Melhores álbuns que escutei em março de 2017


Como faço todos os meses, vamos a mais uma lista com os melhores álbuns que escutei no último mês. Os álbuns que escuto, na maioria das vezes, não foram lançados no mês que escuto, não consigo escutar todos os álbuns lançados no mês ou conheço o álbum bem depois dele ter sido lançado. As minhas listas sempre são compostas, em sua maioria, por lançamentos de bandas pouco conhecidas, mas sempre tento trazer alguns nomes mais conhecidos do grande público.


Melhores faixas que escutei em janeiro: "Born Astray" (Balto), "Cracking the Code" (The Band of Heathens), "Cross My Heart and Hope to Die" (Me and That Man), "Bottle by My Bed" (Sunny Sweeney), "The Arrow" (Aaron Watson), "We Deserve a Happy Ending" (Reverend Peyton's Big Damn Band) e "Wasco" (Jamie Wyatt).

The Band of Heathens - Duende: O som da banda não mudou muito do último álbum para cá, ainda é uma mistura de Rock, Blues, Soul e Country. "Duende", não é um álbum Country, mas quando escutei "Green Grass of California", tive a impressão que eles tocam Country melhor que a maioria dos músicos do estilo; "Daddy Longlegs" é um funk sensacional; "Trouble Came Early" é um Rock à lá Rolling Stones só que com riffs do Lynyrd Skynyrd; "Last Minute Man" é suave e pegajosa; "Cracking the Code", além de sua maravilhosa melodia, aborda um tema muito interessante, mídias sociais e relacionamentos virtuais. As principais características de "Duende" são a diversidade e a capacidade dos membros da The Band of Heathens executarem qualquer estilo com uma qualidade absurda. A minha geração reclama muito da falta de originalidade das bandas, que elas só repetem a fórmula que os "gigantes" inventaram, mas essa crítica não vale para "Duende".

Rhiannon Giddens - Freedom Highway: Na atualidade poucas vozes são tão fascinantes como a dela, palavras não explicam com perfeição a experiência que é escutar uma faixa como "Birmingham Sunday", que é sobre a 16th Street Baptist Church em 1963 sendo bombardeado por membros do KKK e que acabou matando quatro meninas e outras 22 pessoas. As composições também se destacam. Das doze canções do álbum, a Rhiannon só não participou da composição de duas, "The Angels Laid Him Away" do Mississippi John Hurt e "Freedom Highway" do Roebuck "Pops" Staples. "At The Purchaser’s Option" conta a história de uma mulher estuprada pelo seu proprietário; "Julie" é a história de amor de uma senhora e sua escrava, que mais tarde descobre que a senhora vendeu seus filhos; "Better Get It Right the First Time" fala sobre a violência contra jovens negros e tem a participação do seu sobrinho, o rapper Justin Harrington; "Come Love Come" é sobre um casal de escravos em fuga tentando superar seus captores e apenas tentando viver suas vidas juntos. E não poderia deixar de falar da sonoridade. Tem Jazz, Folk, Hip-Hop, Bluegrass, Funk e Blues, é incrível como ela conseguiu unir tantos estilo no mesmo lugar sem soar estranho aos ouvidos mais exigentes.
Balto - Strangers: Originária de Portland, no longínquo estado do Oregon, o som da Balto é uma mistura de Americana, Indie, Alt-Country, Folk Rock, Blues e Rock. Pode parecer uma mistura estranha, mas a banda conseguiu pegar todas essas influências e criar um som maravilhoso, algo que vale a pena escutar. Já escutei "Strangers" umas dez vezes e em todas fiquei impressionado com a qualidade das canções, seja pelo som eclético ou pelas belas letras. Não existem momentos ruins, se não acredita, escute o álbum do início ao fim, tenho certeza que irá escutar mais de uma vez.

