SkyDog: The Duane Allman Retrospective CD 1 (Review)



Recentemente, Galadrielle – filha de Duane Allman – compilou algumas gravações de seu pai a fim de lançar uma super coletânea. Só podemos dizer: "Belo Trabalho".

"SkyDog: The Duane Allman Retrospective" é mais que uma coleção, é como o nome propõe uma retrospectiva. Contendo varias gravações clássicas do famoso guitarrista, a coletânea traz tudo que se precisa ouvir com o toque do Skydog, além de algumas faixas novas.

Um fato interessantíssimo desta peculiar mega coletânea (com sete discos) é como ela aborda todos os anos ativos de Duane como músico, desde seu inicio com o The Escorts, posteriormente renomada para The Allman Joys, e seguindo uma trajetória linear, passa pelos anos como músico residente da Muscle Shoals, com gravações já lançadas nas "An Anthology Volume I e II", percorre as gravações com o Derek and The Dominos e contemplando todos os discos do Allman Brothers, até a sua ultima gravação em 1971.


O primeiro CD dos sete talvez seja a mais rica em novidades para a grande maioria dos fãs, uma vez que ela considera os primeiros anos de Duane no mundo da música, ou melhor dizendo, suas primeiras gravações, aproximadamente de 64 a 68.

A primeira faixa deste primeiro CD - que contem 23 - é a animada "Turn On Your Love Light". Com o nome de The Escorts, a banda dos irmãos dos jovens irmãos Allman tocam um rock bem característico do período (inicio dos anos 60), animado e divertido, sem solos de guitarras ou riffs elaborados, quase um "iê iê iê" típico de bailes.

Na sequência temos uma canção sem nome, "No name – instrumental" não deve ser nada alem de um Jam, um improviso. Ainda muito distante do que o Allman Brothers desenvolveria anos depois, a canção é calma e sem grandes mudanças ou solos de guitarra, uma calmaria, bem distinta dos improvisos que marcaria o Allman Brothers como uma das maiores Jam Bands da história.

A terceira faixa e última com o The Escorts é "What’d I Say". Tomando os ares da faixa de abertura, porem com um pequeno diferencial, esta trás uma pitadinha do surf music da costa oeste. Animadinha e divertida, mas ainda muito distante do que Duane e Gregg Allman viriam a desenvolver. Esta diferença fica evidente na quarta faixa.

Esta, Lançada em setembro de 1966 é um grande clássico do poeta do Blues, Willie Dixon. "Spoonful" é recheada de Riffs de guitarra e pela primeira vez com um solo evidente. Envolvente e divertida, diferentemente da versão que o Cream de Eric Clapton lançaria meses depois. Coincidência ou não esta faixa tão distinta das três anteriores é a primeira no nome do Allman Joys. A mudança do nome foi feita no verão de 1965.

A quinta faixa é "Gotta Get Away" seguindo os parâmetros da faixa anterior, esta deixa a guitarra mais evidente, uma pegada mais Rock’n Roll e um fraco solo de guitarra. Uma tímida Road Music. Na sequência vem "Shapes of Things", mais calma, uma prévia do que a banda se tornaria ao mudar-se para Los Angeles e renomear-se para The Hour Glass. No final, a sexta faixa é uma baladinha longe do Blues rock das faixas anteriores, até o minuto 1:35, quando há uma mudança de tempo e um acanhado solo de guitarra tem inicio, voltando ao seu ritmo aos dois minutos.

A sétima faixa desta magnífica coletânea é o clássico do blues "Crossroads" do Rei do Delta, Robert Johnson, nos arranjos do Cream de Eric Clapton. O riff de guitarra bolado por Clapton da a esta faixa um tom de cover, embora o solo de guitarra seja bem diferente entre as duas versões.

A oitava canção é "Mister, You’re a Better Man Than I", Com um refrão repetitivo, a canção é interessante. Uma balada simples com um solo de guitarra nos minutos finais. Na sequência inicia "Lost Woman". Trazendo um fundo com percussão, uma gaita e um certo psicodelismo, esta faixa é a ultima do he Allman Joys.

Em Março de 1967 o The Allman Joys, mudaria para Los Angeles e mudaria seu nome para The Hour Glass.

"Cast Off All My Fears" é a primeira faixa do Hour Glass e a décima do CD. Uma canção quase otimista, que de certa forma até lembra o The Mamas and The Papas e toda a atmosfera que envolveria a costa oeste no inicio dos anos 70, muito distante do blues rock que caracteriza o Allman Brothers até hoje.

"I’ve Been Trying" é a próxima, uma balada pura e simples, sem nenhuma grande peculiaridade ou singularidade. Não que a canção seja ruim, mas é longe do que se espera de Duane Allman depois de conhecer o seu trabalho, não é de se espantar que Duane tenha largado a banda.

"Nothing But Tears" talvez seja a canção do The Hous Glass que mais se destaque aqui sim se encontra um solo de guitarra, mesmo que curto e simples, assim como um riff de guitarra igualmente simples. "The Power of Love"- a décima terceira faixa - exprime bem o que a banda se tornou ao mudar-se e evidência todo o espírito Flower Power daquele momento em específico.

