Melhores álbuns que escutei em setembro de 2016

Amanda Shires

Como faço todos os meses, vamos a mais uma lista com os melhores álbuns que escutei no último mês. Os álbuns que escuto, na maioria das vezes, não foram lançados no mês que escuto, não consigo escutar todos os álbuns lançados no mês ou conheço o álbum bem depois dele ter sido lançado. As minhas listas sempre são compostas, em sua maioria, por lançamentos de bandas pouco conhecidas, mas sempre tento trazer alguns nomes mais conhecidos do grande público.

Eu achava que a lista de julho tinha sido complicada de elaborar, mas a de agosto se superou. Vamos aos álbuns que escutei em agosto.

Siga e escute a playlist "As Melhores Músicas de 2016"

Eu estava ansioso para escutar "Mud", queria confirmar uma certeza que estava na minha cabeça desde o primeiro dia que escutei "Early Morning Shakes", antecessor de "Mud": a Whiskey Myers é a banda que vai carregar a bandeira do Southern Rock nos próximos anos. Os fãs ainda amam mais a Blackberry Smoke, mas é inegável que a Whiskey Myers, no momento, é a grande representante do Southern Rock, os dois últimos lançamentos da banda estão no nível de muitos álbuns lançados nos anos dourados do estilo.

A banda encontrou na mistura de Southern Rock e Country texano seu som ideal, que só melhorou quando encontraram o produtor certo, um tal de Dave Cobb, o cara que faz carvão virar ouro. A banda abusa na diversidade, algo que não existe em seu antecessor, e seduz o ouvinte a cada canção. E esse vocalista? O Cody Cannon parece melhorar mais a cada ano, a voz dele é poderosa e inconfundível. Em "Trailer We Call Home", que tem uma letra maravilhosa, a performance do Cody é de arrepiar.

A Amanda Shires não lançava nada desde 2013, nesse período ela excursionou bastante e deu à luz a sua primeira filha com o Jason Isbell. O álbum foi escrito durante sua gravidez, fazendo dele altamente pessoal. A vocalista, compositora e violinista tem um talento que não é comum e ainda pouco conhecido pelo grande público, algo que não deve demorar muito para mudar. "My Piece of Land" é impecável, não tem pontos negativos. Destaque total para as composições e para a belíssima voz da Amanda Shires, que encanta em cada uma das faixas.

"Rockingham" é o álbum de estréia do BJ Barham. O nome do vocalista pode ser desconhecido, mas alguns leitores/ouvintes mais atentos irão reconhecer a belíssima voz do BJ, que é vocalista da banda Americam Aquarium, uma das bandas de Alt-Country mais interessantes da atualidade. Você pode não entender nada de inglês, mas a voz do BJ Barham é uma daquelas que te passam todos os sentimentos que uma música carrega, não importa o idioma, pela voz dele você consegue absorver todos os sentimentos. Se entreguem a esse álbum, sem dúvidas um dos grandes lançamentos de 2016.

Desde o início você não tem dúvidas do som que irá escutar nas 11 músicas que compõem "I've Got a Way", é o mais puro Country Tradicional, do começo ao fim. O Country é como o Rock, sempre tem um fã dizendo que não se faz mais boa música como antes, que os músicos já não passam mais sinceridade em suas canções. Existem dezenas de músicos na atualidade que são fiéis aos arquétipos criados pelos grandes mestres do passado. A Kelsey Waldon é uma dessas. Geralmente quando escuto um álbum de uma vocalista muito boa, que é o caso da Kelsey, reparo pouco na instrumentação, algo que é impossível em "I've Got a Way", que tem um pedal steel do começo ao fim te arrepiando. A Kelsey Waldon é mais uma vocalista Country para ficarmos de olho.

Devon Allman

"Sinner" é um álbum confessional em determinados momentos, não sei se é sincero, as composições são muito boas, os arranjos mais tradicionais do que eu imaginava para um artista da Big Machine e os vocais do Aaron Lewis estão bem melhores do que em "The Road", seu primeiro álbum solo. O Aaron é um cara difícil de gostar, tem algumas opiniões bem questionáveis, mas gostando ou não do vocalista, "Sinner" merece uma chance, só uma basta. Esse é sem dúvidas um dos grandes álbuns Country do ano.

