improviso e criatividade ao músico e ainda possibilitava aos dançarinos, tempo para expressão corporal.

Assim era o Jazz, vibrante, intenso, despojado, até o inicio de dezembro 1944 quando desapareceu o bandleader e trombonista Glenn Miller, grande divulgador e um dos artistas de maior destaque em vendas de 1939 a 1942 com sua Glenn Miller Orchestra. A partir deste período o Jazz evoluiu para o bebop, um Jazz mais complexo, sofisticado e contemplativo, o que impossibilitava a dança que o Swing permitia. Ao longo dos anos subsequentes o Jazz incorporou outras tantas variações, aderindo ás mudanças sociais e musicais que se apresentavam, enquanto que seu irmão mais velho o Blues, pouco se transformou, manteve-se fiel a sua forma de expressão artística intensa. Contudo estas duas formas de expressão nunca romperam completamente suas relações.

Me arrisco a dizer que estes dois estilos musicais, são de alguma forma, manifestações do mais intimo que a alma humana pode expressar. Por fim, sugiro ouvir a interpretação do incrível Louis Armstrong para a canção "West End Blues", composição que flerta perfeitamente do Blues ao Jazz!


Marcelo Ricardo Bueno é guitarrista e compositor na banda Midnight Wolves e administrador. Aficionado e colecionador de Blues e Jazz, mas principalmente de Blues.
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