Melhores álbuns que escutei em fevereiro de 2017


Como faço todos os meses, vamos a mais uma lista com os melhores álbuns que escutei no último mês. Os álbuns que escuto, na maioria das vezes, não foram lançados no mês que escuto, não consigo escutar todos os álbuns lançados no mês ou conheço o álbum bem depois dele ter sido lançado. As minhas listas sempre são compostas, em sua maioria, por lançamentos de bandas pouco conhecidas, mas sempre tento trazer alguns nomes mais conhecidos do grande público.


Melhores faixas que escutei em janeiro: "Love Do What It Do" (Robert Randolph & The Family Band), "If It Wasn't the Rain" (The Bankesters), "Ténéré Tàqqàl" (Tinariwen), "Just One Question" (Aaron Keylock), "Highway Queen" (Nikki Lane), "Talk to Me" (Noahs) e "Like Knives" (The Lucywood).

Melhores álbuns que escutei em fevereiro:

Tinariwen - ElwanOs músicos da Tinariwen hoje podem ser considerados refugiados e utilizam sua influência para falar da situação da sua terra natal, o Mali. "O Tenere tornou-se uma planície de espinhos onde os elefantes lutam uns contra os outros, esmagando a grama macia sob os pés", canta Ibrahim Ag Alhabib em "Tenere Taqqal", lamentando o fato de sua terra natal ter se tornado um campo de batalha para lutas entre diferentes facções do seu povo. Ao mesmo tempo que lamentam a situação, a banda critíca seu povo em "Imidiwan N-Akall-In""Meu povo abandonou seus caminhos ancestrais, tudo o que resta é uma terra gemendo cheia de pessoas idosas e crianças. Oh, meus irmãos! Vocês estão no caminho errado". Esse álbum é bem mais pessimista que seus antecessores e além das críticas já citadas, a banda fala da vida no deserto, na necessidade de água, o bem mais precioso naquele canto do mundo, da amizade e lealdade, do abandono da alegria e da situação dos idosos e das crianças. Como li em um comentário, "este é o verdadeiro Blues do deserto"Esse é o segundo álbum da banda no exílio e eles fazem questão de mostrar como isso os entristece, mas existe esperança, eles ainda não desistiram do seu maior sonho, que é explicitado em "Ittus""Eu lhe pergunto, qual é o nosso objetivo? É a unidade da nossa nação".

Robert Randolph & The Family Band - Got Soul: Anos atrás o Robert Randolph me mostrou que a guitarra pedal steel existe fora da Country Music. Randolph sempre gravitou entre o Blues, Soul, Funk e Gospel, muitas vezes sendo classificada como uma jam band, que é a classificação mais justa. Se duvida disso, basta escutar "Got Soul", seu quinto álbum de estúdio. Para os fãs de jam bands, "Got Soul" é um presente dos deuses. O álbum está repleto de riffs estonteantes, o som do órgão é constante, a percussão está em um nível altíssimo e os vocais preenchem perfeitamente os espaços em que os instrumentistas não brilham. Não sei apontar falhas de um álbum como esse. Apenas aperte o play e aproveite cada segundo de "Got Soul", um dos fortes candidatos a álbum do ano.

Aaron Keylock - Cut Against The Grain: Admito que tive preguiça de escutar esse álbum, fiquei com medo de escutar mais um músico fabricado pela indústria da música e que tem uma curta validade, mas estava enganado. Ao invés de escutar o álbum da forma tradicional, primeira até a última faixa, resolvi clicar no aleatório do Spotify e fui agraciado com "Just One Question", que me arrepiou ao longo de seus mais de seis minutos de duração. O Aaron Keylock é muito influenciado pelo Southern Rock e é óbvio que o estilo está presente em sua estreia. "Medicine Man", "Falling Again" e "Sun's Gonna Shine" são as faixas mais Southern Rock do álbum e, pelo incrível que pareça, estão entre as melhores do debut. "Cut Against The Grain" superou todas as minhas expectativas, impossível estrear melhor. Uma nova geração de grandes guitarristas está surgindo, temos o Marcus King, o Quinn Sullivan e agora o Aaron Keylock. Guardem esse nome.

