Clássicos do Blues - Little Red Rooster


Publicado originalmente no blog The Blues Never Die

Embora creditada a Willie Dixon, "Little Red Rooster" incorporou vários elementos de muitas canções de Blues anteriores. Seu tema reflete canções populares sul-americanas do século XX sob a lenda de que um galo teria contribuído decisivamente para a paz no redil. A figura do "galo" como símbolo aparece em várias músicas do repertório Blues nos anos 1920 e 1930. Duas canções deste período aparecem como sendo as precursoras do clássico atribuído a Willie Dixon.

A primeira é do influente Charlie Patton, "Banty Rooster Blues", a outra é "If You See My Rooster (Please Run Him Home)" com a lendária Mesmphis Minnie. Em ambas, as canções se encontram termos similares e linhas melódicas semelhantes que serviram como base para a versão posterior de Dixon.


Nesta versão, Dixon usa o "galo" como uma espécie de figura de linguagem tanto como metáfora e como comparação. Em um dos versos ele diz: "Eu tenho em mim um pouco do galo vermelho com preguiça de cantar." Outras versões interpretadas por diferentes artistas mantêm uma linha similar. Curiosamente, tanto nas versões de Patton e Dixon, acham-se os dizeres: "Eu tenho um pequeno galo vermelho com preguiça de cantar"..."Mantenha tudo no curral"..."Chateado em todos os sentidos."

A semelhança dos versos nos levam à conclusão de que Dixon plagiou descaradamente a música de Patton. Porém, no Blues o plágio não era algo incomum. Ao contrário, comumente os bluesman pegavam canções de outros "colegas" fazendo pequenas mudanças na letra ou na melodia e as lançando como se fossem canções de sua autoria. 

O "galo" como representação folclórica, figura entre alguns animais simbólicos presentes na "linguagem Blues", como o cachorro, o lobo, entre outros. Duas versões antológicas de "Little Red Rooster" foram as gravadas por Howlin Wolf, aliás o primeiro a gravar a versão atribuída a Dixon em 1961, e posteriormente performances carregadas de expressão, entrega, feeling e energia com a fantástica Big Mama Thornton.

Em novas postagens voltaremos a falar de canções clássicas do Blues aludindo a animais quer como figura de linguagem quer como representação simbólica.

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