Clássicos do Blues - Ain't Nobody's Business If I Do





Este belíssimo tema, Blues Standard, composto por Grainger e Everett Robbins no começo da década de vinte, foi regravado por inúmeras lendas do Blues: Sara Martin, Alberta Hunter, Bessie Smith e em épocas mais recentes por Freddie King, Jimmy Whiterspoon, B.B. King, Ruth Brown, entre outros.

A canção descreve algumas realidades e conflitos resultantes da vida em sociedade. Independente do que se faça ou do que se diga, jamais estará isento de ser alvo de crítica, como se salienta no versos iniciais da canção:

"There ain't nothing I can do, or nothing I can say / Some folks will criticize me" 
"Não há nada que eu possa fazer ou possa dizer, alguns vão me criticar"

Temas como este, sobretudo na época em que foram lançados (anos 1920), retratavam de forma fidedigna a vida de seus intérpretes. Cantoras como Bessie Smith, para se citar apenas uma entre os muitos exemplos, eram alvo de constantes críticas e preconceito, numa sociedade extremamente conservadora. Era sabido que muitas destas artistas eram bissexuais, com leis racistas severas potencializando cem vezes mais uma discriminação que já era tamanha em um país que vivia o ápice de sua infeliz segregação racial. 

O Blues mais do que um um gênero musical, era a linguagem dos negros, o seu código de comunicação, seu meio de expressar sua dor, seus dissabores, ante a crueldade infringida resultante do "pecado " de possuir uma "cor de pele" diferente. O período de segregação racial nos Estados era tão severo que envolvia: discriminação racial em instalações públicas e privadas, serviços e oportunidades. 

Foi no meio deste ambiente segregado, cruel e preconceituoso que clássicos como "Ain't Nobody's Business If I Do" nasceram. Outros clássicos do Blues também ressaltam conflitos envolvendo discriminação racial ou conflitos envolvendo dramas do cotidiano ou ainda os resultantes da vida em sociedade, eles voltarão a ser citados em futuras postagens.



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