Duane Allman - An Anthology Vol. II (Review)


"An Anthology" é uma série de quatro discos laçados em dois volumes com gravações do ex-guitarrista e fundador do Allman Brothers Band, Duane Allman.

Antes de fundar o Allman Brothers - alem de tocar em várias bandas como The Hour Glass, Allman Joys e outras - Duane foi um grande músico de estúdio, participando em gravações de outros artistas como: Wilson Pickett, King Curtis e Aretha Franklin. Após sua morte em 71, a gravadora reuniu diversas gravações antigas de Duane ou em que o guitarrista tenha participado e lançou a série de dois álbuns duplos, "Duane Allman, An Anthology".


Alem de grandes gravações antigas de Duane com outros músicos, a série An Anthology trouxe para os fãs uma grande novidade para a maioria, o vocal de Duane Allman.

Antes de ter permissão por parte da gravadora para montar sua própria banda, Duane vinha fazendo gravações próprias para o que seria o seu disco solo. Para a sorte dos fans, a autorização saiu e Duane pode formar o Allman Brothers Band, deixando a sua carreira solo de lado, gravando apenas algumas musicas onde ele mesmo cantava. Algumas delas foram lançadas no Na Anthology Volume 1: "Going Down Slow" e "Living in The Open Road".

O segundo álbum da série abre sua lista com um Rock’n Roll no melhor estilo Chuck Barry. "Happily Married Man" trás uma agitação diferente dos tons de blues e jazz que tanto caracterizam o Allman Brothers. "Happily Married Man" é uma alegoria irônica a instituição do casamento:

"I ain't seen my wife for two or three years
I'm a happily married man"

Em seguida vem "It Ain't Fair". Aqui sim se nota claramente o toque do Sky Dog. Um blues lento, rasgado pela poderosa voz de Aretha Franklin e contando ainda com o sax de King Curtis. Embora a guitarra de Duane não desenvolva ou exploda como é de costume ouvir-se no Allman Brothers, o toque do Sky Dog se faz presente.

A terceira faixa é um magnífico instrumental. No primeiro Álbum da série, foi lançado uma versão de "The Weight" que, a exemplo de "It Ain't Fair", ganhava vida na voz de Aretha Franklin, mas aqui, "The Weight" ganha uma cara diferente, com o Sax de King Curtis e a guitarra de Duane.

Na sequencia, encontra-se mais um belo blues, "You Reap What You So", na voz de Paul Butterfield, vem calma e melancólica, sublime e solene. "Matchbox" vem na sequencia. Um divertido Boogie Woogie com direito a um curto solo de slide seguido por um solo de gaita. A canção de Ronnie Hawkins é animada e divertida, e – apesar de não dar tanto espaço a Duane - se pode ouvir claramente o toque de Duane.

A sexta faixa é uma regravação de um dos maiores hinos do Rock dos anos 60. "Born to Be Wild" da banda canadense Steppenwolf. Esta é de longe uma das faixas que mais tão a Duane liberdade para desenvolver. O vocal desta canção esta com Wilson Pickett – com quem Duane gravou "Hey Jude", presente no primeiro disco da série. A versão de Pickett deste clássico da Road Music destoa da musica original no momento em que abdica do órgão – instrumento fundamental no Steppenwolf. – e valoriza o slide de Duane e o contra baixo.

Em seguida temos "No Money Down" e uma surpresa para os fans, a voz de Duane. Um Blues Rock no melhor estilo Jimi Hendrix (sem a "freneticidade" e os ácidos, evidente) e depois, uma leve balada na voz de Gregg Allman da época do The Hourglass. "Been Gone To Long" não tem nada que lembra as guitarras do Allman Brothers, nem mesmo o Blues/Jazz Rock contagiante da banda, mas assim, uma balada suave para se tocar nos bailes de formatura.

"Stuff You Gotta Watch" ocupa a nona faixa. Agitada e contagiante esta funk de Arthur Conley trás uma marca forte das backing vocals e sobre tudo do suporte dos instrumentos de sopro mas sem deixar de lado o slide de Duane, no fundo com pouco destaque, mas nos deixa claro que em praticamente todas as faixas, o Sky Dog deixa a sua marca, independentemente do artista ou banda com quem Duane esteja tocando, seu dedo estará la, isso é facilmente notado.

A faixa dez é "Dirty Old Man" da cantora Lulu. Seguindo o exemplo de sua antecessora - "Stuff You Gotta Watch""Dirty Old Man" confirma o que foi dito acima quanto à presença de Duane. Mas um funk com forte presença dos instrumentos de sopro.

A ultima faixa do primeiro disco é "Push Push" de Herbie Mann. Um longo instrumental – aproximadamente 10 min. – a base de Flauta doce com solos de guitarra salpicados. Aqui sim nota-se a pegada de Duane no melhor estilo Allman Brothers, embora esteja sem seu Slide.


Abrindo o segundo Disco vem “Walk on Gilded Splinters” ma voz grave de Johnny Jenkins. Com um pesado riff, essa musica estende-se por pouco mais de cinco minutos com o apoio de um coro. Aqui, a guitarra de Duane fica em segundo plano com pouca participação, nota-se apenas em alguns momentos um slide correr um Dobro ao fundo em movimentos repetitivos.

“Waiting For the Train” é a segunda faixa. Um Country Blues na voz de Boz Scaggs com quem Duane gravou “Somebody Loan me a Dime” presente no primeiro álbum da série “An Anthology”. Um singelo country blues com ênfase no vocal, valorizando o piano. “Don't Tell me Your Troubles” vem em seguida, um pouco mais acelerada que a sua antecessora, a terceira faixa consiste em um lento Country blues com ênfase na gaita, mas sem deixar de lado o slide de Duane que ganha destaque no final da musica, embora corra um dobro a musica inteira.

“Goin' Upstairs” é a quarta faixa, um Blues Rock com riff repetitivo com a cara do John Lee Hooker. O Slide de Duane se destaca em um solo, embora apareça por toda a musica.

A quinta faixa, uma faixa ao vivo, começa com a apresentação: “Delaney, Bonnie and Friends”. A faixa é nada menos que “Come on in my Kitchen” um clássico do blues do delta composta pelo seu rei Robert Johnson. Aqui Duane “brinca” com seu slide percorrendo todo o Dobro, não se pode ouvir essa faixa sem pensar: “como eu gostaria de ter assistido a essa gravação”.

(Bonnie, Delaney e Duane)
A sexta faixa é “Dimples”, já com o Allman Brother, essa versão da musica do senhor John Lee Hooker tem a cara do Allman Brothers, mas trás uma coisa a mais, a voz de Duane. esta é uma das poucas vezes em que Duane tomou o vocal com o Allman Brothers Band. “Goin' up The Country” ocupa a sétima faixa, seria uma das musicas solos de Duane conforme comentado no inicio do post. Um instrumental com tudo que se tem direito, slide, órgão, os instrumentos de sopro ao fundo, mudança de tempo e um final em Fade out.

As ultimas três faixas do álbum são gravações do Allman Brothers Band, a primeira é “Done Somebody Wrong” retirada do "At Fillmore East", a segunda é “Leave My Blues At Home” retirada do "Idlewild South" e a ultima faixa do álbum é uma versão ao vivo de “Midnight Rider” gravado em Fillmore East, mas que não entrou para o álbum lançado em 1971.

Por fim, An Anthology Volume II trás aos fãs de Duane Allman um algo a mais alem de novas musicas de um ídolo, tornando-se uma peça essencial na discografia de qualquer de qualquer fã do Sky Dog. Mais uma forma de manter viva a musica de Duane Allman e “Remember Duane Allman”.
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