Conheçam o rockabilly da Os Dinamites



Se a viagem no tempo fosse algo fisicamente possível, Os Dinamites poderiam até se misturar com mais facilidade na multidão, mas este definitivamente não é o caso. Topetes emplastrados de brilhantina, costeletas felpudas, camisas de boliche, vestidos de bolinha e sapatos bicolores, são peças indispensáveis no guardarroupa dessa moçada. Como se já não bastasse, essa estética é apenas um complemento para o som completamente inspirado nos grandes clássicos do rock da década de 50, tendo como principais referências nada menos do que Elvis Presley, Johnny Cash, Chuck Berry e Stray Cats.

Até aí, poderia se dizer que não passam de um conjunto saudosista e anacrônico, baluartes de um período que já se foi, mas eis que a banda apresenta o seu diferencial: Apesar de ostentarem medalhões emblemáticos da estética e cultura dos anos 50 e 60, a banda conseguiu adaptá-la não só ao século XXI, como também ao quotidiano brasileiro e brasiliense. As inúmeras referências geográficas locais aliadas a temas como relações amorosas e farras da juventude, fazem com que Os Dinamites sejam nostálgicos e modernos, de modo a conquistar públicos de diferentes gerações, sempre com muito carisma e bom humor, marca registrada da banda.

No momento de se apresentar em público, Os Dinamites fazem jus ao seu nome com verdadeiras explosões de irreverência e animação, transformando o palco e toda a arena em uma grande festa que pode durar por muito tempo, tendo em vista que eles possuem mais de três horas de repertório. A abertura normalmente é feita com a clássica faixa "Tequila". A partir daí, a banda vai intercalando o seu vasto repertório com os clássicos do gênero e suas composições autorais, que já são cantadas em coro por boa parte dos presentes. "Sexo, poder e maldade", "Sem licença pra dirigir" e "Sexo Voodoo" abrem enormes rodas de dança no local, enquanto que a banda acompanha a energia com várias peripécias pelo palco, mostrando uma presença de palco impecável. A pequena saxofonista Isadora, subindo em cima do contrabaixo acústico do grandalhão Lucas, que neste momento o segura como se fosse um baixo elétrico, é simplesmente contagiante. Também não é atípico o guitarrista Danny Boy solar enquanto faz alguns passo de twist, ou mesmo o baterista Fabrício, que toca o show inteiro em pé, mostrar que é capaz de tirar som de praticamente qualquer elemento do palco. Ao final de cada apresentação, é possível ver vários topetes molhados, camisas e vestidos ensopados de suor e um sorriso enorme estampado no semblante tanto dos músicos como do público. Os primeiros com a sensação de missão cumprida e os últimos por saberem que tiveram uma noite de diversão muito bem aproveitada.

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