Nikki Lane - Highway QueenA Nikki Lane é uma das artistas mais elogiadas da sua geração e não faltam motivos. Ela tem uma voz difícil de se confundir, escreve muito bem e tem muita, muita atitude. Em seu novo lançamento, "Highway Queen", ela participou da composição de todas as canções (seis sozinha e quatro acompanhada) e conseguiu gravar um álbum Country com muitas influências do Rock e do Pop sem soar forçado. A Nikki deixou de ser uma promessa a muito tempo, hoje ela é uma das vocalistas/compositoras mais importantes da Country Music e "Highway Queen" é aprova disso. A discografia dela é curta, mas muito sólida, não tem erros. É visível a evolução dela sua estreia, "Walk of Shame", e tenho certeza que essa evolução não para por aqui. "Highway Queen" é seu melhor álbum até aqui e a Nikki Lane é uma estrela em constante ascensão.
Split Lip Rayfield - On My WayO trio Split Lip Rayfield está de volta após longos oito anos sem lançar nenhum material inédito. "On My Way" é o sexto álbum de estúdio de uma das bandas mais influentes do chamado "thrashgrass", mesmo sabendo que outras bandas faziam um som parecido antes deles, muitos dizem que os caras da Split Lip Rayfield inventaram o "thrashgrass". Os três membros da banda dominam seus instrumentos com perfeição, o Eric Mardis é um banjoísta incrível, o mandolinista Wayne Gottstine não fica muito atrás e o baixista Jeff Eaton destrói com seu baixo de uma corda construído à mão. A energia desses caras é incrível, imagino como deve ser escutar músicas como "Deck of Many Things", "That's My Girl" e "On My Way" ao vivo, sem dúvidas deve ser incrível.

The Bankesters - NightbirdNa estrada desde 2004 e lançando seu sexto álbum de estúdio, a The Bankesters é mais uma banda familiar de Bluegrass. Phil Bankester (violão, vocais), suas três filhas, Alysha Bankester (mandolin, fiddle, vocais), Emily Bankester (fiddle, banjo, vocais) e Melissa Triplett (baixo, vocais), seu genro Kyle Triplett (banjo, dobro, mandolin, violão) formam uma das bandas de Bluegrass mais agradáveis de se escutar. "Nightbird" não decepcionou, é só mais um álbum de Bluegrass muito bom e a The Bankesters é mais uma banda com vocalistas extremamente competentes.


NOAHS - Rise: Os catarinenses da NOAHS não são novos na cena folk nacional, estão na ativa desde 2014, mas só fui conhecer eles no final de 2016, mais exatamente no período de pesquisas que antecedeu o lançamento da playlist +100 bandas brasileiras que você deve escutar. A faixa "Catching Stars", lançada no EP "Cedar & Fire", é uma das melhores canções Made in Brazil que já escutei. Assim como na sua estreia, o Folk que aqui é mais moderno, mas não deixa de ser maravilhoso. O ponto alto do EP é a belíssima "Talk To Me", mas não achem que existe um ponto baixo no EP, essa faixa só está um nível acima das outras quatro ótimas faixas. A NOAHS está no caminho certo para ser o grande nome do Folk nacional nos próximos anos.

Daniel Meade - Shooting Stars and Tiny Tears: O escocês Daniel Meade é um dos músicos mais interessantes da atualidade e um dos mais subestimados. Em "Shooting Stars and Tiny Tears" o músico cuidou de todos os detalhes, escreveu todas as faixas, produziu e tocou todos os instrumentos do álbum, criou a capa, cuidou da fabricação e fez o marketing, um verdadeiro álbum solo. Além de ter feito tudo isso, Meade teve a ideia de escrever cada canção em uma hora e gravar a canção com quatro horas, tudo para ver o que ele poderia criar com essa limitação. O resultado? Um grande álbum, mais uma prova do talento desse ótimo cantor e compositor que mistura Country e Folk como poucos na atualidade. Escutem sem medo.

Otis Taylor - Fantasizing About Being Black: Em seu novo álbum, Otis Taylor  fala sobre a experiência afro-americana na América dos navios negreiros aos tempos mais recentes. Não espere escutar um Blues tradicional nos álbuns do Otis Taylor, ele não é um músico convencional, sempre está explorando novas sonoridades. Musicalmente, Taylor produziu um som que se baseia na cultura afro-americana, experimentou o banjo e violino, instrumentos tocados pelos escravos nas plantações do sul dos EUA. A intenção do músico era incluir a riqueza dos primeiros sons africanos ao longo do disco, objetivo alcançado com sucesso. O Otis disse que seu novo álbum é sobre "os diferentes níveis de racismo na experiência afro-americana que, infelizmente, ainda estão conosco hoje. A história dos afro-americanos é a história da América". Esse é um tema cada dia mais em voga e não deve ser deixado de lado. "Fantasizing About Being Black" é honesto e foi criado para fazer os ouvintes pensarem, ele é provocativo e foi lançado em um momento muito oportuno. Não deixem de escutar esse álbum.