Me and That Man - Songs of Love and Death: O álbum é muito influenciado pelos trabalhos do Nick Cave, King Dude, Johnny Cash e Leonard Cohen. A sonoridade pode ser bem diferente do que escutamos nos álbuns do Behemoth, mas muitas das composições tratam de temas bem recorrentes na discografia da banda polonesa. As composições e a performance do Nergal e do John Porter nos vocais sãos os destaques de "Songs of Love and Death". O álbum é sombrio e extremamente simples, a parte instrumental é bem feita e creio que irá agradar boa parte dos fãs do Nergal e uma grande parcela dos fãs de Americana.
Sunny Sweeney - Trophy: Para mim o Country não se resume só a sonoridade, não adianta ter pedal steel e banjo se as composições são superficiais. "Todas as minhas canções sempre foram sobre a vida real, mas estas tem sido mais sobre as coisas reais que eu tenho atravessado em minha vida. Eu escrevo sobre coisas que eu sei." Acho que é por isso que gosto tanto de Country e Blues, ambos prezam por contar histórias reais, histórias que conectam os fãs com as canções. A Bobbie Jean Sawyer do Wide Open Country resumiu perfeitamente o álbum: "afamada, sincera e destemida, esta coleção de músicas é exatamente o que a música country precisa agora. Com o 'Trophy', a Sunny Sweeney finalmente leva para casa o grande prêmio. E parece que todos nós ganhamos."

Aaron Watson - Vaquero: Quando escutei o primeiro single do álbum, "Outta Style", lançado em 2016, fiquei mais perdido que cego em tiroteio e tirando "Texas Lullaby" e "These Old Boots Have Roots", os demais singles que ele lançou me desanimaram bastante, mas não o suficiente para renegar esse álbum. O álbum tem faixas ruins, mas tem muito mais bons momentos, vide "Texas Lullaby", "Take You Home Tonight", "These Old Boots Have Roots", "The Arrow" e "Diamonds & Daughters". Acho que o tamanho do álbum, 16 músicas e mais de uma hora de duração, e algumas músicas mainstream demais para meu gosto, atrapalharam um pouco minha experiência, mas "Vaquero" não é um álbum que deve ser desprezado. Se você tirar "Big Love In A Small Town", "Amen Amigo", "Rolling Stone""Outta Style" e "Run Wild Horses", além de deixar o álbum com 11 canções e quarenta minutos de duração, faz desse um dos melhores trabalhos do Aaron Watson. 

Dead Man Winter - Furnace: Esse álbum é uma mistura de Rock e Folk Rock, mas também tem um pouco de Alt-Country espalhado por suas onze canções, mas não é a sonoridade que chama a atenção. A performance vocal do Dave é sempre impecável e sempre será um dos pontos altos de seus trabalhos, mas as composições é que chamam a atenção. As músicas são carregadas de melancolia, impossível não ser quando a temática principal é o divórcio. Em "Destroyer" ele canta, "Tudo o que eu queria era morrer, mas você não me deixaria ir", e obscura "Cardinal", ele canta: "Agora eu só quebro tudo que eu toco". Dá para perceber que o último ano não foi muito fácil para o Dave, mas é em momentos como esse que grandes canções são escritas, "Here, My Dear" do Marvin Gaye e "Blood on the Tracks" do Bob Dylan são ótimos exemplos. Como disse a Hilary Saunders da Paste Magazine, "Furnace" é "uma visão voyeurística das emoções mais fechadas do seu criador." Um álbum sensacional.