"At Home and in Nashville" é o álbum de estreia do Andy Farrell, jovem músico de 23 anos que saiu do coração das Blue Ridge Mountains para tentar a vida em Nashville. Como muitos dessa nova geração, o Andy escolheu apostar no Country tradicional e tem tudo para ter uma longa carreira em Nashville. Com uma bela voz, o Andy no futuro pode ser um compositor de destaque na Country Music. O álbum é metade gravado em estúdio e metade ao vivo, algo que achei bem corajoso para o álbum de estreia de um músico tão jovem, mostrando o quanto ele confia no seu talento. Vamos aguardar os próximos passos do Andy Ferrell.

Deve ser difícil pertencer a uma família em que os músicos estão muito acima da média dos demais. Esse é o caso do Devon Allman e da família Allman. Parece que a tradicional pressão exercida pelo sobrenome nunca atrapalhou o Devon, que sempre tentou criar seu próprio espaço, algo que ele tem alcançado a cada lançamento. O Devon Allman vem evoluindo como cantor, compositor e guitarrista desde que criou a Honeytribe em 1999, passando pela Royal Southern Brotherhood, até chegar a sua carreira solo. Hoje ele é um músico mais maduro, o que é possível perceber em cada uma das faixas de "Rider or Die".

O Tim Easton é dono de uma voz marcante e um grande compositor, um dos poucos que escrevem para te fazer refletir, vide a faixa "Elmore James", uma homenagem ao famoso bluesman e uma crítica a tecnologia, e "Now vs Now", uma clara crítica à indústria musical. O Tim é um daqueles músicos que estão escondidos nos pequenos estabelecimentos de Nashville, você não vai ver ele na Billboard ou nos grandes sites especializados em Country, mas felizes somos nós que não seguimos a maré das grandes gravadoras e conseguimos apreciar álbuns como "American Fork".

Vocês podem não conhecer o sergipano Arthur Matos, mas ele não é um novato na cena Folk nacional. "Homeless Bird" é seu quarto álbum de estúdio e não é muito difícil constatar que ele está cada dia melhor. Esse é um álbum delicado e extremamente sentimental, as letras ajudam muito a passar essa sensação, mas a voz dele é que te faz mergulhar fundo em cada canção. O Arthur Matos tem um enorme potencial e "Homeless Bird" é uma pequena prova disso.

Andy Farell

O Ronnie Earl não precisa mostrar mais nada a ninguém, mas mesmo assim continua impressionando seus velhos e novos ouvintes. Se eu for comparar esse álbum com seu antecessor, "Father's Day", ele é bem inferior, mas o Ronnie fez tudo diferente em "Maxwell Street", que é um álbum essencialmente instrumental e com poucos vocais, que nesse álbum fica à cargo da vocalista Diane Blue, que aparece em cinco faixas. O álbum é uma homenagem ao pianista David Maxwell, que foi um Broadcaster por anos e morreu no início de 2016. Nesse registro, o som é uma mistura de Blues e Jazz que impressiona, principalmente nos momentos em que o Ronnie Earl faz suas jams, confirmando o que todos já sabem, que ele é um dos maiores guitarristas da atualidade.

A Special Consesus está comemorando seus 40 anos de estradas e lançou "Long I Ride" para comemorar essa significativa marca. Para essa empreitada, a tradicional banda de Bluegrass convidou alguns ex-membros e amigos para compor e gravar algumas músicas. Entre os convidados temos Robbie Fulks, Della Mae, Summer McMahan, Rob Ickes, Trey Hensley, Alison Brown, Matt Combs e Buddy Spicher. "Long I Ride" só tem uma música escrita pelos membros da banda, "Life Stories", as demais são covers ou faixas inéditas escritas por amigos. É Bluegrass, então prefiro não falar muito, só escutem e apreciem as ótimas performances desses músicos.

A Fabulous Thunderbirds, uma banda que já é considerada clássica no Blues, estando na ativa desde 1974, é cada dia mais a banda do Kim Wilson e "Strong Like That" é a mais recente prova. Wilson vem aos poucos adicionando mais Soul e R&B, o que tem dado bons frutos nos últimos álbuns. O Blues ainda é o estilo dominante em "Strong Like That", mas essas novas influências estão cada dia mais relevantes no som da banda. Na minha opinião, esse é o melhor álbum da banda desde que o Jimmie Vaughan deixou a banda.

O Jeremiah Johnson é um músico conhecido na cena Blues e já fez turnês com bandas do porte de Little Feat e Bob Weir, além de ter como convidado o Devon Allman em diversos shows nos últimos anos. "Blues Heart Attack" não foca em só uma vertente do Blues, tem Blues Rock, um Blues com uma pegada Jazz, com mais Soul, Southern Rock e até algo das origens do Rock, algo meio Chuck Berry. Por falar em Southern Rock, o álbum tem uma faixa que vai deixar qualquer fã do Allman Brothers feliz. "Skip That Stone", que é quase uma "Jessica" com vocais.

