Alceu Valença, o folk-fake e a imposição cultural


O texto não é tão profundo como o título.

"A liberdade não é tanto o poder para escolher entre vários possíveis, mas o poder para autodeterminar-se, dando a si mesmo as regras de conduta." Essa é uma citação da Marilena Chauí e seguindo sua linha de raciocínio, eu decidi ser um ativo, ou seja, "aquele que controla interiormente seus impulsos, suas inclinações e suas paixões." 

Sou filho de um paraibano com uma carioca, cresci escutando todos os gêneros que compõem nossa música popular, nunca me apaixonei por nenhum e encontrei na música americana, principalmente Country, Blues e Folk, algo com me identifiquei. 

Eu cheguei a esses estilos por causa da minha eterna curiosidade, pela minha paixão em descobrir novos sons, minha escolha não foi fruto de uma "colonização cultural", de uma propaganda massiva da mídia ou da influência de amigos, eu decidi o que escutar, decidi ser ativo, escolhi controlar essa parte da minha vida.

Por que diabos estou falando isso? A culpa é do Alceu Valença e do Folkdaworld. Tudo começou por causa desse post do cantor no Facebook:

"Recebi um convite para fazer um show numa vaquejada. Esses eventos tinham como trilha musical xotes, xaxado, baião, toadas e outros gêneros musicais brasileiros. Acontece que o contratante e curador responsável pelo show queria fazer um mix de nossas músicas com a Country Music. Releguei o convite e compus esse folk-fake, pensando no domínio cultural que nós brasileiros somos submetidos e aceitamos sem pensar. OK, baby?"

O contrante foi um babaca? Foi! Empresários fazem isso, eles querem replicar os sucessos do momento. Isso não é uma novidade e muitos menos uma invenção brasileira, basta olhar a cena Bro-country e Pop country nos EUA, onde os músicos são replicados e a qualidade não. Eu concordo plenamente com tudo o que foi feito e falado pelo Alceu Valença.

Escrevi tudo isso por causa de uma frase escrita pela querida Maísa Cachos: "O que eu sinto é pena por deixarmos de valorizar a música regional brasileira para supervalorizarmos a cultura de outro país." Aqui eu estou descontextualizando a frase, por isso peço que leiam a opinião completa, mas esse é um mantra repetido por essa geração que faço parte e me incomoda demais.

Perdi a conta de quantas vezes fui criticado por ser muito "americanizado", por não ter como ídolos músicos brasileiros, por não saber dançar forró ou samba, essa é uma mania que está crescendo: as pessoas não respeitam suas escolhas, elas acham que as delas são as melhores, então você deve segui-las. Como disse lá no começo, escolhi ser um sujeito ativo, escolhi não ser passivo no que diz repeito ao meu gosto musical.

Vamos parar com essa imposição ética, deixem as pessoas gostarem do quiserem, se preocupem com seus gostos e não tentem criar uma cultura na base da imposição, isso nunca deu certo. Reclamam da dominação cultural, mas acabam fazendo o mesmo.

PS: O texto da Maísa só me instigou a desabafar, adorei a opinião dela.
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