Melhores álbuns que escutei em agosto de 2016


Como faço todos os meses, vamos a mais uma lista com os melhores álbuns que escutei no último mês. Os álbuns que escuto, na maioria das vezes, não foram lançados no mês que escuto, não consigo escutar todos os álbuns lançados no mês ou conheço o álbum bem depois dele ter sido lançado. As minhas listas sempre são compostas, em sua maioria, por lançamentos de bandas pouco conhecidas, mas sempre tento trazer alguns nomes mais conhecidos do grande público.

Eu achava que a lista de julho tinha sido complicada de elaborar, mas a de agosto se superou. Vamos aos álbuns que escutei em agosto.

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Impossível não coloca "Dawn in the Distance" do Justin Wells no topo dessa lista. Você pode pensar que não conhece o Justin Wells, até pode não lembrar pelo nome, mas se você é um fã de Southern Rock e já escutou "Distant Memory Lane" da Fifth On The Floor, já ouviu a voz dele muitas vezes. A banda foi dissolvida em abril de 2015, época em que o Justin decidiu focar em sua carreira solo.

Justin vai para o Country em "Dawn in the Distance", mas o Southern Rock ainda está presente em suas canções, a faixa de abertura, "Going Down Grinnin'", é um exemplo. Justin caprichou nas composições, que falam sobre a desilusão com antigos sonhos e a realização de novos, as armadilhas do Rock e outras experiências que ele teve. A voz do Justin Wells sempre foi uma das minhas favoritas, ela é única, não dá pra confundir, e agora parece que ele aprendeu a usar todo o seu potencial. Fiquei triste com o fim da Fifth On The Floor, mas agora vejo que foi a decisão correta, o Justin Wells pode ter uma grande carreira solo e "Dawn in the Distance" é só o começo. 

O debut da National Park Radio, "The Great Divide", me impressionou desde seus primeiros acordes. A banda diz tocar um Modern Folk, que para mim é uma mistura bem feita de Folk, Country e Bluegrass. Conforme fui escutando as faixas, começou a ficar muito óbvia a influência que a The Avett Brothers tem no som da National Park Radio, músicas como "Steady""Unce Upon A Time" e "Rise Above" poderiam facilmente ser dos irmãos Avett. Essa é uma das bandas que tem tudo para estourar, então acompanhem os passos desses músicos.

"Tradition Lives" é o o primeiro álbum do Mark Chesnutt após um longo hiato de seis anos. O Mark Chesnutt é um dos grande expoentes do Country dos anos 1990 e voltou com tudo em "Tradition Lives", que traz o bom e velho Country tradicional. Foi difícil escolher as melhores faixas desse álbum, quando fui ver já tinha selecionado metade dele. "Tradition Lives" é um dos fortes candidatos ao título de melhor álbum do ano. 

O segundo álbum da Blues Pills era extremamente aguardado e "Lady in Gold" não decepcionou. A Elin Larsson, dona de uma voz magnifica, e o guitarrista prodígio Dorian Sorriaux, continuam sendo o centro das atenções da banda. Mas a adição de novas influências é o que mais impressionou. A banda junou o Soul, Gospel e toques de psicodelia ao seu maravilhoso Blues Rock. O álbum é menos Hendrix e Cream, mas essa mudança de direção não afetou em nada a qualidade da banda, uma das mais promissoras da atualidade. 

"Take Me High" do Laurence Jones é mais um álbum que mostra a constante evolução desse guitarrista e vocalista britânico, seja no seu instrumento e, principalmente, como vocalista. Esse é um álbum que fica melhor a cada vez que você escuta. Para quem curte Blues Rock, esse é um álbum obrigatório em 2016. 

"Weight of the World" da Western Centuries é mais um grande debut lançado em 2016, sendo esse um dos melhores. A Western Centuries é mais uma banda que chegou para engrossar as fileiras do Country tradicional e devemos ficar de olho nos próximos lançamentos dos caras de Seattle.

"Rollin' On" do Lou Reid & Carolina é um álbum fácil de se gostar. O Lou Reid (vocais e mandolim) faz parte da quarta geração da The Seldom Scene, lendária banda de Bluegrass que surgiu nos anos 1970, e tocou por anos ao lado do Doyle Lawson. Como sempre, não sei criticar um álbum Bluegrass, ainda mais quando o vocalista da banda possui uma das vozes mais bonitas do estilo.