É difícil não gostar de um álbum como "Cluster of Pearls", o álbum começa com uma faixa extremamente empolgante, "Completed Fool", que é a joia desse álbum, principalmente por causa da performance do vocalista Mike Montali., que faz outra ótima performance na "Don't Want To Miss You", que me lembrou um pouco a Alabama Shakes do seu primeiro álbum, e em "Cold City".

Arthur Matos
"Down in a Hole" é o álbum de estreia do Kiefer Sutherland, aquele mesmo que estrelou a clássica série 24 Horas. Esse álbum foi uma agradável surpresa, nunca espero nada desses famosos que se aventuram pela música, mas Jack Bauer nunca nos decepciona. "Down in a Hole" é um Country Rock dos bons, composições que mais parecem ter saído do diário do ator e um vocalista que impressionou muitos dos ouvintes.

"Original Tradicional" é o nono álbum de estúdio da Blue Highway, uma das bandas de Bluegrass mais amadas pelos fãs do estilo. Esse é o primeiro álbum da banda sem o Rob Ickes, que saiu da banda para iniciar sua carreira solo, e foi substituído pelo Gaven Largent, um jovem de 19 anos que não decepcionou os fãs da banda em seu debut. É chover no molhado elogiar a performance individual dos membros da banda, é uma tradição no Bluegrass ser bom demais no instrumento que toca, e não é diferente em "Original Tradicional". É normal uma banda perder um pouco do ritmo após a saída de um membro original, mas isso não aconteceu com a Blue Highway, que parece ter fôlego para tocar por muitos anos.  
   
A Gina Sicilia faz uma mistura de Blues e Soul em "Sunset Avenue" e aos vem se colocando no time das melhores vocalistas da atualidade. "Sunset Avenue" é curtinho, só tem 17 minutos de duração e cinco canções, mas todas são tão boas, que você deixa o repeat ligado e não se importa o número de vezes que vai repetir. A Gina Sicilia já mostrou que tem potencial para ser uma das grandes vocalistas da sua geração, só precisa lançar um álbum definitivo, aquele que arrepie as pessoas.

"Kid Sister" é o terceiro álbum de estúdio da The Time Jumpers, o primeiro desde a morte da vocalista Dawn Sears em dezembro de 2014, que perdeu a batalha contra o câncer. Dawn era uma peça fundamental na banda e dona de uma voz bem conhecida na Country Music. "Kid Sister" é um tributo e começa com duas músicas em que a Dawn canta, "My San Antonio Rose" e a belíssima "I Miss You". O som da banda não mudou, é o bom e velho Western Swing que amamos, com vocais perfeitos e instrumentação sem erros. O álbum acaba com uma bela homenagem, a faixa "Kid Sister" foi escrita para homenagear a Daws Sears e é de partir o coração.

A grande maioria dos músicos de Blues vivem bastante, os caras ficam velhos, mas não largam seu instrumento e o estilo que tanto amam. Quando um músico falece aos 60, sua morte é considerada prematura pelos fãs e esse é o caso do Michael Burks, que morreu em 2012, aos 55 anos após sofrer um ataque fulminante no coração. Para a nossa sorte, a esposa do guitarrista resolveu lançar um álbum póstumo e não poderia ter um título melhor: "I'm a Bluesman". Burks nasceu em uma família de músicos que se dedicaram por décadas ao Blues, ele nasceu e morreu um Bluesman.

Kiefer Sutherland

Ficamos longos 7 anos sem nenhum lançamento do Sam Bush, a espera acabou e fomos recompensados com um álbum magnifico. O Sam Bush é o pai do Newgrass/Progressive Bluegrass, sempre foi uma das minhas referências dentro do estilo e escutar algo novo dele é sempre maravilhoso. Em "Storyman", Sam Bush convidou seus amigos para compor as canções do álbum com ele, entre esses amigos temos Guy Clark, Jon Randall Stewart e Emmylou Harris, que também fez um dueto com Bush na bela "Handmics Killed Country Music". Cada música é uma surpresa, Bush não fica na sua zona de conforto, o que não seria errado no caso dele. Bush sempre foi conhecido por suas improvisações e elas aparecem muito em "Storyman".

