Melhores álbuns que escutei em outubro de 2016

Karen Jonas

Como faço todos os meses, vamos a mais uma lista com os melhores álbuns que escutei no último mês. Os álbuns que escuto, na maioria das vezes, não foram lançados no mês que escuto, não consigo escutar todos os álbuns lançados no mês ou conheço o álbum bem depois dele ter sido lançado. As minhas listas sempre são compostas, em sua maioria, por lançamentos de bandas pouco conhecidas, mas sempre tento trazer alguns nomes mais conhecidos do grande público.

Vamos aos álbuns que escutei em agosto.

Siga e escute a playlist "As Melhores Músicas de 2016"


Na sua estreia em 2014 com o álbum "Oklahoma Lottery", a Karen Jonas impressionou os poucos que encontraram esse álbum por aí, uma das melhores estreias daquele ano. Em 2016 com "Country Songs", a Karen não fez diferente. Não é só a maravilhosa voz dela que impressiona, a Karen tem se mostrado uma grande compositora, todas as faixas foram escritas por ela, e isso faz toda a diferença para mim. A performance dela na faixa "The Garden" é de arrepiar, a letra é impecável e o trabalho do guitarrista Tim Bray é surreal.

É esse Country que precisamos, feito por pessoas apaixonadas pelo estilo, amor que é explicitado em todas as canções, em especial na faixa de abertura, "Country Songs". Nessa faixa, Karen declara seu amor pela Country Music. "Country Songs" chegou para embaralhar minha cabeça e deixar a minha lista de final de ano mais complexa de ser elaborada. Adoro quando isso acontece.

A Joanne Shaw Taylor é uma grande guitarrista, mas nem de longe esse é seu maior talento. Em "Wild", sua qualidade na guitarra não se compara com a da sua voz, que está menos rouca e melhor que a voz que escutamos nos últimos álbuns. Já faz tempo que a Joanne Shaw Taylor é uma das melhores guitarristas/vocalistas de Blues, está no nível da Susan Tedeschi, Ana Popovic e Samantha Fish, as outras grandes estrelas dessa geração, mas, infelizmente, o nome dela não é o mais lembrado entre os fãs, algo que precisa ser mudado.

"Blue Mountain" não é um álbum qualquer, é o primeiro álbum de músicas inéditas lançado pelo Bob Weir (fundador, guitarrista e vocalista da Grateful Dead), desde 2000! O Bob Weir está passando por um novo momento em sua vida, a redescoberta dele por parte dos fãs, principalmente depois do documentário "The Other One: The Long, Strange Trip of Bob Weir" (disponível no Netflix), que mostrou toda sua importância na história do Grateful Dead e que a banda não se resumia só ao Jerry Garcia.

O álbum foi influenciado por um período pré-Grateful Dead, onde Bob passou um verão trabalhando e vivendo em um rancho em Wyoming, o que provocou um fascínio ao longo da vida com as histórias e canções do oeste americano. O álbum é uma mistura de Rock, Country e Folk, e as composições são seu ponto forte. O Bob Weir nunca foi um grande vocalista, então não esperava algo extraordinário. Esse é um dos álbuns mais importantes de 2016, não é sempre que um músico do quilate do Bob Weir decide sair do seu sossego para gravar e fazer turnês.

"Bringin' Country Back" é mais um grande álbum do texano Zane Williams, um dos compositores mais respeitados do Texas na atualidade e que tem evoluído de forma assustadora nos últimos anos. O Country tradicional está mais vivo do que nunca e o Zane Williams é mais uma das dezenas de provas que tivemos nos últimos anos. O Trigger do Saving Country Music resumiu perfeitamente esse álbum: "'Bringin' Country Back" não é apenas um álbum de Country Music, é um álbum sobre Country Music, o que a música Country significa, o que é ser um fã, e talvez até um guia para fãs e artistas, explicando o que é a música Country."

Joanne Shaw Taylor

"The Marcus King Band" é o segundo álbum da Marcus King Band e a estreia do Warren Haynes como produtor. O Marcus King (guitarrista, compositor) é um prodígio de 20 anos e tem encarado  a pressão de uma forma muito madura. Sua estreia, "Soul Insight", mostrou que ele tinha um enorme potencial, o novo álbum confirmou todas as expectativas. Com esse álbum, a banda foi catapultada para o primeiro escalão das Jam Bands com uma pegada Blues e Soul. 

