6 músicos para iniciar no African Blues


Todos nós sabemos que o Blues nasceu no sul dos Estados Unidos e foi desenvolvido pelos negros ao longo dos anos, mas seu DNA é inegavelmente africano. Muitos estudiosos do Blues e etimologistas dizem que as origens do Blues americano podem ser atribuídas às tradições musicais da África. Não vou entrar nessa discussão, é algo muito complexo para se resumir em poucas palavras.

Quero apresentar alguns músicos de uma cena pouco conhecida por nós. Se quiserem ler algo mais complexo, indico os artigos Desert Blues Africa and The Blues: An Interview with Gerhard Kubik. Essa postagem tem como objetivo introduzir vocês ao som que é feito na África, principalmente na maravilhosa cena musical do Mali.

"Tem blues específicos de todas as partes: do Mali, do Estados Unidos, da França... e do Brasil. Nos EUA, ele tem ligação forte com o jazz, mas no Mali, não. Ele tem mais a ver com os ritmos de dança daqui. Por isso é um tanto diferente... mas todo lugar tem que ter o seu próprio blues, não é?" Boubacar Traoré em entrevista para o Jornal O Globo

Ali Farka Touré


Impossível começar uma lista sem citar o malinês Ali Farka Touré, um dos músicos africanos mais admirados no mundo. Ali ficou conhecido por seu estilo que era um meio termo entre a música tradicional do Mali e o Blues americano.

Ali morreu em 2006 e influenciou toda uma geração de músicos africanos, nos deixando de presente uma grande discografia para ser apreciada. Eu indico começarem com "Talking Timbuktu", álbum gravado em 1994 em parceria com o Ry Cooder.





Tinariwen


A Tinariwen é mais uma joia o Mali. O grupo de Tuareges está na ativa desde 1979 e viveu por anos na Argélia. O reconhecimento veio no final dos anos 1990, período em que começaram a tocar em grandes festivais (Glastonbury, Coachella, etc.) e a ganhar fãs bem famosos (Carlos Santana, Robert Plant, Bono Vox e  Edge do U2 e muitos outros).

Em 2007, a banda lançou o aclamado "Aman Iman" e em 2012, ganharam o Grammy na categoria Best World Music Album com "Tassilli".



Songhoy Blues


O Mali é o Mississippi da África! O país pode ser um dos países mais pobres do mundo, mas tem uma cultura riquíssima e muitos fãs de Blues.Assim como os músicos anteriores e os que ainda serão apresentados, a história da Songhoy Blues é marcada pela perseverança, pelo amor à música. A banda foi formada em Timbuktu, mas que foi forçada a se mudar para Bamako, capital do Mali, após a invasão do Movimento Nacional de Libertação do Azauade, que implementou a Sharia na região.

Assim como outros músicos dessa lista, a Songhoy Blues mistura diversos elementos da World Music e criou um estilo muito interessante. A banda estourou em 2015 com o álbum "Music in Exile", que foi figurinha carimbada em quase todas as listas de melhores álbuns do ano que li e os críticos não pouparam elogios. Hoje a banda vive em Londres e está rodando o mundo.




Habib Koité


O Habib Koité é mais um músico proveniente da frutífera cena musical de Mali. Koité nasceu em uma família de músicos e  Instituto Nacional de Artes em Bamako. O músico já lançou oito álbuns, cinco de inéditas, dois ao vivo e um colaborativo, "Brothers in Bamako", com o bluesman americano Eric Bibb. Indico escutem também a faixa "Back Around", uma parceria dele com a diva Bonnie Raitt.

Assim como a maioria dos membros dessa lista, Koité mistura ritmos tradicionais do Mali com Blues e outros estilos. Se você já comprou um computador com o Windows Vista, já deve ter escutado algo do Koité. As faixas "I Ka Barra" e "Din Din Wo", ambas do álbum "Muso Ko", vieram inclusas nessa versão do software.





Boubacar Traoré


O Boubacar Traoré foi um dos pioneiros na guitarra no continente africano, ficando conhecido por misturar o Blues americano com a música árabe e ritmos tradicionais do Mali. Nos anos 1960, Boubacar era um superstar no Mali e um símbolo de um país que tinha conquistado sua independência recentemente. Suas músicas eram populares, mas o músico era pobre. Traoré não fez nenhuma gravação e as rádios não pagavam royalties, obrigando o músico a fazer biscates para sobreviver.

Os anos se passaram e ele foi esquecido, aparecendo novamente só em 1987. Sua esposa morreu logo em seguida e foi o motivo da mudança do músico para a França, onde trabalhou na construção civil para sustentar sua família. Nesse período sua música foi "descoberta" por uma produtora britânica e, finalmente, Boubacar assinou sem primeiro contrato musical, lançando seu debut em 1990. Desde então, Traoré lançou nove álbuns de estúdio e tem desfrutado de fama internacional e realizado apresentações pela Europa, África e América do Norte.



Toumani Diabaté


O Toumani Diabaté é mais um músico da cena de Mali, sendo muito conhecido por ser um exímio tocador de Kora, uma espécie de harpa com 21 cordas, instrumento exclusivo da África Ocidental. As suas influências mais marcantes são o Jazz e o Flamenco, mas o Blues apareceu muitas vezes em sua discografia. Em 1999, lançou o álbum "Kulanjan" em parceria com o Taj Mahal, celebrando a união do Blues americano com a música da África Ocidental. O presidente dos EUA, Barack Obama, incluiu o CD em sua lista de favoritos. Mas esse não foi o melhor álbum colaborativo do Toumani.

Em 2005, Toumani se juntou ao Ali Farka Traoré para lançar o maravilhoso "In the Heart of the Moon", aclamado pela critica, ganhador de um Grammy e um dos últimos registros do Ali Farka. Indico o álbum "A Curva da Cintura", uma parceria do Toumani com o Arnaldo Antunes e o Edgard Scandurra.




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