Na estação (Love is Vain)



 No relógio da estação, eram quase cinco da manhã. Estávamos em silêncio, evitando nos olhar. Eu segurava sua mala.

Um homem nos observava, discretamente. Trazia uma bag de violão. Era um daqueles homens do blues. Fumava, enquanto esperava o trem.

O coração em pedaços, eu permanecia ali, ao lado daquela mulher. Não havia palavras a serem ditas. Um vendaval de sentimentos e nenhuma palavra a ser dita. “Todo o meu amor foi em vão”, simplesmente pensei, como se uma faca atravessasse meu peito.

Quando o trem se anunciou, ruidoso e imponente, o sol acordava. Enfim, encarei seus olhos, como se aquela fosse a última vez. Não mais que alguns instantes. E aquela foi a última vez.

Chorei, copiosamente, com toda a força de minha alma.

Acompanhei-a até a entrada do vagão, levando a mala. Abracei-a, quando percebi que algumas lágrimas se precipitaram de seus olhos. O apito do trem soou, após o que ela entrou.

O homem do blues entrou depois dela. Ele me ofereceu um cigarro, antes de entrar.

— Para o norte? — perguntei-lhe após o primeiro trago.

— Para tocar o meu blues! — respondeu-me, após o que sumiu dentro do vagão.

O trem deixou a estação e eu o observei se distanciar por aqueles trilhos frios. Havia duas luzes que piscavam, atrás do último vagão. Olhei aqueles malditos lumes, até desaparecerem entre as brumas da manhã cinza que se iniciava. A luz azul era a minha amada e a vermelha, minha mente.

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