Entendendo o Southern Rock - Parte 8 (Final)


Ao longo dos anos que tenho me dedicado a difundir o Southern Rock pelo Brasil, me deparei com diversos textos que tentavam explicar o que é o Southern Rock, porém sempre esbarrava em um detalhe: os textos sempre eram superficiais. Tudo mudou em agosto de 2011, ano em que tomei conhecimento da tese "Southern Rock music as a cultural form" escrita por Brandon P. Keith em 2009. 

Essa tese foi apresentada em 2009 como cumprimento parcial dos requisitos para o grau de Master of Arts do Departamento de Estudos Americanos da Academia de Artes e Ciências da University of South Florida. O texto original pode ser encontrado aqui.

Nos próximos dias estarei publicando, íntegra, os capítulos dessa ótima pesquisa realizada pelo Brandon. A minha pretensão ao publicar esse texto, é sanar algumas dúvidas que os leitores tem com relação as origens, desenvolvimento e importância cultural do Southern Rock.

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Conclusão


Como foi discutido através da tese, os músicos de Southern Rock dos anos 70 eram uma formação cultural que demonstrava visões racialmente e politicamente progressivas, através da forma cultural da música, ao reconhecer abertamente a influência da música black no Southern Rock, atuando em bandas inter-raciais, e se dirigindo a questões raciais e sociais através de suas letras, assim como fazendo campanhas em favor de Jimmy Carter.

No entanto, é difícil examinar até que ponto as bandas de Southern Rock obtiveram sucesso em expressar suas visões raciais e políticas para seu público, assim como até que ponto essas visões influenciaram sua audiência. Em alguns aspectos, as bandas de Southern Rock falharam: o racismo não terminou no Sul; Jimmy Carter não foi reeleito em 1980; e o Sul se tornou cada vez mais conservador durante os anos 80. Por outro lado, o Southern Rock obteve também sucesso: a música do gênero continuou consistentemente popular, e canções como “Sweet Home Alabama”, ou “Ramblin’ Man”, se tornaram grampos das rádios de Rock clássico, assim como são usadas em comerciais de televisão atuais, e foram regravadas por músicos contemporâneos, como o Kid Rock.

Durante os anos 70, os músicos do Southern Rock representavam um ideal paradoxo do homem branco, na era do Sul pós direitos civis, através da integração do orgulho pelo patrimônio sulista com visões raciais e políticas progressivas, criando, assim, um senso de ambigüidade e ambivalência, que inclusive, persiste até os dias de hoje. Isso leva à questão: o Southern Rock ainda representa, hoje, o que ele representava lá atrás? Eu diria que não. Em tempos modernos, as bandas de Southern Rock se adornam com bandeiras dos Confederados, não se distanciam, e muitos públicos do Southern Rock contemporâneo parecem mais interessados na idéia nostálgica do Southern Rock do que nas causas progressivas raciais ou políticas.

A música Southern Rock não possui o significado social que possuía quando surgiu e chegou ao ápice, nos anos 70.

Como um epílogo infeliz desta tese, muitos músicos originais de Southern Rock morreram na última década: Leon Wilkeson (Lynyrd Skynyrd) em 2001; Bruce Waibel (The Allman Brothers) em 2003; Danny Joe Brown (Molly Hatchet) em 2005; Duane Roland (Molly Hatchet) em 2006; o fundador da Capricorn Records, Phil Walden, em 2006; Hughie Thomasson (Lynyrd Skynyrd) em 2007; e Billy Powell (Lynyrd Skynyrd) em 2009.

A música Southern Rock está enfrentando uma boa fase, como demonstrado pela atual popularidade do Lynyrd Skynyrd e o The Allman Brohters Band, entre outros. Muitas das bandas do gênero mencionadas nessa tese ainda fazem turnês e se apresentam mundo afora, embora sem a maior parte das suas formações originais. Claramente, o Southern Rock ainda possui um público, e das bandas que fazem turnês espera-se que toquem as canções favoritas dos fãs, da era do Southern Rock. Embora o Southern Rock possa não ser tão socialmente relevante como era durante os anos 70, não há dúvida de que a música transcendeu as fronteiras geracionais, e impactaram, incomensuravelmente, a cultura popular.
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