Sweetheart of the Rodeo: as origens do Country Rock


Como é óbvio, um gênero musical não nasce sozinho, nem mesmo dois gêneros musicais se fundem ao acaso. Se você pesquisar, vai achar nomes e mais nomes, alguns vão citar inclusive o ex-guitarrista dos Monkees, Michael Nesmith como o pai da criança.

Eu não posso dizer que considerar Nesmith um precursor esteja errado, mas enquanto Nesmith ainda era astro de série de TV e colocava algumas leves pitadas de Country no Rock dos Monkees, já havia uma "dupla" levando essa mistura muito mais além.

Bob Dylan e os Byrds, assim que começaram a fazer sucesso com o Folk Rock em meados anos 60 com a clássica canção "Mr. Tambourine Man", já davam ali passos importantes para entrar de cabeça no estilo Country. Dylan com as letras, os Byrds com a música. 

Tudo começou por volta de 1961 com um duo folk chamado Jet Set, que contava com Roger McGuinn e Gene Clark. Logo a dupla virou trio com a entrada de David Crosby e mais tarde, com influência da invasão britânica, resolveram eletrificar o som e viraram um quinteto, mudando o nome finalmente para Byrds. A formação original contava com Roger McGuinn na guitarra solo e principal vocalista; Gene Clark nos backing vocals, vocal em algumas músicas, guitarra base, gaita e pandeireta; David Crosby na guitarra base e vocais; Chris Hillman no baixo e Michael Clarke  na bateria. 

Depois de 5 discos de sucesso, a parceria com Dylan consolidada, shows com os Beatles e outras grandes bandas da época, alguns problemas de relacionamento diminuíram a banda a uma dupla novamente, desta vez Roger McGuinn e Chris Hillman apenas. Foi neste momento que McGuinn resolveu deixar o Rock de lado um pouco (e todas as derivações da época como psicodelia). Ele e Hillman recrutaram Kevin Kelley para as baquetas e um jovem guitarrista e vocalista chamado Gram Parsons, que até então fazia parte da nova e ainda pequena banda chamada International Submarine Band. 

Roger "Jim" McGuinn, Kevin Kelley, Gram Parsons e Chris Hillman
A nova formação liderada agora 100% por McGuinn, entrou em estúdio em março de 1968 para gravar um novo disco. O que chamou a atenção desta vez é que a banda não escolheu nenhum estúdio em Hollywood, mas sim em Nashville! E ali, fora do mundo aonde estavam acostumados a estar, a banda concebia um disco que apesar do baixo sucesso comercial, em pouco tempo tornou-se um divisor de águas. "Sweetheart of the Rodeo" foi lançado em 30 de agosto de 1968 e deixou de boca aberta quem o ouvia. Pela primeira vez uma banda de Rock ousava gravar um disco inteiro de Country. 

O disco não foi bem recebido em Nashville e nem em Los Angeles. No sul e meio oeste o público Country não aceitava que um "bando de hippies cabeludos" tocasse o seu estilo musical favorito, na Califórnia ou mesmo em Nova Iorque, o público jovem não entendeu porque em plena revolução contra cultural a banda tomara um caminho musical tão "retrógrado". Mas essas primeiras impressões negativas e o baixo sucesso comercial do disco não impediram que, quase imediatamente, ele se tornasse influência para 4 em 5 bandas que surgiam na época. De Creedence Clearwater Revival até The Band, Eagles e Linda Ronstadt, passando por monstros como Rolling Stones, muita gente bebeu um pouco ou muito desta fonte. 

Logo após o lançamento do disco, esta segunda formação dos Byrds se dissolveu. Gram Parsons saiu antes mesmo do lançamento por brigas com McGuinn, este por sua vez cortou inúmeras participações de Parsons no disco, regravando inclusive linhas vocais. Chris Hillman saiu logo em seguida para juntar-se a Parsons e formar o Flying Burrito Brothers, banda essencial pra quem gosta de Country Rock também. Roger McGuinn por sua vez não desistiu dos Byrds, recrutou Clarence White (ex- Kentucky Colonels) para a guitarra, Gene Person para a bateria e o baixista John York (ex- The Mammas and the Pappas). 

Com esta nova formação, McGuinn prosseguiu gravando discos de Country Rock, com pitadas de Blues, psicodelia e virtuosismo. A última mudança na formação da banda foi a entrada do veterano baixista Skip Batin no lugar de York. Esta fase da banda fez menos sucesso comercial se comparado aos primeiros discos com a formação original, mas sem dúvidas, tecnicamente foi a melhor formação da banda e os discos são ótimos pra quem gosta e quer entender mais sobre o começo da fusão entre os dois estilos. 

Em CD, "Sweetheart of The Rodeo" pode ser encontrado em versão dupla que contém as versões gravadas por Gram Parsons e que foram limadas da versão lançada por McGuinn. Além de "Sweetheart of The Rodeo", os discos: "Dr. Byrds and Mr. Hyde", "Ballad of Easy Rider", "Untitled", "Farther Along" e o auto intitulado "Byrds" (este com a formação original completa de volta) podem ser interessantes, embora não sejam puramente Country mas sim uma mescla de Country, Rock, Blues e Psicodelia.


bruno.png
Rafael Cafarchio-Batista tem 33 anos, é designer gráfico, nascido no grande ABC, mas morador do interior paulista. Fã de Rock clássico, country, folk, blues e tudo mais de bom que a música pode proporcionar.
Tecnologia do Blogger.