Resenha do show do Joe Bonamassa em São Paulo


Por Diego Câmara do Whiplash

Já quando vimos a porta do HSBC Brasil podíamos reparar que este noite teríamos um show extremamente diferenciado. Um público família e bastante tranquilo não teve que enfrentar filas para adentrar na casa ou no local. A organização foi fantástica e sem dúvidas deveria servir de exemplo para outros espetáculos do gênero.

O show começou às 21h30min, praticamente em ponto. Joe subiu no palco com seu violão e iniciou a sessão acústica já conhecida dos seus espetáculos. Abriu com as ótimas "Palm Trees" e "Seagull", que sempre tocou no início dos shows pelo mundo. Com o violão, o silêncio permeou o espetáculo na casa enquanto o violão soava solitário no ar. A voz fantástica do guitarrista também não deixou nada a perder, e o conjunto da obra não poderia ser melhor.

A sessão acústica foi seguida por "Jelly Roll", "Athens to Athens" e "Woke up Dreaming". A primeira, cover de Charles Mingus, um dos grandes mestres do Jazz do século XX. A música, com uma letra fantástica e um toque de violão solitário, realmente mostrou o quanto vale a sessão inicial do show de Joe e como ela serve pra aquecer o público para a sua “parte principal”.

A equipe rapidamente desmontou o palco e Joe mal aguardou as luzes pra começar o show com sua guitarra. Abriu a parte elétrica com "Dust Bowl". A postura do público mudou já, pareciam bastante animados ao ouvir este sucesso. Curtiram a música, alguns arriscaram cantar, mesmo que baixinho, e saudaram a música com palmas exaltadas no final da execução. Esta foi seguida por "Story of a Quarryman", que mereceu até palmas que acompanharam o decorrer da introdução da música.

No miolo do show, o destaque foi para "Dislocated Boy" do álbum "Driving Towards the Daylight". Em uma mistura do som calmo da voz de Joe com as guitarras potentes acompanhando a letra, a desvelando. Bonamassa usou uma guitarra de dois braços nesta música, mostrando toda sua técnica ao manusear o instrumento. Apesar disto, não se poderia ser tão bem executada sem a ajuda de toda a banda, que comandada por ele, trouxe um resultado completo para esta música.

Outros destaques do miolo do show foram as perfeitas "Slow Train" e "Midnight Blues". A primeira, com uma intro espetacular que remonta a um trem, mostra todo o nível de Joe Bonamassa como compositor. Cativante, emocionante e fantástico, o público foi coroado com um dos melhores solos do guitarrista na noite.

"Midnight Blues", música do lendário mestre do blues Gary Moore, trouxe outro tom ao show. O azul congelante das luzes do palco e o som ecoante da guitarra pelo local trouxeram uma verdadeira onda de emoção, que remontou aos antigos tempos do blues, como se estivessem ali presentes os grandes mestres do gênero.

A banda fechou o show com "Django" e "Mountain Time". Apesar do desafio imposto a estas músicas, dada a sequência de covers de sucesso anteriores, que incluiu o grande mestre Jeff Beck, não desanimaram o público. A primeira, pesada e firme nas guitarras, trouxe aplausos de pé para a performance dos músicos. Joe mais uma vez mostrou toda sua técnica, encantando o público.

"Mountain Time", ao contrário, trouxe uma performance intimista e cheia de feeling, que também igualmente arrancou fortes aplausos. O público soube a hora de interagir, e interagiu em muitas músicas como esta apenas com o silêncio e uma atenção que prendeu os olhos no palco. No final desta música, o guitarrista agradeceu a todos os fãs e fez o chifrinho do rock, antes de deixar o palco.

Joe voltou com bastante pressa ao bis, parece que sequer quis descansar no backstage. Com a guitarra em mãos, nem deu tempo do público parar de gritar por seu nome para começar "Sloe Gin". Escolhida a dedo, a música misturou a guitarra agressiva com o tom de voz calmo, o toque do estilo de Joe Bonamassa ao cover de Tim Curry é algo que poucos músicos atualmente conseguem fazer.

Para finalizar o show, após mais de duas horas de espetáculo, o guitarrista tocou "The Ballad of John Henry", um dos seus maiores sucessos até hoje. O público cantou junto com o guitarrista o refrão e se emocionou novamente com a música. O destaque aqui foi para o solo mais que progressivo que foi tocado por Joe e pelo tecladista da banda, que mostrou nesta música toda sua técnica. No final do show, um Joe Bonamassa bastante contente agradeceu a presença de todos os fãs, em uma performance que no todo não poderia arrancar senão palmas de pé de todo o público, unindo jovens e mais velhos, pais e filhos, em um amor pelo rock clássico que ainda ressoa por Joe Bonamassa.

Joe Bonamassa, HSBC Brasil, São Paulo, 08/08/2013
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