Melhores álbuns que escutei em novembro de 2016

Drive-by Truckers

Como faço todos os meses, vamos a mais uma lista com os melhores álbuns que escutei no último mês. Os álbuns que escuto, na maioria das vezes, não foram lançados no mês que escuto, não consigo escutar todos os álbuns lançados no mês ou conheço o álbum bem depois dele ter sido lançado. As minhas listas sempre são compostas, em sua maioria, por lançamentos de bandas pouco conhecidas, mas sempre tento trazer alguns nomes mais conhecidos do grande público.

Vamos aos álbuns que escutei em agosto.

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Antes de escrever qualquer coisa, "American Band" não é um álbum para te deixar feliz, aqui a felicidade e o amor não tem espaço, esse é um álbum explicitamente político, uma resposta ao momento que os EUA vive. A Dive-by Truckers é uma banda do sul dos EUA que nunca deixou de criticar as atitudes ultrapassadas de alguns sulistas, eles veneram o sul, mas também fazem duras críticas. Em "American Band", a banda não instiga o ódio, eles estão preocupados e perplexos com tudo que tem acontecido. A banda não oferece respostas, ela faz perguntas certeiras que visam encorajar o debate. É esse tipo de música que precisamos, que nos faça refletir e sair um pouco da zona de conforto. Como disse o Stuart Henderson do Exclaim!, esse é "o álbum mais importante de Rock 'n' roll em 2016, também é, provavelmente, o álbum de Rock 'n' roll mais importante da última década. 'American Band' não deve ser dispensado".

A Volume Five vem ganhando cada dia mais espaço na cena Bluegrass, não só pelos seus instrumentistas virtuosos, mas principalmente pela química que esses caras criaram ao longo dos anos, o que faz de "Drifter" um álbum fácil de se gostar. Tudo nesse álbum é agradável, não existe uma faixa ruim, o que faz desse o álbum do ano e o melhor álbum da Volume Five até aqui. Esse é o trabalho que a banda precisava para, finalmente, ser notada por um maior número de fãs de Bluegrass.

Ao longo de sua carreira, o Cody Jinks transitou pelo Alt-Country, Country Rock, Country tradicional e, de vez em quando, adiciona algo do Southern Rock em suas canções. O diferencial dele não é a sua voz ou a instrumentação de suas músicas, suas composições sempre foram o destaque. Em "I'm Not the Devil", Jinks fala do vem vs mal, deus vs diabo, da certeza vs imprevisibilidade dolorosa e um pouco de amor. Ele é brutalmente honesto nas suas composições, não tem medo de se abrir. Li em uma entrevista que ele não pretendia que os temas do álbum fossem tão obscuros, mas aconteceu. É de caras como o Cody Jinks que a Country Music precisa, um ótimo compositor e interprete, um cara que faz o que gosta. Não precisamos de músicos fabricados pelas gravadoras, precisamos dos honestos e, para a nossa sorte, eles tem surgido com uma frequência muito boa nos últimos anos.

"Heart of a Flatland Boy", debut do Erik Dylan, apesar de ter um som muito parecido com o da American Aquarium e outras bandas da sua região, não cai na mesmice e consegue se diferenciar dos demais. Assim como muitos compositores, Dylan começou gravando para artistas como Kip Moore e Justin Moore e resolveu iniciar sua própria jornada no mundo da música. Boa parte das canções de "Heart of a Flatland Boy" são co-escritas pelo Dylan e falam de temas bem comuns do cotidiano. Um bom exemplo é "Fishing Alone", uma música bem triste, mas que nos faz pensar na forma como nos relacionamos com nossa família.

"Take It on Faith", novo álbum Rossington (Gary e Dale), expressa a fé do casal em cada uma das canções, esse é o foco do álbum. Gary não decepciona nas guitarras, ele parece não querer se entregar a idade e a todos os problemas que surgem ao longo dos anos, ele quer fazer aquilo que ama, música. A Dale tem uma voz maravilhosa, ela deveria ter se dedicado a uma carreira solo, tenho certeza que teria lançado alguns bons trabalhos. O álbum é uma mescla de Blues, Country e Southern Rock, ou seja, é tudo que amamos.

