Faixa a Faixa: Rio Grande comenta Rose's Cafe


O segundo disco da Rio Grande foi gravado no Groovie Studio, em Piracicaba (SP) (exceto os solos de Gipsy Spell e Uneasy, captados no Cakewalking Studios, em São Paulo). Produzido por Cláudio Formiga e mixado pela Rio Grande, o CD conta com convidados mais do que especias: Adriano Grineberg (piano), Edu Gomes (guitarra), Pa Moreno (backing vocals) e Matheus Marconi.  O disco foi materizado no Mosh Studios, em São Paulo (SP).

Praticamente todas as músicas foram compostas no período de pré produção: nos reuníamos no estúdio e, a partir de um riff, uma levada ou até mesmo uma ideia para letra, a gente discutia como desenvolver isso. Definíamos quais instrumentos usar, os timbres, quem faria a intro, como seriam os grooves e levadas, quais seriam as dinâmicas, os solos… isso tudo sem ensaiar! Apenas conversando e tocando violões e gaitas. São doze composições próprias que contaram com a parceria de Rafael Moral nas letras. Mais informações, músicas, vídeos e links para redes sociais estão no site

01) Let's Play

A primeira faixa do disco foi também a primeira música a ser trabalhada. Aliás, foi uma das únicas que chegamos a ensaiar antes de gravar. É um blues repleto de trocadilhos relacionados a duas coisas importantes na vida do ser humano: comida e sexo! Foi a última faixa que nomeamos, seguindo o mesmo padrão de duplo sentido da letra. A sonoridade de Let's Play é um retrato da Rio Grande ao vivo, com guitarra e gaita sempre conversando e bateria e baixo groovando em sintonia.


02) Rose's Cafe

A faixa título é uma das mais pesadas do CD, abusando das guitarras e gaitas distorcidas. Cláudio Formiga abre a música com um riff marcante de slide com a guitarra em "drop D". Rose's Cafe é uma jukejoint que já viveu seus dias de glória e hoje é um "inferninho". Quem nos apresenta o local, sua clientela e suas histórias é o experiente e impaciente barman. A levada de bateria de Bida brinca com deslocamentos de acentos sem perder o peso. A ideia inicial da letra foi concebida de maneira ébria durante uma viagem de Formiga com o baixista Thiago Barros.


03) White Shoes

Outra característica marcante da Rio Grande aparece na terceira faixa: a preocupação em abranger os mais variados estilos do blues. Ela começa com um ar rural, para depois quase virar um boogie, que se intercala com solos de gaita em um shuffle tradicional. A letra é inspirada no surrado e velho tênis branco que Thiago Barros usa todos os dias, um fiel e confortável companheiro.


04) Sold

O gaitista André Godoy constrói o clima da música mais próxima ao southern do disco. Sold foi composta a partir da versão que a Rio Grande fazia de Ramblin' on mind, de Robert Johnson. A maior lenda do blues é a inspiração para letra: o encontro de Mr. Johnson em uma certa encruzilhada. A faixa é a mais longa do CD, são seis minutos de crescendo contínuo, culminando em solos intensos de guitarra e gaita.


05) Gipsy Spell

Outra música na qual a Rio Grande teve o cuidado de construir um clima relacionado à letra. André Godoy deixa a gaita de lado e assume a guitarra para fazer o riff Electric Texas dessa canção. Os backing vocals de Pa Moreno permeiam toda a música, em um verdadeiro feitiço cigano. Baixo e bateria repetem o groove hipnotizante que só se altera no solo final. A guitarra base de Formiga abusa do trêmolo para construir a cama harmônica na qual o lendário Edu Gomes deita e rola com solos repletos de bends e fraseados marotos.


06) Life Goes By

Uma música tranquila, com o violão e gaita conversando sempre com o piano gravado por Matheus Marconi. Uma letra bastante pessoal de Cláudio Formiga, com refrão marcante e de opinião forte.  Os solos de violão com slide contribuem com a atmosfera relaxada da faixa.


07) Far And Near

O baixo fretless de Thiago Barros cria a cama melódica para o dobro gravado por Formiga. As vassourinhas do baterista Marcelo Bida contrastam com um bumbo bastante presente durante toda a música. Os backing vocals de Pa Moreno aparecem em momentos chave da balada do disco, criando uma atmosfera quase angelical. Após o solo de guitarra de Formiga com timbre todo fechado no meio da canção, o solo final fica por conta de André Godoy, que sobrepôs três gaitas conversando entre si. A delicada letra é uma homenagem de Formiga para sua namorada.


08) Get Me Out

A distorção volta com força na oitava faixa do CD. Guitarra, gaita e baixo  utilizam timbres sujos para repetir o riff que conduz a música e contrasta com a levada em contratempo dos versos. O pesado solo do Formiga é o único do disco gravado com uma  Les Paul ao invés da Strato. Marcelo Bida ataca peles e pratos com força na volta do solo e o vocal tradicional é somado a uma segunda linha de voz, gravada com microfone de gaita. No solo final, mais uma vez, a gaita de André e a guitarra de Formiga conversam fluentemente.


09) Uneasy

Tendo como pano de fundo a nossa relação com dúvidas, medos e angústias inerentes à vida, esse slow blues conta com o piano "na veia" de Adriano Grineberg. O baixo executa uma linha melódica com timbre rasgado. As levadas de bateria criam dinâmicas para os climas dos solos. Mais uma vez, a cozinha desloca acentos durante toda a faixa. Uma música na qual o choro intenso da guitarra só é interrompido pelo solo espacial de Adriano.


10) Deep Red

A faixa com sonoridade mais moderna de Rose’s Cafe conta a história de uma vampira. Mas não imagine uma criatura de capa e caninos afiados, ela é uma vampira contemporânea, que usa artimanhas e charme para conseguir o que quer. O riff da música é dobrado com gaita e violão. O refrão também é dobrado, como se a feiticeira e o enfeitiçado cantassem juntos. O primeiro solo é de gaita e o solo final fica por conta do violão.


11) It's A Deal

O baixo com envelope filter faz a introdução desse blues funk. A bateria entra logo depois e apenas a cozinha conduz durante alguns compassos. O clavinete de Matheus Marconi se une ao baixo para reforçar o groove da música que conta um sonho sexy / musical. A sessão de solos começa com o wha wha sapeca de Formiga e, logo depois, André usa um copo de vidro para projetar o som funkeado de gaita. It's a deal sobe de intensidade e tom na parte final e termina com um groove envolvente.


12) Wagging Tale

A última faixa do disco é a de instrumentação mais diferente, toda acústica. Bida puxa a música usando a frigideira da vó, washboard e quebra queixo. Formiga, com o dobro e o violão, e Thiago, com o baixo acústico, entram de forma solta e descontraída para prestar uma homenagem aos nossos fiéis companheiros, os cães. No fim, André saca uma última surpresa: o kazoo fazendo contraponto com a gaita no solo final.

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