Assistam o clipe de Jardim das Araucárias da Tiregrito


O ano era 1957.

E um bando de colonos, aqui do meio do mato, resolveu acertar as contas com as empresas colonizadoras, brigar por sua terra, defender suas raízes, e exigir respeito à cultura regional. A Revolta dos Posseiros, como ficou conhecida, é um marco para todos que vivem aqui no Sudoeste.

Aliás, todo mundo já ouviu falar. Mas entender, bem, não entende.

Fora da nossa região, a revolta foi só um vulto. Não existe nas apostilas e é contada em poucos livros de história. Parece assunto do passado, que pouco interessa, apesar de seu enorme significado.

Foi o primeiro levante agrário que, digamos, deu certo no País. É responsável pelas características que, até hoje, eu, você, seu pai, seu avô, avó e mãe, respeitamos. É responsável por essa nossa teimosia e reina típica.

Cravou no peito do Sudoeste esse marca de lutas, que hoje reflete em todo o cenário cultural e político estadual e nacional. Todo mundo sabe que não dá pra mexer com a nossa gente, aqui do fundo da grota. Não sem receber uma resposta.


O ano é 2016.

E um bando de colonos, aqui do meio do mato, resolveu tirar a poeira dos cascos e meter as mãos nas cordas, foles, goélas e batuques. Dando continuidade a um trabalho que defende suas raízes, e exige respeito à cultura regional, resolve lançar uma música nova, em um cenário que é conhecido por todos que vivem aqui no Faroeste do Paraná.

Aliás, todo mundo já ouviu falar. Mas não conhece direito. Ou não entende.

Fora da nossa região, a Tiregrito não é só um vulto. A gente estufa o peito e grita, nos palcos desse Paraná, para contar os nossos jeitos, a nossa história. Tudo, do jeito, que foi ensinado por nossos antepassados na época da revolta.

É a primeira música de um novo disco, que vem aí. Um disco que ainda não está pronto. Um disco que a gente começa a gravar dentro de 15 dias. Mas este é um primeiro passo. Foi gravada aqui, em Francisco Beltrão, tem ajuda de um monte de gente de Francisco Beltrão, e com certeza vai servir pra contar um pouco da nossa história pra essa gente de lá, de fora do Marrecas e do Chopim, que às vezes não entende porque que a gente é assim, meio acolonado.

Os agradecimentos a gente faz outra hora. Agora é hora de curtir e mostrar pro pessoal, lá fora, que aqui a gente vive num jardim, o Jardim das Araucárias.

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