A Kristin Scott-Benson, um nome não tão conhecido pelo grande público, é uma das melhores banjoístas da atualidade e "Stringworks" é uma prova disso. O álbum que, em boa parte, é instrumental e repleto de grandes performances da Kristin, mostra toda a habilidade da instrumentista. Não é fácil escutar álbuns com muitos solos, mas os 37 minutos de "Stringworks" passam muito rápido.

A Mandolin Orange está de volta com "Blindfaller", agora como uma banda completa, o som se expandiu e alcançou um outro nível, não é mais 100% acústica, mas não abandonou o que eles fazem de melhor. "Blindfaller" mantém a qualidade da discografia da Mandolin Orange, a mudança não atrapalhou e parece não ter desagradado os fãs mais antigos. Esse é um álbum para ativar o repeat.

Com mais de 50 anos de carreira, o Bobby Rush pode não ter conquistado a fama que merece, mas conseguiu criar um estilo próprio e um público fiel. Poucos conseguiram misturar tão bem Blues, Soul e Funk em suas canções como o Bobby Rush, ele é um mestre nessa arte. "Porcupine Meat" é mais lento que a maioria dos seus álbuns e melhor também. Muitos críticos dizem que o Bobby Rush é o maior bluesman em atividade, não concordava com essa opinião até esse álbum, que é um dos melhores lançados nos últimos anos.

Assim como todas as bandas que vem da Big Easy, o som da Honey Island Swamp é uma mistura de Rock, Soul, Blues e Country de extrema qualidade, até lembra gigantes como Allman Brothers, Little Feat e The Band. O Southern Rock está presente no álbum todo, principalmente por causa das guitarras, é Southern Rock puro. "Demolition Day" como um todo é muito bom, um dos melhores do ano.

Em "Dust & Bones", o Gary Hoey faz uma viagem pelas diversas vertentes do Blues. Tem um pouco de ZZ Top em "Born To Love You", onde Gary emula a voz do Billy Gibbons; o slide aparece em "Steamroller", uma homenagem ao Johnny Winter; e o Jump Blues pode ser escutado em "Who's Your Daddy". Li algumas entrevistas do Gary e ele está tentando fazer coisas diferentes e quer testar seus limites. Acho que ele deve estar feliz com "Dust & Bones", ele conseguiu misturar todos os estilos de guitarra que gosta e criou músicas excelentes.

Volume Five

The Wallcotts, que faz uma mistura Country, Blues, Folk, Gospel e Jazz muito interessante. A forma como a banda faz a mistura desses estilos é encantadora e a variedade de instrumentos é o grande diferencial desse quarteto, que em estúdio e ao vivo pode ter até nove membros. The Walcotts faz um som complexo e muito interessante, principalmente pela variedade de instrumentos, e "Let Me Devil Win" é uma estreia animadora.

"If You Lived Here, You Would Be Home by Now" é só mais um grande trabalho da Chris Robinson Brotherhood, nada de novo. Em sua carreira solo, Chris não tem se focado em um estilo, cada álbum da Brotherhood é uma viagem pelas influências do vocalista, ou seja, você vai encontrar Blues Rock, Psychedelic Rock, Southern Rock, Jam Rock e, a novidade, Country (não me lembro dele ter feito algo com referências ao estilo em sua recente carreira solo). Chegou a hora de parar de pensar em Black Crowes e curtir o momento extremamente criativo dos irmãos Robinson.

A Sugar Ray & The Bluetones faz um Blues anterior ao surgimento do Rock, como gosto de dizer, o Blues puro. O Sugar Ray é um dos grandes vocalistas do Blues na atualidade, Mike Welch é um monstro na guitarra e o Anthony Geraci é um pianista espetacular, ele aparece o álbum inteiro e faz toda diferença na sonoridade do álbum. "Seeing is Believing" tem ótimos momentos, principalmente nos solos.

