REVIEW: Rival Sons - Hollow Bones



Lançado em 10 de Junho de 2016, "Hollow Bones" é o álbum mais recente do grupo Rival Sons. Para a gravação deste trabalho, a banda manteve o mesmo line-up do play anterior, o elogiado "The Great Western Walkyrie", incorporando ao time de estúdio o tecladista Todd Ögren-Brooks, que vem acompanhando a banda em apresentações desde 2015. Dave Cobb novamente foi o responsável pela produção, registrando mais um trabalho com a banda (o produtor é creditado por todos os trabalhos desde "Before the Fire" em 2009).

Musicalmente, a banda apresenta um álbum direto e bastante plural, com algumas características que de certa forma, lembram um EP (o play possui nove faixas - das quais oito são autorais, e um cover de "Black Coffee" do Humble Pie - e tem duração total de apenas 38 minutos). "Hollow Bones" foi composto e gravado durante a estadia da banda no LCS Studio em Nashville, num período total de três semanas. Isso reforça a filosofia de trabalho do grupo, baseada em criação coletiva e improvisação num curto espaço de tempo (o processo de composição dos últimos álbuns seguiu a mesma linha), optando por espontaneidade e senso de urgência, em detrimento de um foco maior na pré-produção.

"Hollow Bones pt.1" foi o primeiro single a ser divulgado pela banda, e abre o disco sem cerimônias. Os riffs mais lentos com guitarra abaixo do tom fazem sutil referência à linguagem de Tony Iommi – parece que o tempo na estrada com o Black Sabbath influenciou positivamente a banda, que aproveitou uma pausa na tour "The End" para registrar o disco.

"Tied Up" vem na sequência com um riff oitavado na entrada, e com ritmo pulsante, conduzido por Mike Miley com muito groove, interpretação e abundância de ghost notes. A música possui um apelo mais comercial, com um refrão que funciona muito bem.

"Thundering voices" é uma powerhouse que intercala estrofes secas e bem amarradas, com partes mais soltas e psicodélicas; o vocal competente de Jay Buchanan se mantém sempre no topo da canção, seja na melodia principal ou nos backing vocals.

"Pretty Face" é uma canção curta e tem estrutura e timbres que remetem ao rock sessentista, com timbres de guitarra bastante influenciados por surf music.

"Fade out" relembra em seu compasso ternário e intenção blues, canções como "Where I’ve Been" do álbum anterior e "Jordan" (do álbum "Head Down"), turbinadas pela guitarra fuzz incessante e fervorosa de Holiday, que tem um spot bem interessante na parte do fim.

"Black Coffee" é uma versão da canção do Humble Pie, originalmente gravada em 1973. A banda reproduz com fidelidade o clássico (o timbre de voz de Jay assemelha-se bastante ao de Steve Marriot), acrescentando apenas um final diferente.

Caminhando para o fim do disco, temos a canção "Hollow Bones pt. 2", a maior do disco. A exemplo dos álbuns anteriores, a banda guarda as canções mais extensas e complexas para o fim da segunda metade do disco, e aqui não foi diferente. A música explora a dinâmica com muita propriedade, esta aliás uma grande característica do Rival Sons, construindo um clímax sobre um padrão rítmico que se repete continuamente, ora cortado por licks delirantes da guitarra de Holiday, capazes de colocar o ouvinte em transe, ora reforçado pelas intervenções soberbas de Jay Buchanan.

E pra aliviar o clima, a singela "All That I Want" apresenta um arranjo simples e belo. Tendo apenas o violão como pano de fundo (seguida aos poucos por cordas, baixo, bateria e guitarra) a voz de Jay soa relaxada e franca, fechando o álbum de maneira calma e tranquila.

"Hollow Bones" apresenta um passo firme na continuidade da carreira da banda, mantendo os timbres e a linguagem vintage já cimentados pelos trabalhos anteriores, e aventurando-se ainda por territórios novos, principalmente no que diz respeito ao formato e à fluidez do play (mais fragmentada do que seus antecessores, por conta das características distintas de cada canção, embora a mix caprichada do disco coloque tudo na mesma página).

A impressão final é bastante positiva, pois o trabalho não tem a pretensão de ser uma grande produção, cheia de detalhes sutis a serem percebidos em dezenas de audições, pelo contrário: atende ao imediatismo de uma linguagem pop cada vez mais plural, e revela uma banda que ainda se mantém fiel ao seu processo de imersão na criação musical, fazendo música orgânica, de qualidade e criada coletivamente em prol do bom e velho Rock’n Roll.

Rodrigo Lopes é guitarrista e compositor da banda Republique du Salem e produtor musical.
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