Melhores álbuns que escutei em janeiro de 2017

The Show Ponies

Como faço todos os meses, vamos a mais uma lista com os melhores álbuns que escutei no último mês. Os álbuns que escuto, na maioria das vezes, não foram lançados no mês que escuto, não consigo escutar todos os álbuns lançados no mês ou conheço o álbum bem depois dele ter sido lançado. As minhas listas sempre são compostas, em sua maioria, por lançamentos de bandas pouco conhecidas, mas sempre tento trazer alguns nomes mais conhecidos do grande público.


Melhores faixas que escutei em janeiro: "Kalamazoo" (The Show Ponies), "Grand Restortion" (Natalie Hemby), "The Same" (Saints Eleven), "Wide Awake" (Otis Gibbs) e "Gravity" (The Ingamous Stringdusters).

Melhores álbuns que escutei em janeiro:

The Show Ponies - How It All Goes Down: Em "How It All Goes Down", segundo álbum da banda, as influências do Country e, principalmente, do Bluegrass são facilmente notadas. Logo na primeira faixa, "The Time It Takes", já escutamos as influências citadas. A alternância do Clayton Chaney e da Andi Carder nos vocais é uma constante muito agradável, ambas as vozes são belíssimas. Outro detalhe que me chamou a atenção é a tendência que a banda tem em fazer jams, pequenas, mas notáveis. Várias canções dão brechas para improvisações ao vivo e devem ficar sensacionais. A linda "Kalamazoo" é uma dessas faixas que ao vivo devem abrir espaço para uma bela jam. É difícil apontar destaques nesse álbum, cada uma das 13 faixas tem brilho próprio e devem ser escutadas com muito carinho. Dê uma chance para a banda, não ligue para o rótulo Indie-Folk, ao contrário da maioria das bandas desse estilo, The Show Ponies tem muita qualidade e um grande futuro.

Natalie Hemby - Puxico: Nos últimos anos, muitos compositores de sucesso decidiram apostar em uma carreira solo, Chris Stapleton e Lori McKenna são alguns exemplos. Agora é a vez da Natalie Hemby iniciar sua carreira. O título do álbum, "Puxico", não foi escolhido aleatoriamente, esse é o nome da sua cidade natal, localizada nos estado do Missouri. Assim como foi o álbum da Brandy Clark e do BJ Barham, "Puxico" retrata como é a vida em uma pequena cidade do interior americano. Natalie fala dos seus lugares favoritos, do povo e das suas histórias, fazendo desse um álbum extremamente pessoal e que não foi feito para ser ter suas composições regravadas por outros.

Ottis Gibbs - Mount Renraw: O Otis Gibbs é um genuíno folksinger, ele não liga para os estilos modernos e não quer inovar, só quer cantar suas histórias. Ele não precisou de muito para "Mount Renraw". O estúdio também é sua sala de estar e só precisou de uma guitarra acústica, um violino e sua voz bastante emotiva. O álbum tem pouco mais de meia hora, passa rápido, tão rápido que quando você percebe, já está escutando novamente. Esse álbum merece ser escutado em um lugar calmo, sem todos esses sons que uma grande cidade gera, só assim ele pode ser apreciado por completo.
The Infamous Stringdusters - Gravity: Essa é uma banda de Progressive Bluegrass, ou seja, são bem virtuosos e suas canções sempre tem muito espaço para que todos os membros mostrem seus talentos, algo que não poderia deixar de acontecer em "Laws of Gravity", mas algo está diferente. As faixas falam de liberdade, a importância da união e de apreciar nossos lares e as coisas que nos fundamentam. "Laws of Gravity", ao contrário da maioria dos álbuns da banda, não desbrava novas sonoridades, o que não é ruim. A banda já expandiu demais seus horizontes ao longo da sua carreira, é justo que eles aprimorem essa sonoridade que demorou tanto para ser criada.
Ronnie Baker Brooks - Times Have Changed: Artistas como o Ronnie Baker Brooks me encantam por não ficarem presos a um único estilo. Aqui podemos escutar um pouco da vibe dos tempos da Motown e Stax, do Funk, Hip-hop e muito Blues de Chicago. Não é fácil para um guitarrista transitar por tantos estilos e ainda assim ser bom em todos, por isso o Ronnie merece todos os elogios possíveis. Não suporto a introdução do Hip-hop nos estilos que gosto, mas abro uma exceção na faixa-título. Misturar o Blues e o Hip-hop não me soou um sacrilégio como acontece no Country, pelo contrário, fez dessa a minha faixa preferida do álbum.
Whitney Rose - South Texas Suite: Gravado em dois dias, "South Texas Suite" é curto, mas não decepciona em momento algum. A voz da Whitney continua pura como sempre, a grande diferença aqui é na parte instrumental. Ela contou com uma banda repleta de astros, teve o Redd Volkaert (guitarrista do Merle Haggard e vencedor de um Grammy), Earl Poole Ball (músico de turnê do Johnny Cash por mais de 20 anos), Kevin Smith (baixista do Willie Nelson) e Tom Lewis (baterista da The Mavericks). A Whitney Rose é uma vocalista em ascensão, mais cedo ou mais tarde as pessoas irão prestar mais atenção no seu trabalho.

