Raízes do Blues - Lightnin' Hopkins, o pai do Texas Blues


Falar de blues e não falar de guitarra, crueza e coração na mão é o mesmo que jogar palavras ao vento. E falar de guitarra, crueza e coração na mão sem mencionar Lightnin’ Hopkins, é o mesmo que não falar. Dentre todos os influentes, todos os grandes nomes da guitarra no Blues, esse sujeito tem seu lugar garantido. Pouco lembrado dentre os bluesman, quando se ouve o violão nervoso de Hopkins pela primeira vez tem-se um sentimento de transcendência, pois foi um cara bem a frente do seu tempo.

Nascido no Texas em 1912, Samuel John Hopkins descobriu o que tinha de fazer aos dez anos de idade, ao assistir Blind Lemon Jefferson numa apresentação, antes mesmo deste gravar pela primeira vez. Jefferson era, então, o maior cantor de Blues da época, e foi o pai do Texas Blues. Impressionado com o som arrebatador, e impossibilitado de esconder toda a excitação, Hopkins chamou a atenção de Jefferson, mesmo este sendo cego. E deu o conselho que mudaria os rumos da guitarra blueseira. A frase "If you wanna play it, you gotta play it right, boy" (se você quiser tocar, você precisa tocar direito, garoto) pode ser considerada uma das máximas que definem o que é o Blues, toca-lo e senti-lo. Pois Hopkins não poderia ter seguido melhor o conselho.

Sam acabou se tornando guia de Blind Lemon, o que o fez ter mais contato com o circuito musical da época e cerca-lo de problemas. Em meados de 1930 ele foi preso, sendo o típico vagabundo de beira de estrada, jogando dados, pegando carona em trens, arrumando brigas, tocando sua música. Nada que a estrada do Blues não pudesse resolver pra que Hopkins fizesse história. Após ser solto e retornar ao circuito, Hopkins entrou pela primeira vez em um estúdio de gravação em 1946. Tardiamente, comparado à Robert Johnson, por exemplo. Foi aí que pra sua carreira tudo começou de verdade. 

Já em estúdio, fazendo milagres em seu violão, Sam Hopkins se tornou um mito nesse ponto e o pianista de estúdio Wilson Thunder Smith o batizou de Lightnin’ (raio), alcunha mais que merecida. Por tanto este primeiro trabalho é descrito como "downbeat solo blues", pela batida em slowhand em casamento perfeito com a agilidade e o modo percussivo com que conduzia as canções. A partir daí o mundo do Blues viria a conhecer Lightnin’ Hopkins, veloz e violento como um raio. Mas apesar de sua notória genialidade, e gravando num período de quase uma década - entre 1946 e 1954 -, Lightnin’ só obteve sucesso durante aquele tempo entre a comunidade negra. Somente em 1959 o produtor Sam Chambers fez com que o som estrondoso do Raio chegasse até o público branco. E aí, sem mais delongas, Lightnin’ ganhou o mundo, chegando a excursionar com o Grateful Dead e o Jefferson Airplane no final dos anos 60. Em uma de suas turnês pela Europa durante os anos 70, o homem chegou a tocar diante de Vossa Majestade, a rainha Elizabeth II.

Lightnin’ Hopkins criou algumas das linhas de Blues mais geniais e inspiradas da história em músicas como "Penitentiary Blues" e "Mojo Hand". E imortalizou outras, mesmo não sendo suas, como "Baby, Please Don’t Go" - de Big Joe Williams -, numa versão inspiradíssima!

Hopkins faleceu em janeiro de 1982, em decorrência de um câncer no esôfago. Entre fãs e outros artistas, estiveram em seu funeral mais de 4000 pessoas. Hoje, em sua homenagem, há uma estátua na cidade de Crockett, Texas.

O legado de Sam "Lightnin'" Hopkins é estrondoso e arrebatador, fazendo jus ao nome que lhe foi atribuído. Fabuloso e incendiário é seu som. O blues pode ser definido sob vários nomes, e um deles, dentre os maiores, é Lightnin' Hopkins.
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