Blues Sessions - O Blues em Belo Horizonte


Primeiramente gostaria de agradecer ao Southern Rock Brasil pelo convite e confiança para escrever sobre o avó de todos os rocks! E como belorizontino por opção, nada melhor que começar falando sobre o movimento Blues que tem crescido na capital mineira. Os lugares, as bandas, o público, etc. Então, garanta seu tíquete, que o trem já vai partir!

O blues em BH


Já há algum tempo, o Blues vem sendo interesse dos belorizontinos, mas de uns tempos pra cá a vertente foi sendo deixada um pouco de lado. Não pelos excelentes músicos que a executavam, que o Blues é coisa que corre na veia, mas pelo público, cada vez mais hipnotizado pelo rock cover que veio a se tornar a cena musical daqui. E grupos cover de bandas inglesas e norte americanas ganharam a notoriedade que até então era de bandas de Blues que, se não totalmente autorais, traziam identidade própria às canções que interpretavam. Grupos como o Hot Spot, Legado Blues, Yer Blues e músicos como Ney (Cocão) Fiuza e Affonsinho Eliodoro, são grandes pioneiros e defensores da liberdade na música por meio do Blues.

Depois de um tempo estagnada sonoramente, eis que a cidade abre novamente os ouvidos, e ressurge assim, das cinzas, o Blues de BH!

Por volta de 2005 a cidade recomeçava a viver o clima de Blues que sempre pairou por aqui. A noite boemia, as belas mulheres, os bares musicais e, essencialmente, a riqueza musical enraizada entre as montanhas. Músicos excepcionais, inspiração, respiração, transpiração e piração fizeram com que o Blues se firmasse como um som cada vez mais forte nas noites de Belo Horizonte.

O movimento blueseiro começou a dar os importantes passos com o extinto Curaçau Blues, a Little Trouble, o reavivamento da Hot Spot Blues Band, Leandro Ferrari, Auder Jr. e sua Auder Gang, Shello Silveira e sua LoBo Blues e por aí vai! E a recepção não poderia ter sido melhor. O público viu nesse renascimento muitas caras novas, novas propostas, um novo jeito de tratar a cena e que, o que mais importa nisso tudo, o velho Blues estava de volta às noites da cidade. Fatalmente as casas de shows de BH renderam-se ao chamado negro com cara branca do Blues belorizontino. O locais das apresentações sempre lotados, o êxtase ao final de cada música, tudo isso contribui para que, hoje em dia, sempre haja ao menos uma ou duas bandas de blues no casting dessas casas. E a partir daí muitos projetos fixos foram fincados por aqui. A banda Santiago Blues , por exemplo, bate o martelo sobre isso com o projeto A Casa do Blues, fixando residência na Casa de Cultura, no Santa Efigênia.

Sempre com um convidado especial – já passaram pela noite Reginaldo Silva (ex Kamikaze), Maurinho Nastácia, Sérgio Pererê, Gustavo Andrade (Hot Spot), Affonsinho, Leandro Ferrari, Paulinho (Little Trouble) e muitos outros – o grupo traz releituras de rocks clássicos e, da veia, jorra Blues! Buscando inserir uma identidade própria, a Santiago Blues pesquisa de A à Z, desde o blues do Mississipi, passando por Chicago, e atravessando o Atlântico chega por vezes ao blues inglês. Mesmo em noites de junho, a casa quase pega fogo! Vindo de uma "escola de rock", Thiago Cruz exibe bastante perícia e força em seu vocal, por vezes gutural, por vezes suave e quase sempre sexual como tiver de ser. Mas sempre apaixonado e epidérmico. A guitarra de Diego Santiago exibe suingue, técnica e poder sonoro, na força do instrumento que define o que é blues. O gaitista Thiago Oliveira com sua sutileza técnica traz ao som o que às vezes falta: a cereja do bolo. A cozinha muito bem arrumada com Heltom Resende (contra baixo) e Rodrigo Buzelin (bateria), em alguns momentos a banda chega a promover um wall of sound em ambiente "caseiro". A banda se apresenta sempre às quintas-feiras pelo projeto A Casa do Blues, à Rua Padre Marinho, 30. A casa abre às 22h, e a apresentação se inicia por volta da 0h. A Casa ainda oferece dose dupla de Jack Daniel’s (nada mais apropriado) e Vodca Finlandesa. As quintas realmente não quentes!

Hoje, o número de bandas de blues em BH realmente nos enche de orgulho! Taxman Blues, Cevada Blues, Bendito Blues, Hot Spot Blues Band, Auder Gang, Leandro Ferrari Blues Stars, Santiago Blues, Little Trouble, além de iniciativas pra não deixar a peteca cair, como BH Soul Blues Festival e o Minas Harp.

E assim, o Blues vai construindo sua história por aqui, com muita mineiridade e malícia. E que seja assim por longos e longos anos!

Um grande abraço a todos e até a próxima estação amigos!
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