Entrevista: BraveHeart fala sobre seu novo álbum, Dedicated to my Heart


Ao longo desses quase 5 anos de Southern Rock Brasil, a Braveheart foi uma das bandas mais ativas das que acompanho no Brasil. A banda lançou diversos singles, vídeos e campanhas muito interessantes, principalmente a das BraveGirls, os caras nunca deixaram seus fãs sem novidades.

A banda irá lançar seu novo álbum, "Dedicated to my Heart", no dia 14 de setembro, então resolvi mandar algumas perguntas para a banda. Nessa entrevista eles falam um pouco sobre as mudanças no som da banda, as motivações, como foi o processo de composição das faixas, o trabalho com o Ryan Dorn (produtor dos dois últimos álbuns do The White Buffalo) e outras coisas.

A entrevista está muito legal, espero que curtam.

Filipi Junio - O som da banda mudou bastante, qual o motivo dessa mudança e as bandas que influenciaram vocês?

Marcos: Veja bem, Filipi, eu e o Michael sempre curtimos bastante o southern/country/folk mais voltado para o acústico, aliás, é o que mais escuto. Sempre flertamos com a ideia de lançar canções acústicas e sempre que possível fazíamos versões diferentes de nossas próprias músicas, quando chegamos ao ponto de ficar sem baterista, decidimos nos dedicar e colocar essa ideia em prática, inclusive no inicio era o próprio Michael gravar as bateras pois ainda não tínhamos arrumado ninguém para a bateria, foi então que o Silvio entrou na banda e abraçou a causa de dar vida à esse trabalho, ele entendeu o que queríamos e foi crucial nos vários processos que envolveram desde a composição de algumas músicas que ainda não estavam definidas, até como a gente iria trabalhar esse álbum depois de pronto.

Michael: Mudanças….mudanças são sempre boas né? Afinal, é através delas que a gente sai do conforto e tem que saber se virar neste novo modelo de vida, a busca por detrás de novos desafios, conhecer novos horizontes, novas oportunidades, e neste caso, um novo público, uma nova forma de expressar-se através da música, uma nova banda por assim dizer.

Estávamos vindo numa crescente muito boa de 2013 pra cá, e parecia que tudo estava caminhando para algo muito bom, e realmente foi, mas depois de videoclipes, singles, coletânea, codecards, premiações em festivais, abertura de shows importantes como Deep Purple e Sepultura, as maravilhosas bravegirls e nossa loja de merchandising, o inesperado veio… Perdemos um dos integrantes em um momento que não esperávamos. Muita gente não sabe, mas nós resolvemos tirar o Maggot da banda, porque ele já não estava mais dentro deste molde que havíamos construído, desta banda que precisa ser pensada como empresa, e ele não aceitava esta forma como estávamos recolocando a banda no mercado.

Foi então que amarguras vividas no passado começaram a ecoar mais fortemente dentro de mim e do Marcos, e olhamos uma possibilidade de resgatar uma ideia antiga, de fazer um álbum mais introspectivo, que pudéssemos contar coisas que estavam guardadas dentro da gente, e que com certeza, muitas pessoas iriam se identificar com as letras que foram criadas para estas canções. A principio nem havíamos pensando em baterias para este trabalho, pois pensávamos que iríamos demorar para achar alguém que encaixa-se da forma que estávamos pensando. Até Janeiro estava certo que o novo álbum seria gravado apenas por mim e pelo Marcos. Dentre este tempo, fizemos muitos testes de performance na bateria, mas entendemos que o precisávamos além de um bom músico, era sim O terceiro elemento, que realmente somasse e pudesse passar sua experiência de vida dentro das canções e ajudar neste caminho que traçamos para a nossa banda.

Fizemos uma pequena série de comentário sobre o novo álbum (que inclusive foi matéria aqui no Southern Rock Brasil), para explicar aos fãs, amigos e futuros adoradores da banda, o porque desta mudança necessária no momento que a banda se encontrava. Eu mesmo comentei isso no primeiro episódio, "não que iremos mudar o nosso som...", porque gosto muito de tocar pesado também, e esta energia no palco é fenomenal, mas as dores e culpas vividas falaram mais alto, e vomitamos isso pra fora de uma forma que consideramos belíssima. (mesmo soando bem estranho neste momento esta frase. hahahaha).

Quando decidimos gravar o álbum, eu particularmente já estava escutando muito The White Buffalo, Blackberry Smoke e tantas outras coisas boas deste meio, que a sonoridade começou a se misturar com nossos exemplos, mas claro que velhas influências também estão lá, como Pride and Glory, Cash.

Filipi Junio - Como foi a composição das faixas do álbum? Quem mais compõe na banda?

Marcos: As músicas sempre surgem com uma levada de violão/guitarra nos ensaios, então o Michael já vai inventando uma linha melódica de vocal sem letra e o Silvio vai adicionando a batera, parece meio bagunçado, mas funciona porque nós temos uma ideia muito semelhante pra onde a música deve ir. Acho que não dá pra dizer quem compõe mais porque compomos juntos, que eu me lembre não teve nenhuma música que eu tenha trazido pronta de casa ou algo assim.

