Grateful Dead - Live/Dead (Review)


Durante a semana passada eu tive uma crise de criatividade bem razoável, escrevi tanto que estou com uma gama de tempo bem grande para explorar novos sons, porém recusei esta oferta para esfriar a cabeça e ler um pouco. O livro que estou lendo é sobre um dos grandes pilares do desenvolvimento, não só do Rock mas da música, Bill Graham: ''Minha Vida Dentro E Fora Do Rock'', e apesar de ainda não ter terminado (estou perto) posso afirmar sem sombra de dúvidas que é o melhor livro de música que já folheei, e também com o qual mais aprendi coisas a respeito.

Conforme eu ia virando as páginas sentia uma urgência em levantar do sofá e vir aqui digitar, um sentimento de renovação monstruoso tomou conta de mim de tal maneira que eu precisava extravasar e é por isso que vim aqui hoje.

Desde que você começa a ler o livro você recebe uma aula em ordem cronológica sobre o Rock dos anos 60 até os anos 90. Bill narra o início da cena psicodélica de São Francisco, sua difícil tarefa como manager do Jefferson Airplane, são muitas histórias, e ver os relatos dos membros de uma das minhas bandas preferidas deixa a narração ainda mais prazerosa.

Sentir nas palavras de Bob Weir, Jerry Garcia, Phil Lesh e tantos outros deixa ainda mais claro a importância de Graham no meio disso tudo, mesmo não entendendo tanto de música (como ele mesmo afirma) porém com ótimo faro para o que era de fato bom, e dentro desta grande efervescência cultural da qual fez parte, foi importantíssimo na carreira dos malucos da época, Warlocks, (o futuro Grateful Dead), isso é claro citando apenas um dos grupos! Prometo que quando acabar o Livro farei um post, mas por hora vamos imaginar pequenas sessões de uma Aurora Boreal refinadamente Psicodélica com umas das melhores bolachas ao vivo já feitas na história da humanidade, é hora dos devaneios épicos de ''Live/Dead'' lançado em 1969.

Escute as improvisações e... SUMA! Sinta o fervor nos acordas controversamente calmos da guitarra de Garcia. Analise a Jam, tem de tudo, rola um Jazz, um Funk disfarçado, é tudo que você quiser, é só colocar os fones e fechar os olhos, ignore tudo a sua volta e se concentre, note cada detalhe, veja pássaros, cores, imagine!

Vá além do que seus fones podem oferecer, é um daqueles sons recreativos, estimulantes! Pense nisso historicamente, analise o nascimento de todo um contexto, uma nova diretriz para a raça humana, são mais de 20 minutos de ''Dark Star''!

Conforme o disco rola você cria um laço com ele, a cada nova audição os improvisos delirantes do grupo começam a fazer cada vez mais sentido, fica cada vez melhor com o passar dos anos veja ''St. Stephen'' e comprove.

Dependendo do grau de relaxamento que você atinja sua face ficará igual a foto acima, beirá o insano em alguns momentos, pra que abrir os olhos? Pra que parar de escutar isso? Pensamentos assim são normais, o Grateful Dead desafia a mente humana. Esses caras são o tipo de banda que eu não consigo imaginar ''sentando pra compor'' que isso, eles exalavam música, a Jam deles tinha urgência de sair, os caras se encontravam e começavam a tocar, sempre dava resultado, e este disco é uma demonstração clara disso, sinta o drama de ''The Eleven'', a ideologia ''Flower Power'' de ''Turn On Your Love Light''.

É do cacete! Eu já perdi até o foco, nunca vejo em que faixa estou quando escuto isso aqui, deixo o fluxo livre, escuto tudo na sequência, parece que fluir melhor. Não dá pra escutar ''Death Don't Have No Mercy'' e parar na metade, a coisa flui de um jeito tão natural que você não vai querer parar, este Groove é mais forte que você, veja ''Feedback''.Não tem nem o que falar, só nos resta se despedir com ''And We Bid You Goodnight'' e fazer o inevitável, recomeçar essa maravilha!

Tudo legitimamente gravado no Fillmore e no Ballroom D' Avalon. Por isso a acústica era mágica, Bill Graham sabia das coisas!

É outro nível!

Escrito por Guilherme Espir do blog Macrocefalia Musical
Tecnologia do Blogger.