A Lori McKenna é uma cantora e compositora veterana que alcançou o sucesso em 2015, ano em que co-escreveu o hit "Girl Crush" e levou um Grammy com a faixa em 2016. Além de ser uma excelente compositora, em "The Bird & the Rifle" pude conhecer sua bela voz, que me arrepiou em diversos momentos, principalmente nas lindas "The Bird & the Rifle" e "Humble & Kind", que alcançou o topo das paradas Country na voz do Tim McGraw. Ela tem uma extensa discografia para ser explorada e é mais uma mulher que chega para encantar os fãs de Country.

Não importa o nome da banda que acompanha a Mary Lee, ela tem o dom de tornar tudo em algo bom. "Fighting Demons" mostra isso a cada faixa e digo sem ter medo de parecer um "puxa-saco", poucas bandas no país estão no nível da Mary Lee & the B-Side Brothers, a banda tem uma grande vocalista e é acompanhada por músicos de grande qualidade. "Fighting Demons" não é só um álbum de altíssima qualidade para os padrões do Brasil, ele compete com muitos lançados fora do país.

Justin Wells

Os irmãos Felice sabem como poucos misturar os diversos estilos que compõem as raízes da música americana. Em "Life in the Dark" a banda se superou na qualidade das composições e nas melodias, que estão sensacionais. Muitas vezes você irá pensar que está escutando Dylan ou Young, principalmente na fantástica "Aerosol Ball", que abre o álbum em altíssima qualidade. "Life in the Dark"  é um dos grandes álbuns Folk lançados em 2016 e a The Felice Brothers a muito tempo está no grupo que ocupa o topo desse estilo.

Eu sempre gostei do Anders Osborne, mas nos últimos anos tenho achado os álbuns dele muito mais experimentais do que o de costume. Esse álbum foi uma surpresa, ele veio cinco meses após "Spacedust & Ocean Views", um álbum assustadoramente melancólico. "Flower Box" é mais cheio de energia e repleto de grandes faixas, o melhor álbum dele desde "Black Eye Galaxy".

"The Tel-Star Sessions" é o décimo quinto álbum de estúdio do Gov't Mule, mas também é o primeiro. O álbum foi gravado em junho de 1994 pelo Warren Haynes, Allen Woody e Matt Abts em um estúdio com o mesmo nome na cidade de Bradenton, Florida. Não tem como não gostar desse álbum, já conhecemos bem demais o som do Gov't Mule, mas é bom demais escutar as primeiras gravações do trio Haynes, Woody e Abts, e como eles já eram perfeitos desde o início. Poucos trios foram tão influentes nos últimos anos como esse inicial do Mule, eles criaram algo único e deixaram sua marca. É uma pena o Allen Woody ter partido tão cedo, eles poderiam ter ido muito mais longe. 

Se você é daqueles que curte um Country com muitos toques de Southern Rock, "Lucky to Be Alive" foi feito para você! Eu não sabia que esse álbum seria lançado e fiquei surpreendido, maravilhado com seu conteúdo. Esse é o primeiro álbum da Confederate Railroad desde 2007 e não tem como não amar essa banda, principalmente por causa do seu vocalista, o Danny Shirley, a voz desse cara é inconfundível e parece não mudar com o passar dos anos.

A cena texana é uma maravilha e o Cody Johnson é um dos músicos mais amados de lá. "Gotta Be Me" não será um clássico e muito menos o álbum do ano, mas é mais um grande álbum lançado por um músico que se esforça ao máximo para fazer seu melhor, peca em alguns momentos, principalmente nas composições, vide "Grass Stains", mas isso não estraga o álbum. E não é fácil ser um músico independente, todos sabemos disso, e temos que aplaudir de pé quando um vende 23 mil cópias de seu álbum na primeira semana.