"East Tennessee Sunrise" é o álbum de estreia do Stuart Wyrick, experiente banjoísta (odeio essa palavra) que já tocou em diversas bandas de Bluegrass ao longo de sua carreira, entre elas Flashback, J.D. Crowe And The New South e Dale Ann Bradley Band. Já conhecia o trabalho dele no banjo, mas sua performance como vocalista me impressionou. "East Tennessee Sunrise" não decepciona em momento algum, todos os músicos que gravaram o álbum são experientes, as composições são boas e o Stuart manda bem demais nos vocais. Um grande álbum de Bluesgrass.

"My Daddy's Grass" é o segundo álbum de estúdio do Mickey Galyean e sua banda, a Cullen's Bridge. Esse é só mais um álbum de Bluegrass, ou seja, vou escrever pouco, não vou perder meu tempo babando o ovo dos músicos, de como eles tocam seus instrumentos e de como me empolgo com esse estilo. Só escutem.

"Pompeia" é o segundo EP da banda Folk gaúcha JOHN. O primeiro, "Forasteiro", é um Folk com toques de Pop, nada de exagero, mas em "Pompeia" a banda abusou um pouco no quesito modernidade. Sei que as bandas procuram por aquele som que as tornem únicas, algumas até conseguem, mas a maioria acaba forçando a barra. No caso da JOHN, isso acontece em "Sol de Agosto", faixa maravilhosa, mas que derrapa no minuto final, onde a banda adicionou detalhes eletrônicos, corais, vocais, banjo, bateria e tudo o que imaginar, ficou tudo muito confuso. Mesmo com essa derrapada, "Pompeia" mostra uma banda em evolução, seja na instrumentação ou nas composições, e que ainda tem muito para nos mostrar.

"Autumn" é o novo álbum de estúdio da Chatham County Line, banda que conheci por sempre estar em turnê com a Avett Brothers, além de compartilharem diversas influências em comum. Ao contrários dos irmãos Avett, a Chatham County Line se manteve fiel ao Bluegrass, vez ou outra traz um pouco de Country ou Folk, mas essa ainda é uma banda de Bluegrass. Todos os membros da Chatham County Line são exímios tocadores de seus instrumentos, além de serem grandes compositores, mas o destaque sempre será a voz do Dave Wilson, que consegue me encantar a cada novo álbum que escuto dessa banda.

BJ Barham
   
"Night Hawk", novo álbum do Charlie Daniels é uma mescla de composições próprias e regravações de músicas que falam sobre a vida do cowboy, um dos temas favoritos dele. Logo de cara temos uma ótima versão do clássico "Big Balls in Cowtown", eternizada pelo Bob Wills, com o Charlie mandando bem demais no violino e mostrando que a idade não afetou sua bela voz. "Night Hawk" não é um "Charlie Daniels" ou "Fire on the Mountain", clássicos da Country Music, mas é o álbum que todo fã dele espera, boa composições, violino, pedal steel e meia hora do mais puro Country.

"Pure & Simple" é o quadragésimo terceiro álbum de estúdio da Dolly Parton, a eterna Rainha da Country Music. Se esse álbum for comparado com os 42 já lançados, talvez fique posicionado ali no meio. "Pure & Simple" não é um dos grandes álbuns dela, é apenas mais um trabalho em que ela decidiu ficar em um território que lhe é confortável. Temos boas baladas, principalmente "Pure & Simple" e "Outside Your Door", e uma Dolly que parece não querer para de criar e cantar.

Qualquer coisa vinda do Dwight Yoakam gera muito alvoroço, ainda mais quando ele decide lançar um álbum totalmente Bluegrass e composto por faixas lançadas ao longo da sua carreira. As expectativas foram lá em cima, ainda mais quando ele lançou a versão de "Purple Rain" do Prince.  "Swimmin' Pools, Movie Stars" é um álbum de um músico consagrado que conquistou o direito de se divertir e gravar aquilo que lhe faz bem, assim como o Alan Jackson fez em "Bluegrass Album". Esse é um álbum feito especialmente para os fãs, é bom demais escutar as músicas que você gosta em outras versões, eu adoro, por isso gostei tanto desse álbum.

"Forlorn Strangers" é o debut da Forlorn Strangers, uma banda acústica com violão, banjo, bandolim, violino, contrabaixo, stomp box, um pouco de percussão e quatro vocalistas que se revezam nas músicas. O som da banda é na sua essência Bluegrass, mas eles acrescentam diversos elementos do Blues, Jazz e Rock, o que torna o som deles bem interessante. A faixa "Sugarcane" é um belo exemplo dessa mistura que eles fazem, é uma mistura de Country e Blues muito bem feita.

Tecnologia do Blogger.