O desafio do Blues em português e seus representantes - Introdução


ETIM gr. mousikós,ḗ,ón (dórico mousikā ) 'que diz respeito às Musas, à poesia, às artes, esp. à música'

Supor premissas etimológicas para um tema detentor de emoções compartilhadas parece estranho em uma primeira leitura, não fosse a intenção do autor em destacar uma linguagem que extravasa sinais, por mais técnicos que possam parecer.

Harmonia, ritmo, dança e visual, fazem um artista autoexplicativo em cima de um palco, o expectador entende e decodifica - a identificação ocorre em imediato.

A segunda etapa de uma música são os códigos - a língua cantada - as letras e suas estéticas de rimas, que aliadas ao encadeamento de acordes e melodias promovem o deleite de se apreciar seu artista de predileção.

O Blues como estilo de música, carrega todos esses parâmetros, e ao estender as fronteiras, ganhou novos idiomas e sotaques, por vezes alheios ao inglês, e a partir de então "as dores", "o amor", "as mazelas" e as expressões cotidianas, ganharam outra língua mátria.

O Blues tupiniquim é tomado de um exímio exemplo dessa apropriação musical. Nossos artistas não apenas empunharam seus instrumentos e impostaram talento em composições, como também conduziram a língua portuguesa e seus minimalismos para escrever letras que os representasse.

Não seria soberbo afirmar que os bluesmans nacionais traçaram um paralelo na música popular brasileira, e sim, seria justo. É bem verdade que as letras não se apoiam em versões, tal qual a Jovem Guarda; não exploram o tecnicismo formal do português como a Bossa Nova, ou tão pouco recriam verbetes e neologismos como a Tropicália. O blues nacional traduziu de maneira coloquial, "mundana", e até marginal, nossos principais sentimentos, residentes em nossa aldeia. A Rua! 

A sequência de artigos contidas nessa série, promove a interação do Blues com o português Brasileiro ao longo dos tempos, em uma vereda que leve o leitor à artistas representantes, do mais alto nível. Celso Blues Boy, Renato Fernandes, Bebeco Garcia, entre tantos outros.

Conrado
Conrado Graff é guitarrista e vocalista na banda paraense Soul Blues. Ouvinte voraz de Jazz, Southern, Rock e Blues. Pesquisador informal dos estilos e artistas que moldaram música e a literatura! Professor e coordenador pedagógico secundarista nas horas vagas!
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