A cena Country/Bluegrass canadense está me impressionando, tenho conhecido excelentes bandas daquele país e muitas não ficam atrás das americanas. Em "Golden Days", a Union Duke mistura muito bem suas influências do Folk, Rock, Country e Bluegrass, criando ótimas canções, às vezes animadas ("Coffee/Whiskey"), às vezes mais focadas nas composições ("My Only Fighter").

A banda de Southern Rock Righteous Hillbillies passou um longo período sem lançar músicas novas, mas compensou o tempo perdido com "Two Wheels Down a Lost Highway". Esse é um álbum indicado para qualquer fã de Southern Rock, tem vocais característicos do estilo e um guitarrista muito inspirado. O Nick Normando é um prodígio e se destacou como nunca nesse álbum. Indiquei a Righteous Hillbillies anos atrás na lista 31 bandas da nova geração do Southern Rock que você deve ouvir, agora reforço essa indicação.

No começo foi difícil engolir esse Blackfoot com músicos contratados pelo Rickey Medlocke, mas não foi preciso escutar metade de uma música para descobrir que eu estava errado. Esse é um álbum de Hard Rock, mas o Southern Rock está presente em diversos momentos do álbum. O Medlocke está de parabéns, conseguiu queimar a língua de todos, inclusive a minha, que falaram que essa ideia seria um fracasso. Escutem "Southern Native" e se divirtam.

O Bryan Sutton é um multinstrumentista, ganhador de um Grammy e um dos músicos mais experientes do Bluegrass, não temos dúvida da sua capacidade como instrumentistas, mas deixava a desejar nos vocais. Em "The More I Learn" a voz dele está ótima e conseguiu ser o destaque em diversas canções.

Se você é fã do trabalho do Pokey LaFarge, não será nenhum sacrifício gostar desse novo álbum "Shadows in the Sunset" do Jack Klatt. O som do Jake é uma mescla do Country, Blues e Jazz, mas não da forma como os conhecemos hoje em dia, ele aposta em algo mais próximo das origens dos estilos, algo quase primitivo.

National Park Radio

O Eric Assmar é uma das grandes promessas do Blues nacional e "Morning" é a prova disso. O álbum passeia por diversas vertentes do Blues e me agradou mais do que a maioria dos álbuns que escutei vindos dos EUA, e não foram poucos. Se você escutar o álbum de estreia da banda e logo em seguida "Morning", perceberá que a evolução do trio é brutal, principalmente na produção e nos vocais do Eric.

Muitas bandas de Blues tem surgido Brasil a fora e a Blues da Casa Torta é uma das que eu mais queria escutar algum material autoral. "Desventuras" é composto por quatro faixas, todas cantadas em português, uma tendência nas bandas que estão surgindo. As participações especiais do Ale Ravanello e Luciano Leães dão um prestígio a mais para o EP, que é um belíssimo cartão de visitas da banda.

A O'Connor Band with Mark O'Connor é uma tipica banda familiar de Bluegrass, onde uma lenda do estilo, Mark O'Connor, se junta aos seus familiares para formar uma banda. Raramente essas bandas dão errado e não poderia ser diferente com a O'Connor Band. O Mark O'Connor é um dos violinistas mais sensacionais da atualidade e "Coming Home" não me decepcionou.

A Pagan John foi uma das bandas que participaram da edição de 2016 do programa Superstar da Globo. A banda faz um Folk Pop de muita qualidade e está apostando nas composições em português, uma tendência que está ganhando espaço nas bandas Folk do país. "Inesperado" entrega o que os fãs esperavam da banda, ótimas baladas e letras que se conectam facilmente ao ouvinte.

"Sister Sadie" é o debut de uma banda que surgiu após um show que não era pra ser sério. A banda se reuniu pela primeira vez em 2013 para um show em Nashville e nunca mais se separaram. Todas as integrantes da banda são ótimas, mas é impossível não destacar a vocalista Dale Ann Bradley, uma das vozes mais conhecidas do Bluegrass, e a violinista Deanie Richardson, uma das minhas preferidas.

"Lonestar State of Mind" do Bo Outlaw & Loiten Twang Depot é um bom álbum de Outlaw Country, muito influenciado pelo Waylon Jennings e Willie Nelson, não chega a ser um álbum maravilhoso, mas certamente é um álbum que irá agradar qualquer fã de Country tradicional.
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