Eric Clapton - Old Sock (Review)


Escrito por Guilherme Espir do blog Macrocefalia Musical

A vida de um músico consagrado deve ser o maior barato, o cidadão já viajou o mundo todo, viu tudo, tocou com tudo e com todos! O envelhecimento é visto com bom olhos, vai ser aquele momento de descanso mais do que merecido, o cara vai poder tomar uma água sentado na varanda de casa, ir na praia, se perder no mundo, não vão existir mais compromissos e daí em diante ele será uma pessoa normal um velho, um único e simples velhinho.

A aposentadoria deve ser o maior barato, não tem hora pra nada! Você, agora que já passou dos 60 pode ir lá infernizar os outros e furar a fila no banco, ''roubar'' vaga de estacionamento no shopping, jogar dominó, a lista é infindável cara, e como tempo não é problema você terá de sobra para escolher o seu rumo. O velhinho do momento é o guitarrista Sr. Eric Clapton meus amigos, um dos grandes guitarristas que já passaram por aqui. Clapton já está meio velho ha alguns anos (o cara já tem 68 anos) mas vez ou outra lança um disco aqui outro acolá.

Dentro da carreira solo de Clapton nunca achei nada muito ''emocionante'' mas ele sempre manteve um padrão de qualidade, com discos muito bem produzidos e tocados (obviamente) mas nunca me empolgou... Sempre pirei nas guitarras de Eric nos tempos de Cream, ou Blind Faith. 

Nunca achei Clapton um Deus da guitarra, mas sempre nutri respeito pelo britânico, afinal ele não tem essa popularidade à toa, e apesar de não lançar discos ''sensacionais'' já ha algum tempo, hoje nós vamos falar do interessante ''Old Sock'' lançado no dia 12 de março.

Olhem para a capa. Quando vi pela primeira vez dei risada. Clapton incorporou a velhice, ele tirou a foto com seu Iphone durante uma viagem e colocou de capa! Não estou brincando é serio, aqui Clapton finalizou seu processo de envelhecimento, concretizou essa passagem. Foi algo parecido com um bingo para a terceira idade. E apesar do disco não ser nada de sensacional apresenta um Eric completamente solto, sem responsabilidade nenhuma, tocando músicas que ele gosta, investindo no swing do reggae que o britânico assumidamente é fã, em covers do Blues das antigas, coisas mais atuais. Um trabalho bem orgânico, muito bem feito, e que apesar de não empolgar aqueles que esperavam por um Clapton visceral, vai agradar bastante os que procuram por um som de fácil audição e completamente casual, assim como a capa, porém mantendo o padrão britânico de qualidade.

Por falar em Reggae...


Não resisti... Amo essa versão, e essa guitarra é a minha preferida do britânico, mas vendo pelo lado positivo e útil da bagaça, essa música deixa o Senhor no clima, por que tem uma bela dose de Dreadlocks nesse novo disco meu chapa e abrindo ele você já sente a pegada, é só apertar play que começa o reggae Roots de ''Further On Down The Road''. Sempre achei o maior barato ver Clapton tocando esse tipo de som, ainda acho que um dia ele lançar um disco só de Reggae. Mas enfim, seguindo surge a calma ''havaiana'' de ''Angel'' que segue com um som mais suave, você sente que Clapton está feliz com o que está fazendo e ''The Folks Who Live On The Hill'' prova isso, aliás todas as faixas provam, sendo em ''Gotta Get Over'' uma das duas novas composições do britânico, ou no belo cover do mestre Peter Tosh com ''Till Your Well Runs Dry''.

O disco passa voando, é bem interessante analisar isso, não é nada excepcional mas ''prende a atenção'' talvez seja aquele bom e velho jargão, fazer o que você gosta soa diferente, e essa sonoridade diferente da esse clima bem natureba pro disco, quando você piscar já vai ter passado pelo swing calmo e country de ''All Of Me'', pelo feeling blueseiro de ''Born To Lose'', a mítica ''Still Got The Blues'' do gigante Gary Moore. Seguindo a Jam aparece ''Goodnight Irene'' um Blues repaginado, vira quase que uma baladinha nas mãos do mestre, mas ainda assim não supera a classe de ''Your One And Only Man'' cover do saudosíssimo Otis Redding, uma das grandes vozes que o planeta já viu!

Depois nós temos mais uma nova composição de Eric a familiar ''Every Little Thing''. Sim familiar, as filhas do guitarristas dão uma canja nos vocais, achei um barato! E para finalizar surge ''Our Love Is Here To Stay'' com um som calmo, você nem percebe que o disco já acabou, a voz de Clapton some do nada, e no meio do silêncio você desperta de um transe estranho. Levanta e escuta mais uma vez! Disco interessante, vale a pena rodar a bolacha!

Escrito por Guilherme Espir do blog Macrocefalia Musical
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