République du Salém - O Fim da Linha Não é o Bastante (Review)


Há três anos atrás eu tinha muito receio de escutar bandas brasileiras, hoje vejo como perdi meu tempo com um preconceito barato e sem fundamento. Creio que se não fosse o Southern Rock Brasil, ainda teria o mesmo preconceito. Atualmente fico muito feliz e empolgado quando escuto uma banda brasileira que lança material próprio, fico ainda mais feliz quando o som da banda é o que gosto. A République du Salém está nesse seleto time de bandas brasileiras que me agradam.

É cada dia mais complicado classificar o som de uma banda, e esse é um detalhe cada dia mais relevante no som de uma banda, pelo menos na minha humilde opinião. Gosto de ficar desvendando de onde vem a influência de determinado detalhe de uma faixa, isso deixa a experiência mais interessante.

A banda define seu som como "rock clássico re-visitado, com nuances de southern e folk". Ao longo das seis faixas, é possível perceber a forte influência que o Led Zeppelin, Black Crowes, Rival Sons (Sim! A banda só tem cinco anos de carreira e já influência! Eles são foda!), Mutantes e Wilco. Quem conhece essas bandas reconhece de cara as influências, mas elas vem com um toque mais moderno, vem com o toque pessoal de cada membro da banda.

A primeira faixa, "Cidadão Kane", tem um refrão marcante. A crítica a impunidade e a justiça é constante nas faixas da banda. "Seja como quiser, não vou comprar essas mentiras/Veja como quiser, não vou vender a minha vida"

"Corpo Achado, Bala Perdida" é um Southern Rock com o toque todo especial da banda, fora que tem um puta refrão: "Esperar sem agir, confrontar sem lutar, escolher sugerir, não acreditar". Quando digo Southern Rock, não falo igual aos clássicos, aqueles que criaram e popularizaram o estilo, se fosse assim, seria cover. O Southern tem diversas nuances e essa é mais uma delas.

Quando li o título "Apenas uma Canção de Amor" de cara percei que era uma balada, óbvio que não errei. Nessa faixa podemos escutar a veia mais folk da banda. O grande destaque é a participação da cantora americana de gospel/bluegrass, Rachael Billman, o dueto dela com o Davi Stracci ficou lindo.

"Sem Hora Pra Voltar" de cara me lembrou o ZZ Top, a faixa tem alguns toque de "Eliminator". A faixa é um belo retrato da grande metrópole brasileira, mas, acima de tudo, nos leva a repensar/discutir a vida nas grandes cidades. A faixa tem uma letra inteligente e ganhou um clipe a sua altura, quase uma super produção. 

"Os Homens" é mais uma faixa que combina com perfeição os vocais do Davi com a grande performance dos outros membros da banda. É muito fácil criar riffs, mas é muito complicado escrever uma bela letra para uma canção. Isso não é um problema para a République du Salém, todas as letras são de ótimo bom gosto.

"Expresso 212" encerra o álbum em grande estilo, pegando todos os detalhes que mostrou durante o álbum e colocando tudo nesses últimos seis minutos. Essa letra é totalmente otimista e é assim que me sinto com relação ao futuro da République du Salém.

Desejo muita sorte para esses caras, espero que eles consigam alçar vôos cada dia mais altos, potencial eles tem!


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