Michael: O processo de composição da banda sempre foi da mesma forma. Marcos chega com um riff de casa (não a música inteira, apenas um riff), ou constrói na hora do ensaio e saímos gravando e tocando com melodias no vocal sem letras específicas (e por sinal, isso fica por um longo tempo, até gravarmos , hahahaha) mas tenho certeza que agora com o Silvio isto irá mudar um pouco, pois ele é um cara que gosta muito de focar nas letras, e acredito que isso será uma mudança muito importante pra a banda. Na verdade, neste álbum isso já aconteceu, foi um processo diferente de escrever as letras, eu nunca tinha compartilhado meus sentimentos com outra pessoa. No inicio da banda, eu apenas passava as ideias que queria para o Ronaldo Bohlke (primeiro guitarrista do BraveHeart), e ele escrevia. Depois eu acabei tentando criar algo juntamente com a minha noiva Suzy em "Cold Mind", "GoodFellas", "It Could Be Right", "Finding My Way", o que já foi bem diferente, mas desta vez, a banda estava envolvida em todo o processo, todos pensando em prol de um único objetivo, inclusive pessoas com vivências no inglês nos ajudaram em vários quesitos daquilo que culturalmente para os americanos faz mais sentido, e agradecemos imensamente a esposa do Silvio, Larissa de Pieri, e a sua amiga Luana Schafhauzer por isso e ao próprio Silvio .

Filipi Junio - Como foi ter o álbum masterizado pelo Ryan Dorn, que trabalhou nos dois últimos álbuns do The White Buffalo?

Michael: Ryan Dorn foi um nome que surgiu de brincadeira num dia de ensaio, onde estávamos pensando que nosso som poderia ser trabalhado lá fora. Resolvemos escrever e ele nos retornou querendo saber mais sobre a banda, e foi a nossa surpresa ao saber que ele se interessou pelo trabalho e mandou sua proposta, aceitamos e recebemos muitos elogios por ele, um cara que pra gente tem muito valor, pois fez excelentes trabalhos com Jake Smith e seu The White Buffalo.

Estávamos entre ele e o produtor do Blackberry Smoke que foi muito atencioso conosco também, mas sentíamos que este trabalho em especial, deveria ser finalizado pelo Ryan. Saber que ele masterizou praticamente na mesma época que "Love and the Death Damnation", e que Jake Smith e Bruce Witkin também escutaram nosso som, foi uma honra! Particularmente, os caras da banda vão morrer ouvindo isso de mim, mas receber um elogio de Ryan Dorn dizendo que ele adorou os meus vocais! Ouchhhh, qualé? O cara grava o Jake e ainda achou meu vocal bom, PQP! Ganhei o ano!!!hahahahaha

Todo o processo de gravação foi feito rapidamente, pois tínhamos uma missão de gravar algo para um acústico da rádio Mundo Livre aqui de CWB. Quando fomos conversar com o Vinicius, do Nico's Studio, sabíamos que aquele material não poderia ser gravado ao vivo, rápido e sem sentimento envolvido, foi quando decidimos bancar dois dias inteiros de estúdio e fazer acontecer. Para isso, precisamos fazer muitas prés e trabalhar em casa enquanto nosso baterista estava de lua de mel. Foi uma grande loucura, comunicações constantes, guias sendo enviadas para Dropbox/Drive e afins para chegarmos e entendermos de vez o que queríamos. em dois dias de estúdio, matamos tudo o que era necessário. Resolvemos mixar na mesa analógica do Nico's e mandamos a mix para o Ryan, que ficou uma semana escutando as músicas até entender o sentimento que estava envolvido, inclusive ele também viu os vídeos, e nos agradeceu por enviá-los, já que tendo a legenda em inglês, ele compreendeu de forma plena o trabalho desenvolvido.

Marcos: Acho que pra gente foi a cereja do bolo, como somos muito fãs do The White Buffalo isso se tornou uma realização pessoal muito grande, entramos em contato com a Unison Music assim que tivemos a ideia, mas estavam bem ocupados finalizando o "Love and the Death Damnation" com o Jake e demoraram pra responder, já estávamos quase desistindo quando tivemos a resposta e à partir daí rolou de fazer. O mais bacana de tudo foi que o Ryan entendeu o que pretendíamos com o álbum e gostou do som, então quando recebemos a master foi indescritível, tudo onde tinha que estar, enfim, pra gente era o toque final que esse trabalho merecia pois tem uma importância pessoal muito grande pra nós.

Filipi Junio - Para finalizar, falem um pouco mais do álbum.

Michael: Todo o trabalho foi pensando em nossos pais e pessoas que foram, são e serão importantes para gente. Gravamos recentemente o videoclipe da música "Finding my Way", que basicamente fiz para a minha mãe e envolvemos todo o clipe em cima desta atmosfera, e foi um dia de muita emoção para toda a banda, pois deixamos pelo cenário, fotos dos meus pais, do pai do Marcos e da mãe do Silvio que já não estão mais entre nós. Realmente uma música muito importante pra gente, e o videoclipe será bem especial também.

Na sequência, estaremos produzindo o videoclipe de "Who"s to Blame?", música que resolvemos lançar antes de "Finding my Way". O álbum estréia dia 14 de Setembro, data esta, que seria o aniversário de 68 anos do meu pai. O álbum contará com 7 faixas, sendo elas, "Who's to Blame?" / "Guilty" (música que fiz para o meu pai) / "A Christmas Carol" / "First People" / "Finding my Way" / "Remember Who You Are" (música feita para Suzy Curti) e fechando com "Don't get me Wrong", a mais rock’n’roll do disco.

Desta forma, espero que todas consigam compreender tudo o que está sendo envolvido nestas letras, o disco é denso, emocional, e acima de tudo, BRAVEHEART.

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