Meus ídolos morreram ou estão bem perto de morrer, o que fazer?



Na quinta fui assistir as bandas Santa Dose e O Berço no CCCP, lá encontrei o Leonardo França, baixista da banda Ali na Esquina, e durante a conversa surgiu o assunto ídolos do passado e do futuro, falamos bastante sobre o assunto e a morte do B.B. King me fez pensar ainda mais nessa questão. Meus ídolos morreram ou estão bem perto de morrer, o que fazer? A resposta é muito óbvia para mim, preciso encontrar novos ídolos!

A muitos anos mudei a forma de ver a música, sou cada dia menos saudosista e cada dia mais focado em conhecer novas bandas. Eu não nego o que foi feito no passado, seria um completo idiota se fizesse isso, mas estou mais preocupado em encontrar os ídolos da minha geração, aqueles músicos que um dia irei viajar para fora do país e levar meus filhos para assistir, que daqui 20, 30 anos irei escutar um novo álbum deles e me lembrar da sensação de como foi escutar o seu primeiro trabalho.

Eu passei a me preocupar com isso em 2012, logo após o Gregg Allman ter abandonado um dos shows do Allman Brothers no Beacon Theatre. Desse momento em diante passei a procurar por novas bandas, comecei a escutar tudo que encontrava na internet e graças a isso, ao longo dos últimos anos conheci artistas que já são meus ídolos e serão por muito tempo.

É muito fácil se esconder atrás do discurso do "rock morreu" e do "não se faz mais música como antigamente", os fãs estão preguiçosos, gostam de viver atrelados ao passado e adoram negar o presente, por isso adoram repetir esses dois discursos sem embasamento algum. Existem centenas de novas bandas que estão fazendo um som digno dos anos 60 e 70, basta os fãs abrirem os olhos e perceberem que a "boa música" ainda está viva, independente dela estar ou não nos grandes veículos de comunicação. E como disse o Luciano Ribeiro do PdH, "tenho uma tendência a achar que o rock não está desaparecendo. É só a gente que está olhando no lugar errado".

Não aceitem o discurso de muitos jornalistas e músicos pessimistas, Gene Simmons foi o que expressou seu descontentamento mais recentemente, a indústria musical não é a mesma de 30 anos atrás, nunca irá retroceder, então temos que nos acostumar com os novos métodos. Se antes as pessoas iam as lojas de vinil garimpar bandas, agora fazemos isso no Youtube, Spotify e Pirate Bay. O mundo muda e quem não acompanha as mudanças, está fadado ao fracasso. A indústria musical demorou para perceber isso, pagou um preço caro, mas está recuperando o tempo perdido e se adaptando. Adapte-se também.

Essa minha busca por novos ídolos já gerou três listas, uma com bandas de Southern Rock da nova geração, outra com novas bandas de Country e Bluegrass e, mais recentemente, uma com jovens vocalistas femininas de Country. Eu escuto e sou fã de todos os artistas incluídos nessas listas, mas fico feliz quando alguém me fala que curtiu pelo menos um dos nomes que indiquei, é assim que tudo começa, uma banda leva a outra.

Não estou pedindo para esquecerem os ídolos que morreram, muito menos para substituir eles ou os que ainda estão vivos, o ídolo morre, mas a sua música é eterna, e eles são insubstituíveis. Mas não deixe de prestigiar os novos artistas que estão surgindo, que são influenciados pelos mesmos ídolos que você e que querem dar continuidade aos estilos que eles criaram.

A boa música não morreu, mas se você continuar negando os novos músicos, chegaremos em uma época em que só existirão covers, aí você pode decretar o fim da boa música.
Tecnologia do Blogger.