Eu tentei, mas não consegui parar de pensar em Allman Brothers, Gov't Mule e Tedeschi Trucks Band, sei que ele tem outras influências, mas ele bebeu demais na fonte dessas três bandas. Destaque para as faixas "Ain't Nothin' Wrong With That""Self-Hatred" (é impossível não reconhecer os momentos em que o Derek Trucks está tocando, ele tem um estilo único), "Radio Soldier" e "Virginia" (que jam!). Mais um álbum para embolar o topo das minhas listas de fim de ano.

"Shine On Rainy Day", a estreia do Brent Cobb na música, é sensacional. Assim como o Chris Stapleton, Brent começou compondo para artistas mais pop (Luke Bryan, Little Big Town, Eli Young Band, etc), mas seguiu a linha tradicional da Country Music. Conheci o Brent Cobb na coletânea "Southern Family" do Dave Cobb (eles são primos), onde ele cantou a belíssima "Down Home", e desde então acompanho seus passos. O Brent Cobb era mais um compositor genial subestimado em Nashville, mas que para a nossa sorte, conseguiu lançar seu trabalho. "Shine On Rainy Day" é um álbum acústico, totalmente dominado pelo violão e pelo vocal hipnotizante do Brent, uma obra prima.

"Like an Arrow" veio de surpresa, ninguém estava esperando um novo álbum da Blackberry Smoke para esse ano. Eu não faço parte do grupo que não curte mudanças nos álbuns de suas bandas favoritas, gosto de bandas que arriscam, se vou gostar da mudança, aí é outros quinhentos. Eu estou cada dia mais impressionado com a capacidade que esses caras tem de trazer novos elementos a cada álbum. O Funk é a novidade desse álbum e aparece com tudo na ótima "Believe You Me".

Alguns podem amar a banda por suas influências Country, outros por estarem ajudando a manter o Southern Rock em evidência, por fim, outros podem dar enfase nas influências do Rock clássico no som da banda. Todos os gostos são saciados em "Like an Arrow", a banda traz todas as suas influências para o álbum e, mais uma vez, mostra que não é justo limitar o som deles a um estilo.

"Vinyl" é a estreia do William Michael Morgan, mais um músico que veio para abalar as estruturas do mainstream com seu Country tradicional. Ao contrário de outros músicos tradicionais que tem ganhado muita repercussão, o William Michael Morgan não está sendo lançado por uma pequena gravadora, ele é uma aposta de uma 'major', a Warner Bros. Nashville, uma prova do crescente interesse pelo Country tradicional.

A Warner acertou em cheio, o William é um jovem músico de apenas 23 anos e ainda tem muita coisa a nos oferecer. Se você curte algo na linha do George Strait e Alan Jackson, esse é o álbum que você deve escutar em 2016.

Bob Weir

"Keepin' the Horse Between Me and the Ground" é um álbum padrão do Seasick Stevie, não temos nada de novo no som do bluesman. Isso é ruim? Lógico que não! O Seasick conquistou os fãs com um estilo único, seja instrumental ou na sua forma de compor, e não sei se ele tem idade e vontade de mudar algo em seu som. O único ponto negativo do álbum é a sua duração, são vinte faixas e quase uma hora e vinte de duração, o que torna a experiência um pouco cansativa.

Impossível não gostar de "For Better, Or Worse", novo álbum do veterano John Prine, um dos melhores compositores do Folk americano. O John Prine decidiu se voltar para o mais puro Country tradicional, para isso, selecionou 15 clássicos Country e chamou 11 vocalistas para gravar alguns duetos. Ele escolheu canções gravadas pelo Hank Williams, Jessi Colter, Buck Owens, Loretta Lynn e Vince Gill. E ele não economizou nas convidadas: Kacey Musgraves, Lee Ann Womack, Alison Krauss, Susan Tedeschi, Holly Williams, Amanda Shires, Miranda Lambert, Iris DeMent, Kathy Mathea, Morgane Stapleton e Fiona Prine, sua esposa. Não tinha como dar errado e não deu.

