Meu pai e o Homem de Preto


Para o cineasta canadense Jonathan Holiff, a figura de Johnny Cash representou, durante muitos anos, uma espécie de vilão. Afinal, ele era o culpado por seu pai nunca estar em casa. Não entendeu a ligação? É que Saul Holiff, pai de Jonathan, foi empresário do Homem de Preto por mais de uma década.

Por outro lado, quando criança, o garotinho enxergava Johnny como um verdadeiro super herói. “Todo vestido de preto, tão alto quanto uma árvore de carvalho e com uma voz tão profunda como o oceano. Eu pensei que se eu virasse as costas para ele, ele iria vestir uma capa e voar como o Superman”, conta Jonathan.

Com o passar dos anos, o cineasta foi entendendo melhor a relação do pai ausente com o astro da música americana. O resultado é o documentário “My Father and the Man in Black”.
A ideia do filme nasceu após a morte do pai, em 2005. Nessa época, ele descobriu que o empresário de Cash mantinha em casa um armário cheio de materiais importantes: mais de 600 cartas que trocou com o músico, além de gravações telefônicas. Foi só aí que Jonathan entendeu a real importância que o pai teve na carreira de Johnny Cash.

Saul foi um dos responsáveis por Cash ter gravado os antológicos álbuns "At Folsom Prison" e "At San Quentin". Além disso, o empresário ajudou Cash na recuperação de seu vício. Ele foi também uma espécie de cupido, fazendo de tudo para aproximá-lo de June Carter – quando ainda não eram casados.

O reconhecimento de Cash veio em sua autobiografia, escrita em 1997: “(Saul) é responsável pelos momentos mais importantes na minha carreira, e eu devo muito a ele”. Mas a relação dos dois não foi nada fácil. Sua união de 15 anos de trabalho foi repleta de desentendimentos e quase-divórcios, até que Saul o abandonou de vez em 1973. Inclusive, esse é o ponto alto do filme de Jonathan.

“O filme trará informações que mudarão a história como conhecemos”. Pelo menos é o que garante o site oficial do evento. O lado triste para nós brasileiros é que, a menos que o documentário ganhe muitos prêmios, nunca o veremos por aqui. O jeito é esperar e torcer.

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