Em "Fall Away Blues", o duo Red Tail Ring, composto pela Laurel Premo e Michael Beauchamp, que faz uma combinação de músicas tradicionais reinterpretadas e originais que parecem bem tradicionais. O som do duo é uma mistura de Folk, Americana e ritmos tradicionais. Todo álbum é acústico e os dois membros revezam nos vocais ao longo do álbum, mas os melhores momentos acontecem quando se juntam, como em "Love of the City".

O duo russo Stoner Train é um dos mais interessantes do mundo Stoner. A influência do Blues é mais comum no Stoner do que as pessoas pensam, mas o Country e o Southern Rock não, por isso a essa banda é tão interessante, misturam tudo o que disse em suas canções. "Bannermen of Lost Generations" é, possivelmente, o melhor álbum da Stoner Train até aqui.

O Jesse Dayton tem tudo o que um bom músico precisa, um belo vocal e boas composições, mas nao mundo da música isso nem sempre é o fundamental. "The Revealer" é um bom álbum e a música do Jesse Dayton merece sua atenção.

"Condado Caramujo Vol.1", álbum de estréia da Condado Caramujo, é composto por sete canções em português e mistura o Bluegrass, o Punk e o Outlaw Country em suas canções. Para quem curte a mistura desses estilos, esse álbum é tudo de bom. Os vocais do Chico Bill são muito bons, a instrumentação é ótima, as letras são muito características desse estilo e tem uns guturais espalhados pelo álbum. Esse álbum estará no meu Top 10 nacional, não tenho dúvidas disso.

Em "On Safari", novo trabalho da Kentucky Headhunters, a banda decidiu diversificar um pouco os estilos, você vai escutar o Country e o Southern Rock em diversas ocasiões. "On Safari" não é ótimo como seu antecessor, mas é um álbum sólido, com o Doug Phelps detonando nos vocais e os outros membros da banda fazendo um ótimo trabalho em seus instrumentos. É difícil não ser fã dessa banda.

"Bloodline", esse título não poderia ser mais perfeito, oito membros do Clã Neal participaram das gravações do álbum, poucas vezes vi isso. Eu escutei poucos álbuns do Kenny Neal, mas dos que ouvi, "Bloodline" é o melhor, esse é um álbum que fica melhor toda vez que é escutado, a cada play percebemos um novo detalhe. Não é atoa que está sendo cotado para o Grammy.

"Brutown" tem todos os elementos que fizeram da The Baggios uma das melhores bandas do país, o Blues, o Rock e as sonoridades regionais, mas com a adição de um tecladista, a banda está alçando novos voôs. A sonoridade está melhor, as letras conectadas com o momento que vivemos e a The Baggios fez o que parecia ser impossível, lançou um álbum melhor que seus antecessores.

Cody Jinks

Se você é fã de Country nesse país e não conhece o Rodrigo Haddad, você falhou na sua jornada. O Rodrigo é uma referência no país e motivos não faltam, basta escutar sua discografia e ler um pouco da sua história. Gravado em Nashville, "Another Day" traz para nossos ouvidos o bom e velho Country que adoramos escutar. Com mais de 20 anos de carreira, o Rodrigo ainda consegue impressionar seus fãs. Que voz é essa? E que ótimas composições! Apesar de ser muito curto, esse EP vai arrancar muitos sorrisos dos fãs da boa Country Music.

Os álbuns do Wayne Hancock sempre soam iguais para mim, e não foi diferente em "Slingin' Rhythm", mas nunca me canso de escutar as canções desse veterano da Country Music. Hancock não é como a maioria dos músicos que ao longo da sua carreira experimentaram novas fórmulas, ele quer tocar o que ama, mesmo que isso já não tenha tanto apelo comercial.

