Melhores álbuns que escutei em julho de 2016


Como faço todos os meses, vamos a mais uma lista com os melhores álbuns que escutei no último mês. Os álbuns que escuto, na maioria das vezes, não foram lançados no mês que escuto, não consigo escutar todos os álbuns lançados no mês ou conheço o álbum bem depois dele ter sido lançado. As minhas listas sempre são compostas, em sua maioria, por lançamentos de bandas pouco conhecidas, mas sempre tento trazer alguns nomes mais conhecidos do grande público.

O mês de julho foi um dos melhores do ano, não só pelos ótimos álbuns que escutei, mas principalmente pelo lançamento dos novos singles da Blackberry Smoke, Whiskey Myers, Turnpike Troubadours e a notícia de que o Allman Brothers pode se reunir em 2017.

Vamos aos álbuns que escutei em julho.

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Pela primeira vez no ano, não consegui escolher um álbum para ocupar o topo da minha lista, houve um empate entre dois álbuns: "Young in All the Wrong Ways" da Sara Watkins e "Big Day in a Small Town" da Brandy Clark. Sobre o primeiro, eu sempre admirei a voz da Sara Watkins, mas ainda faltava um álbum que me convencesse do potencial dela, "Young in All the Wrong Ways" é esse álbum. Ele não é Pop, Bluesgrass ou Folk, é uma mescla de ambos, de todas as influências da Sara, mas os rótulos ou a falta deles não afeta em nada, é impossível algo se sobrepor a uma voz como a da Sara Watkins. "Big Day in a Small Town" é só mais um álbum impecável da Brandy Clark, nem o péssimo single de estreia, "Girl Next Door", conseguiu estragar esse ótimo lançamento. As duas cantoras tem vozes inconfundíveis e são compositoras de elite, poucas superam as duas, por isso não consegui escolher entre os lançamentos delas.

O segundo álbum da dupla Rob Ickes & Trey Hensley, "The Country Blues", é bem menos tradicional do que seu debut, eles não abandonaram o Bluegrass, mas adicionaram elementos do Country e do Blues, transformando-se, em alguns momentos, em um Progressive Bluegrass. Essa dupla ainda vai nos dar muitas alegrias.

Para não perder o ritmo, continuarei com o Bluegrass da The Lonely Heartstrings Brotherhood, que estreou com o ótimo "Deep Waters".Ao contrário do anterior, esse é um álbum tradicional. O quinteto de cordas lançou doze faixas de muita qualidade e é mais uma banda que chega para acrescentar qualidade na crescente cena Bluegrass.

"Romperia", o tão aguardado debut da banda sorocabana de Folk Monoclub não decepcionou. A banda sabe muito bem mesclar suas influências nacionais com as internacionais, sendo esse um dos grandes diferenciais da banda. Você percebe as influências sem muito esforço, escuta um pouco de Almir Sater e Willie Nelson, Renato Teixeira e Wilco, mas não soa igual, a banda sabe muito bem unir as influências e criar uma identidade própria.

Não sei onde, mas alguns meses atrás reclamei da falta de lançamentos com influências do Southern Rock, reclamação que, felizmente, ficou no passado. Os álbuns começaram a sair e a qualidade de todos é altíssima. Minha mais recente descoberta é "What We're Made Of" da The Vegabonds, uma banda indicada para os fãs de Blackberry Smoke e Whiskey Myers. Foi bem difícil não incluir todas as faixas em minhas playlists, poucas vezes em 2016 tive dificuldades em escolher as melhores faixas de um álbum.

O Tinsley Ellis é um dos grandes guitarristas de Blues da atualidade e "Red Clay Soul" é mais uma prova disso. O Tinsley sempre trouxe para seus álbuns toques de Southern Rock, em alguns álbuns é uma influência mais aparente, outras vezes é mais suave. Ao longo de "Red Clay Soul" podemos perceber essa influência em diversos momentos, talvez seja por isso que gosto tanto de tudo o que ele lança.

O debut da Pole Barn Rebels, "Pole Barn Rebels", não traz nada de novo para a Country Music, é um Outlaw Country tradicional e de muita qualidade. A banda é de Flint, Michigan, a mesma cidade de um tal Whitey Morgan, e assim como seu conterrâneo, conseguiu lançar canções que devem deixar muitos sulistas com inveja. 

O Rich Robinson dispensa apresentações e acho desnecessário ficar rasgando elogios para "Flux", seu novo álbum solo. Eu nunca fiz parte do grupo de fãs que odiou o fim da Black Crowes, gosto de pensar de forma positiva, com o fim da banda temos o Chris e o Rich lançando álbuns quase todos os anos, ao contrário do que acontecia quando estavam juntos.

Rob Ickes & Trey Hensley

"Viratempo" é o mais novo trabalho da banda paulistana de Folk Viratempo, que está na ativa desde 2015 e tem seu som influenciado por Mumford ans Sons, Coldplay, Tame Impala e City and Colour. Mesmo sendo uma novata, a Viratempo já conseguiu reunir um bom número de seguidores.

"Motorgun", álbum de estreia dos cariocas da Motorgun, é um Rock setentista bem pesado e com toques de modernidade, "Hellhounds" é o exemplo perfeito dessa mistura. O trio é muito competente, mas é impossível não destacar os riffs do Bebeto Daroz, principalmente o da faixa de abertura, "Heading for Tomorrow".

Os canadenses da Black Pistol Fire não decepcionam em "Don't Wake the Riot", esbanjam qualidade e energia em suas canções, misturando influências que vão de Buddy Holly a Nirvana. Essa é uma banda que devemos prestar mais atenção. Para ser sincero, devemos prestar mais atenção em tudo que do Canadá.

"Dotô Tonho" é uma mescla de diversos estilos de raiz, Folk, Blues, ritmos tradicionais do Centro-Oeste brasileiro e Bluesgrass, sendo esse último o estilo dominante. "Borderliner" é o álbum de estreia do bluesman Filippe Dias. O álbum tem apenas seis canções, mas é o suficiente para mostrar todo o talento desse jovem guitarrista e vocalista do Guarujá. O guitarrista, apesar da pouca idade, já tocou com grandes nomes do Blues nacional e tem tudo para fazer uma grande carreira solo.

Os texanos da Quaker City Night Hawks tocam um Rock com muitas influências do Southern Rock, Texas Boogie, Blues e comidas mexicanas (eles destacam bem isso na descrição da banda no Facebook). "El Astronauta" é uma mistura muito interessante de ZZ Top e ficção científica e merece ser escutado com calma, mas só tem um grande problema, o álbum ainda não está disponível nas plataformas de streaming no Brasil.

"True Sadness" da The Avett Brothers pode soar estranho para os fãs mais antigos, mas é mais um grande álbum lançado por eles. A Royal Southern Brotherhood passou por muitas mudanças de formação nos últimos anos, mas a qualidade não se foi e podemos escutar isso em "The Royal Gospel". Foi bom escutar em "Johannesburg" um pouco daquele Mumford & Sons que encantou mundo, melhor ainda foi escutar a participação do Baaba Maal. O Country canadense também tem seu representante no Outlaw Country e se chama The Divorcees, que lançou o ótimo "From Labour to Refreshment", um bem grudento.
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