Cold Hot, uma viagem visual (e sonora) pela região mais musical dos EUA


Imagens podem gerar sons, ainda que imaginários. Partindo dessa constatação, o fotógrafo e jornalista Sérgio Poroger registrou, numa jornada através do sul dos Estados Unidos, em dezembro de 2014, a obra fotográfica agora transformada no livro Cold Hot, que conta com a curadoria de Eder Chiodetto, curador especializado em fotografia, com mais de 70 exposições realizadas nos últimos 10 anos no Brasil e no exterior. Cold Hot teve patrocínio do Lafayette Convention and Visitor Center, no Estado de Lousiana, entre outros apoiadores.

"Pesquisei a região por quase dois anos, pautado pela vontade de fotografar puramente a musicalidade da região. No entanto, acabei sendo surpreendido por uma parte diferente do restante dos Estados Unidos, onde a música influencia totalmente suas paisagens, arquitetura e os costumes de seus moradores, que também são diferentes – gostam de falar, gostam de conversar, são felizes e descontraídos. Um lugar, final, onde tudo vira música!", explica Poroger. Além das fotos, ele escreveu o texto de apresentação e pequenos apontamentos que costuram as imagens.


Circulando por mais de 3.000 quilômetros,  Poroger percorreu os Estados da Georgia, Tennessee, Mississipi, Louisiana e Texas, e colocou o pé na lendária Blues Highway, a Rota 61, numa paisagem que alternava o humilde estilo de vida de certas populações com cidades ostentando arranha-céus opulentos, mas que ofereciam uma percepção constante: a musicalidade que exalava em qualquer parte. Raras regiões do país oferecem tamanha diversidade musical, abrangendo do velho e sagrado blues ao country, passando pelo jazz clássico e pelo rock and roll dos anos 50.

O roteiro da viagem mostra exatamente isso: em Nashville, o Country Music Hall of Fame é um local de peregrinação obrigatório, assim como o Wild Bill’s, deliciosa casa de shows nos subúrbios de Memphis, que revelou, por exemplo, um rapaz chamado Elvis Presley. Ou então o cruzamento das estradas 61 com 49 em Clarksdale, no Mississipi, onde a lenda do blues Robert Johnson teria feito o famoso pacto com o diabo, hoje parte obrigatória de qualquer história da música. Ou ainda no Preservation Hall de Nova Orleans, lendário templo do jazz tradicional.


Tudo isto está registrado em Cold Hot, comparado por Eder Chiodetto, "à cartilha que remete às heróicas incursões dos fotógrafos viajantes, personagens responsáveis por nos levar a lugares desconhecidos descortinando atmosferas, intimidades, bastidores, culturas". E por que este título? Chiodetto explica: "Rompendo com a cronologia e a geografia, as imagens se conectaram pela composição, pelos intrincados jogos de luz e cor, pela recorrência dos referentes e também pelas tonalidades que conotam aquecimento extremo ou certa frieza e, metaforicamente, trazem a ambivalência dessa região que oscila entre períodos de intenso calor e frio rigoroso."

O livro conta ainda com a apresentação do crítico musical e autor Carlos Calado, que o define como uma espécie de trilha sonora imaginária por meio de expressivas imagens. "Para sentir essa música, nem é preciso ter conhecido pessoalmente as várias cidades do Sul dos Estados Unidos que ele retratou, em visitas a bares, clubes noturnos, cafés, restaurantes, estúdios de gravação e museus. Essa música silenciosa está presente até mesmo nas imagens que as lentes de Sergio captaram nas ruas", observa Calado.
Tecnologia do Blogger.