"Especiarias" é composto por músicas em português e os temas são bem variados, da política aos temas tradicionais do Blues. Ao contrário do seu primeiro EP, "Especiarias" é mais pesado, tem mais Rock, mas o Blues ainda está lá. A Mentol Trio é uma das bandas que mais curto e uma das mais dedicadas que conheço, fazem shows constantemente e não para de evoluir, que continuem assim!

"Rebreaker" vem com uma pegada diferente do seu antecessor, ele é mais diversificado, mais bem trabalhado e o trio está mais coeso. A tarefa mais difícil na música é prender a atenção do ouvinte, em músicas instrumentais essa tarefa é mais difícil. "Rebreaker" conseguiu me prender, alcançou seu objetivo. Mais um grande trabalho da StringBreaker and the StuffBreakers.

Influenciados pelo Rory Gallagher, Jimi Hendrix e Stevie Ray Vaughan, Bruno Lara e sua banda conseguiram criar 12 músicas autorais de qualidade. "Trouble" não fica o tempo todo preso no Blues, ao longo das doze canções autorais, podemos escutar um pouco de Funk, Jazz e Rock.

Em seu segundo álbum, "Smokestack" o duo de blues/rock/stoner Muñoz solidifica sua posição de destaque dentro do cenário nacional. "Nebula", álbum de estreia da banda, chamou muito a atenção dos fãs de Stoner e colocou o no topo das listas de melhores do ano em 2014. "Smokestack" não é diferente de seu antecessor, apresenta todas as influências do duo e vai ajudar a manter a banda no topo do estilo no país.

"Blue Highways", novo álbum Colin James, é mais uma homenagem aos clássicos do Blues. As regravações fazem parte do Blues, é uma tradição lançar esse tipo de álbum, é maravilhoso escutar clássicos com uma pegada totalmente diferente e esse tipo de lançamento mantém os clássicos vivos. No Blues, músicas lançadas a mais de 70 anos ainda são populares, ainda parecem "frescas", tudo graças a esses tributos.

"MEmphis Rock and Soul" é um tributo à música da Stax Records, uma das gravadoras mais influentes da história e uma eterna fonte de inspiração para a Melissa Etheridge. A Melissa já tem uma carreira bem sucedida, já vendeu alguns milhões de álbuns e pode se dar ao luxo de fazer algumas homenagens. Ela colocou um pouco de si nas versões que gravou em "MEmphis Rock and Soul", mas foi respeitosa e fiel aos clássicos que regravou.

Em "Calm Down", estreia do Delta Boy Walt, a gravação do álbum não é das mais profissionais, mas essa é a intenção. O Delta Boy Walt gosta desse som rústico e é algo apreciado por uma boa parcela dos fãs de Blues. Para gravar o álbum, o bluesman usou um dobro acústico, um chocalho, um cowbell e apenas um microfone. Para quem curte um show mais rústico, indico o som do Delta Boy Walt.

"Slide Groove", novo álbum da Anderson Camelo Band, reflete a visão de mundo do Anderson, mostra um pouco da sua visão política, musical e pessoal. Musicalmente falando, o álbum tem um pouco de tudo, Soul, Folk, Blues e World Music.

"Where I Came From" é o décimo primeiro álbum de estúdio da Nothin' Fancy, banda de Bluegrass que está na ativa desde 1994, sempre honrando as tradições do Bluegrass. Assim como muitas bandas do estilo, a Nothin' Fancy não usa instrumentos elétricos, só os tradicionais do estilo. Por ser uma banda de Bluegrass tradicional, a Nothin' Fancy não traz nada de novo, o que não pode ser considerado ruim.

O som em "Equinoxes" é extremamente calmo, o som é baixo e a voz é quase um sussurro. O Folk aqui é perfeito para relaxar e pensar um pouco na vida. Essa foi minha impressão inicial, que foi confirmada quando li um depoimento do músico. Hovel é mais uma bela adição ao Folk nacional.

"Georgia Maple" do Edgar Loudermilk é muito agradável, a banda é ótima e as canções são bem escritas, mas ainda está longe de ser um "My Big Chance Tomorrow", lançado em 2013.
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