Raízes do Blues - Charley Patton, o grande vagabundo do Blues


Antes de tocar no radio, muito antes de invadir os grades teatros e principalmente antes dos brancos chamarem de Rock’n Roll, o blues era tocado em bares e festas locais pelas espeluncas espalhadas nas beiras das estradas do sul. Essa era a vida do verdadeiro Bluesman, se você assistiu ao filme "Crossroads" e viu um suposto Willie Brown levar o "Daniel San" sem rumo como um verdadeiro Hobo pelas interestaduais sulistas, sabe do que eu estou falando.

Quando se fala em pai do Blues a nossa cabeça vai direto ao capeta, digo, ao Robert Johnson, mas muito se fez antes de Johnson sonhar em ser alguém.

Patton era um vagabundo clássico, não gostava de trabalhar e vivia sustentado por mulheres, vivia com elas até arrumar briga e ser expulso, há quem diga que ele saia no braço, chegando a quebrar seu violão em uma briga certa vez. Mas o fato é que Patton passou sua vida na Dockery Plantation, uma grande fazenda de milho, famosa por ser o berço de grandes nomes do blues como Son House, Robert Johnson e outros. E foi lá mesmo que Patton aprendeu o Blues.

Nos anos 30, no interior principalmente, a vida não era fácil para um bluseiro, o pobre vagabundo, digo, boêmio do Blues tinha que lhe dar com o preconceito dos brancos – e por vezes de algumas comunidades negras também – ouvindo "isso é musica do diabo". E, pro pobre Patton, as coisas eram mais difíceis. 

Seu velho pai era um cristão devoto, e não gostava de ver seu filho enfiado em cabarés tocando aquela musica dos infernos, mas, mesmo batendo em seu filho às vezes, se convenceu a da-lo um violão. Foi quando Patton conheceu Henry Sloan, e dessa junção que saiu o Blues que fez de Patton famoso.

Foi ai que o moleque saiu na estrada e perpetuou o seu estilo de vida de vagabundo mulherengo. Bebendo, tocando na noite e vivendo às custas da mulherada, e sempre arrumando muita confusão, como todo bluesman de respeito.

Os anos se passaram e Patton construiu uma solida amizade com um jovem chamado Willie Brown. O Jovem Brown aprendeu tudo que podia com o Patton, para depois, passar para seus próprios pupilos.

Son House, na saída da prisão conheceu Patton e foi convidado por este para uma sessão de gravação, então juntou-se Charley Patton, Son House e Willie Brown. Foi neste momento que Brown e House se conheceram.

Esse trio se reuniu mais algumas vezes para fazer um Blues, atraindo muito público, mas um jovem em especifico, costumava visitar as rodas de musica com certa frequência, mas pobre garoto, ele não sabia tocar, e embora dissesse sempre que seria o melhor cantor de Blues da história, era ridicularizado pela "santíssima trindade" do Blues do Delta (ou "infame trindade") até que se mandou, - dizem que seguiu o conselho de Willie Brown e foi para a encruzilhada aprender o Blues.

O jovem voltou aproximadamente um ano depois, tocando o Blues como ninguém mas nessa altura, Patton já estava nas últimas, sua saúde se perdeu com o tempo – e com o uísque caseiro.

Chega uma hora em que um homem tem que desacelerar ee descansar. Patton se juntou com uma mulher chamada Bertha Lee, mas sua relação com as mulheres nunca foi simples, eles passavam boa parte do tempo brigando a ponto de sair no braço. Patton chegou a fazer algumas gravações com Bertha, e na maioria delas o medo da morte era visível.

Em 28 de abril de 1934 morria Charley Patton, sua morte passou despercebida, mas a sua vida é lembrada até hoje, qualquer um que se denomine bluesman, ou que simplesmente escute esse "som do diabo" tem seu débito com esse velho vagabundo. 
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