Demorou, mas o Mo Pitney lançou "Behind This Guitar", o aguardado debut do músico de 23 anos que escolheu se dedicar ao Country tradicional. Apesar de estar lançando seu debut, o Mo Pitney não é uma figura desconhecida. Se não me engano, ele lançou "Country", seu primeiro single, em 2014, e tem recebido muitos elogios desde estão. Apesar de "Behind This Guitar" ser um ótimo álbum, ele demorou demais para ser lançado e seus principais singles já perderam o ineditismo para as rádios.  

O mandolinista Adam Steffey, que já tocou com a  Alison Krauss & Union Station, Mountain Heart e Lonesome River Band, e atualmente toca na The Boxcars, lançou mais um álbum solo, "Here to Stay". Steffey é um dos mandolinistas mais premiados do Bluegrass, já ganhou cinco Grammys e onze vezes o prêmio Mandolin Player of the Year da IBMA. Nesse novo álbum, Steffey regravou versões de algumas de suas canções mais conhecidas, lançadas durante sua carreira solo e no período em que foi membro das bandas citadas e músicas de outros artistas que ele tem tocado ao longo dos anos. Esse é só mais um belo álbum de Bluegrass lançado em 2016.

O bluesman Benny Turner, irmão mais novo de um dos "Three Kings" do Blues, o Freddie King, caprichou em "When She's Gone". Ao contrário do irmão, Benny decidiu ir para o baixo e tocou com diversos músicos ao longo dos anos. Seu primeiro álbum solo, "Blue And Not So Blue", só foi lançado em 1997. "When She's Gone" é composto por dez faixas, seis originais e quatro regravações, e conta com a participação da Marva Wright, Bob Margolin e Charles Brown. No geral, "When She's Gone" é um álbum agradável, tem boas composições e a instrumentação não poderia ser melhor.

"Shouted, Written Down & Quoted" é o sexto álbum de estúdio da Greensky Bluegrass, banda que nem preciso dizer o estilo que tocam. Acompanho a Greensky desde 2011, ano em que lançaram o maravilhoso "Handguns", e tenho acompanhado a evolução deles desde então. Mais uma vez a banda não decepcionou seus fãs. O som da banda ainda continua o mesmo, o bom e não tão velho Bluegrass progressivo.

Zane Williams

A Devil Makes Three é uma das bandas mais interessantes da atualidade e referência quando o assunto é misturar estilos roots, entre eles o Bluegrass, Old Time, Country, Folk, Blues, Jazz, Ragtime e Rockabilly. "Redemption & Ruin" é composto por doze versões de clássicos do Blues e Gospel, duas grandes influências da banda. São seis faixas que representam o lado "Ruin" e outras seis o lado "Redemption". Eu não me encanto com qualquer álbum cover, algumas bandas não trazem nada de novo para as faixas, mas felizmente esse é um álbum da Devil Makes Three, banda que nunca gostou de fazer mais do mesmo.

Temos mais uma estreia na lista, dessa vez é o álbum "Roll Me Home" do Matt Byrnes, cantor e compositor de Boston que segue a boa e velha linha tradicional da Country Music. O Matt conta algumas boas histórias ao longo do álbum, a produção poderia ser melhor, mas é o suficiente para um músico independente. Em certos momentos do álbum, principalmente em "North Carolina", pude perceber algumas influências do Southern Rock, o vocal dele e os backing vocals ficaram ótimos nessa faixa. Vale a pena escutar. 

"Groovin' On Up" é o EP de estreia dos holandeses da Thomas Toussaint Band. Ao contrário da maioria das bandas de Blues que levam o nome de seu líder, o Thomas Toussaint não é guitarrista, ele é o gaitista da banda. O EP é composto por covers, alguns mais conhecido e outros nem tanto. "Fourteen Dollar in the Bank" do Paul DeLay é uma dessas desconhecidas e a versão mais sensacional do álbum. A banda como um todo mostrou ter muito potencial, principalmente o Thomas Toussaint, dono de uma voz perfeita para o Blues.

"Voodoo Land" é o novo álbum da Blues Rebels, banda formada por quatro americanos residentes em Israel. Sempre que encontro uma banda de Blues de fora dos EUA e Brasil, não resisto, tenho que escutar. É um fato que o Blues é um estilo do mundo, mas ainda temos pouco contato com bandas de outras partes do mundo. Vale a pena escutar, Blues Rock de muita qualidade
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