Old 97's - Graveyard Whistling: O antecessor de "Graveyard Whistling", o ótimo "Most Messed Up", era mais heterogêneo, o novo lançamento é mais claro, profundo e dramático, segundo o crítico Mark Deming e concordo com sua opinião. A banda ainda continua pesada, o Rhett Miller continua doutrinando nos vocais e mostraram mais uma vez que ainda é uma das poucas que conseguem unir Country, Punk e Pop no mesmo lugar com perfeição. Quando vi que "Graveyard Whistling" tinha sido lançado, só queria apertar o play e me divertir. Já escutei o álbum completo uma dezena de vezes e continuo me divertindo.
Scott H. Biram - The Bad Testament: cho que conheci o Scott H. Biram em 2012, logo após ele lançar "Bad Ingredients", e viciei no som desse cara. Ninguém mistura tão bem Blues, Punk, Country, Metal e Americana tão bem como ele. Pode parecer estranho pensar em um álbum que traga todas essas influências, mas o Scott faz isso parecer normal e fácil de se fazer. "The Bad Testament" é bem sucedido ao misturar todas essas influências musicais, sendo que o Blues e o Country são as mais frequentes. No quesito composições, o Scott mantém sua tradição de falar com muita propriedade sobre o pecado e a salvação.  O Scott continua intenso, emotivo, genuíno e honesto em suas canções. Mais sujo do que nunca!
Valerie June - The Order of Time: A Valerie June é um fenômeno, ela conseguiu alcançar um público mais amplo fazendo um som que, normalmente, agradaria um público bem restrito. Hoje as músicas dela tem milhares de plays nas plataformas de streaming, seu rosto estampa as capas das principais revistas especializadas em música e ela toca nos principais festivais dos EUA. Misturar Country, Folk, Blues e Gospel não é algo novo, milhares de músicos já fizeram isso, mas a Valerie conseguiu se distinguir dos demais, seja por sua voz estridente ou pelo seu estilo marcante. "The Order of Time" vai evoluindo com o passar do tempo, é um daqueles álbuns que só melhoram a cada audição. A produção é cuidadosa, uma marca registrada do produtor Dan Auerbach (The Black Keys), as composições amor, autoconfiança e espiritualidade, e as melodias simples.

Reverend Peyton's Big Damn Band - Front Porch Sessions: Para os fãs de longa data do Reverend, "The Front Porch Sessions" é tudo aquilo que esperamos de um álbum dele: simples e com muito, muito Coiuntry-Blues. O álbum foi gravado em um estúdio chamado Farm Fresh, na mesma rua da casa do Reverend. O álbum não tem uma mega produção, é tudo acústico. Além da bela instrumentação, o destaque é o Reverend Peyton e seu vocal singular, o cara manda bem demais.
Lindi Ortega - Til The Goin' Gets Gone: Para quem acompanha a carreira da Lindi Ortega a alguns anos, que é meu caso, está acostumado com músicas melancólicas, mas em "Til The Goin' Gets Gone" ela foi mais longe e lançou seu trabalho mais sombrio. A Lindi Ortega disse em algumas entrevistas que cogitou abandonar sua carreira, mas, felizmente, o fogo reacendeu e as composições surgiram aos poucos. "Til The Goin' Gets Gone" é o fruto desse renascimento e aborda as dificuldades que um artista passa para tentar sobreviver em um meio tão injusto. Outra trabalho fenomenal, assim como os quatro álbuns que o antecedem. 
Breaking Grass - Warning Signs: O som que escutamos em "Warning Signs", quarto álbum de estúdio da Breaking Grass, não chega a ser tradicional e nem newgrass, é uma mescla de ambos com pequenas doses de Country. Composta por Cody Farrar na guitarra; Tyler White no violino; Jody Elmore no banjo; Zach Wooten no mandolin; e Britt Sheffield no baixo, a Breaking Grass conseguiu lançar um material sem falhas, são doze canções de altíssimos nível, foi até difícil escolher uma música para ir para minha playlist. Apesar de já ter lançado quatro álbuns de estúdio, a Breaking Grass ainda é uma banda nova e tem muito a evoluir. Vamos ficar de olho.
Jaime Wyatt - Felony Blues: Aos 17 anos de idade, a Jaime Wyatt assinou um contrato de gravação, mas logo foi desfeito. Após o fracasso inicial, a cantora caiu no mundo das drogas e acabou cometendo alguns crimes. Jaime foi presa por roubar seu traficante de droga e ficou presa na Califórnia por oito meses. Assim como fez Merle Haggard e David Allan Coe, a Jaime decidiu iniciar sua carreira na Country Music, não só por amos ao estilo, mas também pela falta de oportunidades. Ela não escolheu o estilo, a Country Music a encontrou por aí. "Felony Blues" é um álbum autobiográfico e nele a Jaime fala um pouco da sua vida na prisão ("Wasco" e "Stone Hotel") e de amor em "Yout Loving Saves Me". O álbum se encerra com "Misery and Gin", clássico gravado pelo Merle Haggard e que doi sugerido a Jaime pelo compositor original, John Durrill. "Felony Blues" mostra o potencial da Jaime Wyatt, não é um álbum que vai explodir sua cabeça de tão bom, mas mostra que temos mais uma promessa no pedaço. Jaime Wyatt, não se esqueçam desse nome!

