Anders Osborne - Peace (Review)


Anders Osborne é talvez o guitarrista que mais tenho escutado este ano. O sueco teve apenas um post por aqui, (abordamos o EP ''Three Free Amigos'' lançado este ano) mas desde que falei do guitarrista estive absorvendo toda sua obra e sentindo em meus ouvidos todas as verdades que um músico de verdade ainda é capaz de passar por meio de uma guitarra, voz, ou seja lá o que for.

2013 ainda não acabou para Anders, e a prova disso foi o lançamento de mais um trabalho, porém não é mais um EP e sim um Full-Lengh, trata-se do excelente ''Peace'' que saiu essa semana, dia 7 de outubro. Confesso que ainda estou atordoado pelo que escutei, esse disco talvez seja a obra mais tocante do mestre, vai ser um daqueles discos que o senhor vai ouvir, e vai ficar pensando a respeito até ouvir de novo, de novo e uma vez mais.

Em 2010, com o lançamento do aclamado ''American Patchwork'', o guitarrista deu uma bela guinada em sua carreira, tocou com grandes nomes do meio musical como Warren Haynes, Phil Lesh, Derek Trucks (isso só para citar alguns), aumentou mais ainda a carga de shows e começou a trilhar um caminho pra lá de merecido, o do sucesso.

Depois de ''American Patchwork'', tivemos ''Black Eye Galaxy'' (2012) e agora ''Peace'' a trinca que fecha um ciclo na vida do guitarrista e inicia outro, o renascimento do poeta, que marca o fim (de uma vez por todas) de suas histórias com abuso de drogas e álcool com um dos discos mais profundos que ele poderia ter criado, com temas que emergiram do caos mas que neste trabalho enxergam não só uma luz, e sim novas possibilidades e oportunidades, vislumbram a paz, tema central deste disco desde seu título, com um som completamente revigorado e que veio para coroar os quase 4 anos de sobriedade do músico.

Veja logo na abertura do disco, no Riff cabisbaixo da faixa título ("Peace"), todas as indagações da vida do guitarrista, as considerações finais de toda uma vida que praticamente beirou a completa futilidade em alguns momentos, mas que guiada por um Fuzz e muito Blues pareciam ter todo o sentido do mundo após o Play de uma bolacha. Eram justamente os intervalos entre um disco e outro que afundavam nosso poeta, porém agora não mais.

Se antes só pairavam dúvidas e incertezas em sua cabeça, agora tudo que ele tem é certeza e confiança, algo que somado a força de suas palavras torna seu som ainda mais impactante, veja a gana dos Riffs de ''47'', a ânsia pelo novos horizontes com a sabedoria de ''Let It Go'', ou ao som do violão hipnotizante de ''Windows''.

Ano que vem ou daqui dois anos (não sei ao certo) quando Anders lançará mais um disco refletiremos sobre este momento, veja toda a renovação da cozinha do músico, note que o Blues só se intensifica às raízes de seu som, veja o peso de ''Five Bullets'', note como a sobriedade fez bem ao cidadão e abriu sua mente para novas experimentações, como nos toques eletrônicos de ''Brush Up Against Me'' e mais uma de suas memoráveis baladas com ''Sentimental Times''.

De fato é um grande deleite ter a oportunidade de ver isso, notar que só agora, depois de anos e anos fora dos eixos o músico conseguiu se endireitar e fazer o que achei que não seria possível, aumentar ainda mais o nível de sua música, que mesmo sendo relativamente desconhecida passou pelos cantos mais diversos do mundo, temas com levadas fáceis como ''Dream Girl'' ou uns toques ala Reggae (sempre presente nos trabalhos do músico) como ''Sarah Anne'' reforçam toda essa universalidade de sua música.

Agora só falta uma visita aqui no Brasil. Aproveite meu amigo, sonhar é de graça, e ao som de ''I'm Ready'' e ''My Son'' por um momento temos a sensação de que ainda é possível! Avante Osborne! 

Escrito por Guilherme Espir do blog Macrocefalia Musical
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