Saints Eleven - Coming Back Around: O violino é uma constante no álbum e me fez lembrar da Turnpike Troubadours, banda que utiliza o violino com maestria em suas canções. Os temas das canções são bem variadas, do amor a redenção, temas bem comuns. Individualmente, o vocalista Jeff Grossman é o destaque, a voz dele é perfeita para o estilo, mas a parte instrumental é o que realmente chama a atenção no álbum. Se você, assim como eu, não conhece muito bem a Saints Eleven, "Coming Back Around" é um ótimo álbum para iniciar sua jornada pela pequena discografia da banda. 

Alexandre da Mata & the Black Dogs - All Them Reasons: O Blues Rock é o estilo predominante no álbum, mas o Rock aparece em diversos momentos. O Alexandre, assim como os músicos da banda (o vocalista Junio Gomes, a baixista Cinara Motta e o baterista Evaldo Rodrigues), é muito experiente e isso faz muita diferença no estúdio. Além do talento do guitarrista e de seus companheiros de banda, o álbum conta com a participação de músicos reconhecidos na cena nacional e internacional, como Leandro Ferrari, Auder Júnior,  Flávio Simões e a lenda Chris Slade, ex-baterista do AC/DC, que gravou a faixa "Big Love".

Dale Watson & Ray Benson - Dale & Ray: Foi fácil gostar desse álbum, Dale e Ray são tradicionalistas e nunca se renderam aos caprichos de Nashville. O álbum é repleto de humor e amor pelo estilo que tanto amamos, como pode ser escutado em "Feelin 'Haggard", que homenageia o Merle Haggard; em "Cryin' to Cryin' Time Again" a dupla fala do seu amor por Buck Owens; a curtinha "Bus' Breakdown" é repleta de humor; em "The Ballad of Dale & Ray", a dupla canta sobre seu amor pela Country Music, falam de Johnny Cash, Merle Haggard e Hank Williams. Nos covers, destaque para "I Wish You Knew" dos Louvin Brothers e "Write Your Own Songs" do Willie Nelson.

Lorenzo Tassinari - Maybe You Can Feel: O Lorenzo é um promissor guitarrista gaúcho e "Maybe You Can Feel" é seu primeiro álbum de estúdio. O álbum contém 10 faixas autorais, cantadas em português e inglês, e algumas já são conhecidas pelos seguidores do músico. Três faixas foram lançadas em 2014 no EP "Se eu soubesse", mas todas foram regravadas e percebi algumas mudanças na parte instrumental, principalmente em "Thank You", que tem mais jams de Jazz e um minuto a mais de duração. No geral, "Maybe You Can Feel" é um bom álbum. A parte instrumental é a grande atração, principalmente nas jams. Os vocais deixam a desejar em algumas faixas, mas isso é algo comum quando o músico não tem muita experiência.

Márcio Rocha - No Blues até os ossos: "No Blues até os Ossos" é o debut de um músico que se dedica ao Blues por mais de duas décadas, ensinando e difundindo o estilo, principalmente no interior paulista. O álbum é composto por 11 músicas cantadas em português e falam de temas bem comuns no Blues: o amor pelo gênero, decepções amorosas, sofrimento, sexo,  relacionamentos com mulheres casadas, entre outros. O Blues que escutamos aqui não é moderno, parece ter sido gravado muitas décadas atrás, uma tendência nos lançamentos da Blue Crawfish Records. 

John Mayall - Talk About That: O John Mayall pode não ser um bluesman muito conhecido da atualidade, o que é uma pena, mas é uma lenda viva do Blues, um dos britânicos que ajudaram a difundir o som do Delta pelo mundo. E aos 83 anos, Mayall conseguiu surpreender a todos, lançou um dos seus melhores álbuns. É impressionante como sua voz ainda é maravilhosa, o cara parece um garoto cantando! O instrumental dos álbuns do Mayall sempre são ótimos, mas a voz dele impressiona e rouba a cena, principalmente em "Talk About That" e "The Devil Must Be Lightning", as duas melhores faixas do álbum. "Talk About That" é um dos pontos altos da carreira do Mayall. O "Godfather of British Blues" ainda está muito vivo e não parece disposto a se render a idade.
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