The Lucywood - The Lucywood: O duo é formado pelo casal gaúcho Fernanda Cassel e Rodrigo Scopel e está na ativa desde 2014. Tudo começou como uma brincadeira, eles gravavam vídeos com covers de seus ídolos e postavam nas redes sociais. No começo os vídeos repercutiam entre familiares e amigos, mas, com o tempo, os vídeos foram se tornando populares e a coisa ficou séria. É impossível não notar a influência de bandas como Avett Brothers e Mumford & Sons, que aparece com muita força em "Like Knives", faixa de abertura do EP, e em "The Reader". Mas as influências do duo não se limitam ao Folk, o Pop Sia está entre as principais influências do casal. "The Lucywood" foi uma grande surpresa para mim, não conhecia o trabalho da dupla e fiquei bastante impressionado com a qualidade da gravação, dos arranjos e dos vocais da dupla. Que o casal se mantenha unido por muito tempo e que continuem nos presenteando com mais músicas como essas.

Four de Reis - Uma História por um Cigarro: Do longínquo estado do Tocantins, mais exatamente de Palmas, vem a Four de Reis, banda que mistura influências do Blues, Rock e Country em suas canções. Em "Uma História por um Cigarro", seu segundo EP, a Four de Reis mudou demais sua sonoridade e a temática de suas canções. As faixas são mais obscuras, negativas e todas cantadas em português. A novidade do EP é o Country nas faixas "O Fumo, O Ópio e a Cachaça" e "Bar". Quando escutei o EP pela primeira vez, estava conversando com o Julio Bigeli, um dos membros da banda, e disse que tinha sido surpreendido com o Country nas canções. Adoro ser surpreendido. Tenho acompanhado a evolução da Four de Reis nos últimos anos e estou gostando do caminho que a banda resolveu escolher.

Zumpiattes - Margens: A Zumpiattes é uma novata na cena Folk nacional e já estreou em alto nível. O Folk tocado em "Margens" é uma mistura do tradicional com o alternativo, uma mistura bem interessante. É difícil acreditar que a banda foi formada em 2016, a sonoridade e as composições me fizeram pensar que essa é uma banda com anos de estrada. A cena Folk brasileira não para de revelar ótimas bandas e a Zumpiattes promete ser um dos nomes de destaque em 2017.


Son Volt - Notes of Blue: É sempre gratificante escutar novos lançamentos de bandas como a Son Volt, é impossível saber o que estilo iremos escutar. Ao longo dos anos a banda tem sido classificada como Alt-Country, Americana, Country Rock e Indie Rock, vários elementos desses estilos aparecem, mas em "Notes of Blue" o Blues é o destaque. Como o título sugere, "Notes of Blue" é inspirado no Blues e tem muitas influências de lendas como Mississippi Fred McDowell e Charley Patton. nem sempre essa influência é facilmente percebida, mas ela está por todo o álbum. "Cherokee St.", "Static" e "Lost Souls" são bons exemplos. "Notes of Blue" não é o melhor álbum da Son Volt, bem clichê em diversos momentos, mas é um dos mais diversificados que a banda já lançou e tem bons momentos.

Elvin Bishop - Big Fun Trio: Na ativa desde 1963, o Elvin Bishop é um bluesman de mão cheia, não é à toa que está no Rock And Roll Hall of Fame e no Blues Hall of Fame. Em "Big Fun Trio", seu vigésimo álbum, o californiano parece estar melhor que nunca, um dos melhores que ele lançou nos últimos anos. Acompanhado pelo baixista Bob Welsh Jr. e o renomado baterista Willy Jordan, o trio realmente me divertiu ao longo das doze faixas que compõem o álbum, eles estão em perfeita sintonia e bandas em total sintonia sempre gravam grandes álbuns, que é o caso de "Big Fun Trio"O Elvin Bishop se encaixa perfeitamente na categoria de músicos que estão se divertindo, não existe pressão, ele só quer se divertir fazendo o que mais ama e nos divertir.

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