Faixa a Faixa: Republique du Salem comenta novo álbum


O novo álbum da Republique du Salem, "Republique du Salem", gerou grande expectativa desde o anúncio do seu produtor, Marc Ford, guitarrista e ex-membro da The Black Crowes. A banda viajou para os EUA e gravou o álbum no estúdio do guitarrista em Long Beach, Los Angeles (CA).

"Republique du Salem" está bem diferente do primeiro álbum da banda e não falo isso só pelo fato da maioria das canções serem cantadas em inglês, o amadurecimento da banda é visível.

A banda comentou o álbum faixa a faixa para o Southern Rock Brasil. Confiram:

1 - Take the Risk

Davi Stracci: Segunda na ordem de composição, porém decidimos que seria a primeira do disco e em função disto gostaríamos que ela fosse direta, que já mostrasse a que veio; na demo o beat era significativamente mais acelerado, tinha uma ponte a lá Hendrix, porém na gravação o Marc Ford (produtor) sugeriu que fosse mais swingada, introduzindo o twang, e também pediu para trocarmos a ponte da música o que a princípio não gostamos da ideia, mas com o tempo nos acostumamos e hoje entendemos que foi o melhor para a música.

2 - I Will wait for you (blues for Nina)

Guido Lopes: A base da musica veio do riff de guitarra a la Jimmy Page, com uma levada de bateria bastante expressiva. O compasso 3/8 e o andamento acelerado provocaram a instabilidade que queríamos (a letra fala sobre descompassos num relacionamento, com o personagem masculino falando nas estrofes, e o feminino respondendo nos refrões). “Blues for Nina” é uma discreta homenagem a Nina Simone, influência direta para as linhas vocais “femininas” no refrão, e inspiração para a história por trás da letra (além do ativismo racial, a cantora também foi conhecida por episódios turbulentos na vida pessoal). 

3 - Path of Cain

Guido Lopes: A primeira demo de “Path of Cain” tinha apenas a linha de violão com a “espinha dorsal” da música (introdução, estrofes, ponte, refrão, etc). Mostrei ao Davi e ao Nae, e fomos incorporando os instrumentos/vocal em cima dessa estrutura. Chegamos num break, e o Nae deu a idéia da “Jam” no final da música, em cima de um fragmento do riff principal, só que num compasso 7/4. A utilização do violão na linha de frente, e a incorporação da gaita e do lap steel, bem como o vocal num registro mais grave trouxeram essa vibe mais pesada, sinistra, meio southern. 

4 - What You’re Like

Guido Lopes: essa música veio da nossa ideia em querer fazer algo mais solto, mais improvisativo. Acho que aqui a gente teve influencias como Funkadelic, Hendrix, James Brown... na produção, o Marc mexeu no andamento, deixando a música mais lenta, mais swingada. Cara... foi um desafio adaptar e regravar essa música, já que estávamos modificando e já gravando “ao vivo” (eu no baixo, o Nae na batera, e o Davi no vocal).

Quando sentimos que o take ideal estava perto, alguém comentou que ninguém ia almoçar sem que antes terminássemos a cozinha (seção rítmica). Pensei “20 minutos é o tempo que precisamos, agora vai”. Pressionados pela falta de hambúrgueres (principalmente o Nae Silva), fizemos “a boa” e fomos almoçar (risos).

5 - Interlude (uspoken words) 

Guido Lopes: “Interlude” é um trecho de um instrumental que eu compus um tempo atrás. Achamos interessante criar um “respiro” na dinâmica do disco, preparando o clima para introduzir uma canção mais leve, e essa peça caiu como uma luva, suavizando a transição da “What You’re Like” para a “Closer”.

6 - Closer

Guido Lopes: Primeira música que escrevemos para o álbum novo (o título provisório era “Friend”). A melodia veio de forma simples, uníssona entre violão e vocal. Na primeira demo gravei somente violão e voz, em cima disso trabalhamos em Studio e gravamos uma versão mais elétrica; no fim o Marc preferiu uma versão acústica, “mais frágil, quebrantada” segundo ele. A canção fala sobre um amor incondicional.

Nae Silva: Nunca me esqueço o primeiro play de “Closer”; o Guido me enviou uma demo dele cantando e tocando... lágrimas caíram...

7 - Down the Narrow Road

Davi Stracci: Talvez seja a mais antiga em termos da idéia original (surgiu em uma jam em algum ensaio de 2013, se não me engano o Raul Lino ex-baterista da banda sugeriu um riff e dali surgiu o escopo de uma música mais direcionada ao Hard-Rock). Viemos a retomá-la às vésperas de nossa ida à terra do tio Sam, como já estávamos em outra fase musical ela sofreu uma metamorfose, levamos a música mais para o lado do blues.

Nae Silva: Enquanto todos no studio falavam de uma sonoridade próxima à Lenny Kravitz.... eu pensava: Foo Fighters!!! (risos)

8 - Drink your Wine

Davi Stracci: Acredito que, de todas as composições deste disco, esta seja a mais despretensiosa... acordei um dia cantarolando o que veio a ser o riff da música, mostrei para o Guido ele gostou, transformou o riff em uma linha de guitarra que foi apresentada em um ensaio. Lembro que o Nae contribuiu bastante para a parte mais improvisada, em relação às ideias (obviamente que além da parte rítmica); e de forma rápida e sem muita teoria, ela surgiu como a conhecemos.

Nae Silva: Acredito que seja a música que mais coloquei minha cara. Foi bastante natural ouvir como teria que soar. E o Davi conseguiu colocá-la no melhor estilo LedZep que queríamos...

9 - Latindo

Davi Stracci: Nela desejamos exprimir sob a ótica sessentista o que nos aproxima em termos de cultura, portanto optamos por uma abordagem mais rítmico-latina, utilizando-a como mote, acompanhada de uma harmonia mais psicodélica e de uma letra ácida... ainda que pareça paradoxal.

Guido Lopes: legal citar que todos no studio gostaram da “brasilidade” da música... o Marc incentivou o Nae a criar uma textura rítmica bem forte, e o Davi buscou um approach diferente pro vocal, que fizeram uma boa diferença no resultado final.

10 - Into the Silence

Guido Lopes: Última música feita para o álbum... a idéia aqui era flertar um pouco mais com o rock progressivo do fim dos anos 60. A demo original ultrapassava 10 minutos e estava dividida em partes, e tinha uma parte toda “accapella” em cima de clusters de acordes, que não mantivemos para a versão final. Alguns detalhes pequenos fizeram uma boa diferença: numa determinada seção, fazíamos uma harmonia vocal com sétimas maiores, mas estávamos incomodados; “arredondamos”, mantendo as consonâncias e acabou soando mais “Beatles”.

11 - Go Ye and preach my Gospel

Davi Stracci: Sugeri esta música no último dia de gravação e sentimos que deveríamos gravá-la, o Marc e o Anthony gostaram da ideia e à noite recebemos a visita de alguns amigos que acabaram gravando com a gente, a vibe estava tão boa que o primeiro take da gravação (quando ainda estávamos nos preparando) se tornou o melhor; tentamos mais umas duas vezes, mas nenhum soou como o primeiro.  

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