Como dito anteriormente de outras faixas, não é que seja uma canção ruim, na verdade é até bem agradável, no entanto, se não fosse o vocal de Gregg Allman seria difícil acreditar que ali estavam os fundadores do Allman Brothers Band.

No mesmo parâmetro de sua antecessora, "Down in Texas" é um 'rockzinho' simples com a única exceção por parte do solo de guitarra onde se encontra mais clara a pegada que Duane imprimiria em sua futura banda.

A décima quinta faixa é "Norwegian Wood (This Bird Has Flown)". Um instrumental psicodélico embalado a um som semelhante a uma citara em um riff repetitivo. Em seguida temos o "BB King Medley" como foi intitulado no "An Anthology Volume I", "Sweet Little Angel", "Its My Own Fault" e "How Blue Can You Get", três grandes clássicos do BB King em uma única faixa. Talvez essa seja a única faixa do The Hour Glass que consiga mostrar alguma semelhança com o futuro som dos irmãos Allman.

"Been Gone to Long" é a seguinte. Uma balada como muitas anteriores. Aqui já se pode sentir a força que o vocal de Gregg adquiriu. Uma balada com pitadas de blues um tanto simples, mas de uma delicadeza que a diferencia das suas antecessoras, principalmente pela excelência do vocal. "Ain’t no Good to Cry" é a décima oitava faixa e a última do The Hour Glass neste CD. Ainda muito distante do que Duane fantasiava para sua banda, esta faixa – embora seja um tanto divertida e bem mais elaborada que a grande maioria das anteriores – parece perder as raízes do blues que Duane tanto prezava.

Em setembro de 1968, a The Hour Glass estava extinta. Duane já havia se mudado para a Florida, seguido pelo seu irmão mais novo, e ambos foram a Jacksonville para gravar uma demo com o 31 St. February.

The Hour Glass
A The 31 St. February era uma banda que já existia, diferentemente das anteriores, não foi fundada pelos irmãos Allman, mas existe algo interessante a ser destacada nesta banda, que teve uma curta duração com os Allmans, é a presença de uma terceira pessoa que viria a ser bem conhecida por nos, fãs do Allman Brothers Band, a The 31 St. February era a banda de Butch Trucks, futuro baterista do Allman Brothers.

Em setembro de 1968, os irmãos Allman se juntaram ao 31 St. February para a gravação de dois demos, a primeira foi "Morning Dew" – a décima nona faixa do primeiro CD da coletânea – um cover de um cantor Folk do inicio dos anos 60, chamado Bonnie Dobson. Aqui sim, encontra-se a pegada que Duane tanto queria imprimir em suas bandas, seu solo já não é tão tímido e sua guitarra não se limita a apenas um solo, mas desfila por quase toda a faixa.

A segunda faixa gravada pela banda e a vigésima neste álbum é "Melissa". Esta canção, que viria a ser um clássico do Allman Brothers Band após seu lançamento em 72 no "Eat a Peach", foi composta por Gregg em 1966, no entanto, somente dois anos depois teve chance de grava-la. Aqui, a faixa é bem mais simples da que a que seria lançada anos depois, mas já se ouvi ao fundo o slide que tornaria Duane um dos maiores guitarristas da história.

A The 31 St. February teve uma vida curta com os irmãos Allman. Ainda em 68, Gregg Allman foi forçado a voltar a Los Angeles a fim de cumprir contrato com o The Hour Glass, o que ocasionou o fim do 31 St. February.

Neste mesmo período, Duane vai até o Alabama, ao estúdio Fame a procura de emprego. No entanto, não havia vagas, mas Duane se manteve por perto esperando por uma chance, esta chance veio ainda no mesmo mês, quando o The Bleus foi ao estúdio a fim de uma gravação. Duane tocou em três faixas.

The Allman Joys
"Milk and Money" é uma das primeiras canções de Duane como músico de estúdio, uma canção animada com pouco espaço apara a guitarra do Skydog. "Leavin’ Lisa", mantém o parâmetro. Uma balada animada com base no piano e com pouco espaço para a guitarra de Duane com exceção de uns poucos fraseados no meio das estrofes. A vigésima terceira e ultima faixa deste primeiro CD é "Julianna’s Gone". Com o apoio de alguns instrumentos de sopro, esta faixa calma e sublime e quase uma Love Song, conhecida aqui no Brasil como "musica de dor de cotovelo".

Por fim, Este primeiro disco desta incrível coletânea, este presente dado pela Galadrielle Allman, se mostra uma viajem no tempo, e uma chance rara de se acompanhar a trajetória de um ídolo. Mais que uma compilação de musicas, este CD que abrange os anos entre 1964 e 68, permite aos fãs mais atentos uma verdadeira viajem as origens e ao processo de desenvolvimento de seus ídolos e de algumas de suas canções.
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