49 anos da gravação de Live At Folsom Prison



Ele estava lutando contra as anfetaminas, seus álbuns não vendiam lá essas coisas, brigas com as filhas, divorciado e apaixonado loucamente pela June Carter. Não tenho duvidas que o Johnny Cash entrou no ano de 1968 como uma estrela em decadência. Mas ele tinha que dar a volta por cima sua alma precisava disso apesar de toda escuridão do momento. Ele sabia que podia virar o jogo e provar algo para si mesmo, porque a opinião dos outros não importava muito para o homem de preto. Mas onde a volta por cima na musica poderia ser? Um álbum ao vivo no lendário Ryman? Quem sabe no Madison Square Garden? Ou no Carnegie Hall e toda sua incandescência? Poderiam ser, mas o momento pedia outro local, pois o Johnny Cash queria sentir o calor da plateia correndo em suas veias, sentir o que realmente ele bradava em cânticos do cotidiano e da vida do homem americano.

Mas é claro que a Columbia bateu o pé quando ouviram a proposta vinda do Cash para o show ao vivo, quem iria comprar isso? Porque lá? A acústica do local é horrível! São pessoas perigosas, assassinos, ladrões, estupradores!

O Johnny Cash deu com os ombros.

Afinal ele é a estrela, estava em declínio na vida e musicalmente falando, porém ainda era a estrela. Ele já tinha visitado esse local com o "Tennessee Three" algumas vezes nos anos anteriores e sabia que o feeling com esse pessoal era ótimo. Cara, o Johnny Cash estava saindo de um inferno. Aquilo seria como um paraíso para ele. Dois shows. Foi o que a Columbia exigiu ao Homem, um realizado às 9:00 da manhã e o outro às 12:40 eles queriam editar o máximo possível para que o show saísse perfeito.

O palco era parecido com aqueles que fazemos as confraternizações de fim de ano, acima do dele havia dois policiais com metralhadoras apontadas para a plateia, nunca se sabe o que poderia rolar ali. O clima era tenso e os nervos a flor da pele, as letras faziam parte do dia a dia dos caras "Busted", "Dark as a Dungeon", "25 minutes to go", criticas ao sistema penitenciário americano... e numa escala, menor a diretoria da penitenciaria. "Folsom Prison Blues" poderia ser a biografia de muitos ali e levantou toda a plateia incendiando o local com o trecho "I shot a man in Reno just to watch him die".

Mas o momento mais interessante do show foi quando rolou "Greystone Chapel", uma música escrita por um detento que atendia pelo nome de Glen Sherley, a letra dessa canção foi entregue pelo reverendo da penitenciária ao Johnny Cash um dia antes no hotel, assim o Cash leu a letra e trabalhou nos arranjos para cantar na prisão, chegando lá, precisou de três tentativas para sair ok, pois o Homem de Preto não segurava a emoção. Foi com a voz surrada, com o violão desafinado e com a banda que não estava lá em seus melhores dias, e na desconfiança da gravadora e de muita gente que o Johnny Cash deu sua volta por cima. Ele estava envolto de incertezas e desconfianças. Entretanto quando a gente confia em si mesmo tudo sempre soará como a nossa alma planejou, basta apenas acreditar em si.

Não tenho dúvidas que o Johnny Cash moveu o mundo da música com o "Live At Folsom Prison", moveu porque ele moveu a ele mesmo... (Valeu Platão!)

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