Dead Bronco - Bedridden & Hellbound: A Dead Bronco é uma banda de Country Rock que um americano, o vocalista Matt Horan, formou na Espanha. Os Broncos são bem populares na Espanha e excursionam pela Europa com frequência. "Bedridden & Hellbound" é seu terceiro álbum de estúdio e a banda continua com seu Country cheio de influências do Punk. Eu nunca fui um fã de Punk, mas é impressionante como esse estilo casa tão bem com o Country, parece que foram feitos um para o outro. Aqui no Brasil ainda existem poucas bandas nessa linha, mas parece que na Europa é uma febre.
Eric Gales - Middle of the Road: Como muitos de sua geração, Gales teve problemas com drogas e chegou a ser preso em 2009 por porte ilegal de drogas e armas. "Infelizmente você tem que passar por algumas coisas para ser livre", disse Gales. "Você tem que se ajudar, uma vez que você pode ajudar a si mesmo, você pode realmente ajudar alguém." "Middle of the Road" é sobre isso, é um álbum de redenção e renascimento, e o Eric Gales está melhor do que nunca. Gales continua o mesmo guitarrista fenomenal, um dos melhores quando o assunto é unir Blues Rock e Funk, mas agora ele está mais centrado na sua vida, na sua carreira, ele não quer voltar a ter os problemas do passado. Que ele continue totalmente centrado, no meio da estrada.
Alison Kraus - Windy City: "Windy City" não é um álbum autoral, mas é seu álbum mais Country até o momento. Para os fãs de Country tradicional como eu, "Windy City" é um espetáculo, é felicidade do inicio ao fim. É difícil apontar um destaque, o álbum todo é muito igual, mas escutem "Dream of Me" com muita atenção. A voz da Alison se encaixou perfeitamente nessa faixa e as guitarras irão arrepiar qualquer fã de Country. "Windy City" é só mais um grande álbum da Alison Krauss e um forte candidato a ganhar mais alguns Grammys ano que vem. Como disse o Mark Deming do AllMusic, "resta saber se a 'Windy City' é um breve desvio criativo para Alison Krauss ou a primeira salva de uma nova direção criativa. Mas se Krauss quer ser a nova voz do Countrypolitan, 'Windy City' não deixa dúvidas de que ela tem o talento e a inteligência para fazê-lo funcionar, e este álbum é uma experiência ricamente gratificante."

Banda de Um - Arbitrium: O Folk se espalhou pelo país e ótimas bandas tem surgido por todo território nacional e o nome da vez é a Banda de Um, lá de Roraima. "Arbitrium" é a estréia da banda e está repleto de destaques. Logo de cara a voz do Gleyson Vaz (voz e violão) chama a atenção do ouvinte, uma voz suave que se encaixa como uma luva nas composições da banda, que é outro destaque. "Arbitrium" em latim significa escolhas e destaca o conceito do disco que aborda as escolhas que as pessoas adotam em suas vidas. Por ser ateu, sempre acho que não vou me conectar com canções que falam sobre fé, mas sempre acabo interpretando as composições de outra forma, gosto de abusar da minha subjetividade.

Menções honrosas: 

Ags Connolly - Nothin' Unexpected
AJ Hobbs - Too Much is Never Enough
Casey James Prestwood - Born Too Late
Gary Clark Jr. - Live North America 2016:
Mercy John - This Ain't New York
Mescalines - Ao Vivo no Estúdio Show Livre
Tedeschi Trucks Band - Live from the Fox Oakland
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