Entrevista com a banda Blues Riders


O Vinícius Volpato fez mais uma entrevista para o Southern Rock Brasil. Dessa vez ele entrevistou a banda paulistana Blues Riders formada pelo Sidnei Hares (voz e guitarra), Áureo Alessandri (guitarra), Alvaro Sobral (baixo) e Arthur Castroviejo (bateria). Esse ano a banda está completando 18 anos de estrada e o Áureo Alessandri contou um pouco da história da banda e projetos futuros.

Como a banda começou?

Começou no início dos anos 90 com a união de amigos de infância que amavam o Blues, o Rock e o motociclismo. O repertório da época era praticamente calcado no Blues autoral. Daí o nome da banda. Com o tempo, a música foi fluindo mais para o lado do Hard Rock, mas como sempre usamos gaitas e teclados blueseiros, decidimos manter o nome da banda. Nossa primeira apresentação como Blues Riders foi no legendário palco do Aeroanta em 27 de junho de 1994 e é essa data que adotamos como o princípio de tudo.

Quais as principais influências da banda?

São muitas e obviamente o Rock inglês e americano exercem grande influência nas bandas de Rock do resto do mundo. De toda forma, por mais que sejamos influenciados por bandas internacionais, sempre cantamos em português e procuramos não deixar transparecer no nosso som  as características de bandas que nos influenciaram. Entendemos que essa é a única forma de assumir uma identidade própria e marcante: Não prestar tributos a outras bandas na nossa música.

Quais são os planos para os próximos meses/anos?

Este ano completamos 18 anos de carreira com os Blues Riders. Desses 18 anos, permanecemos 15 anos com a formação original - Certamente é um recorde. Gravamos 2 CDs oficiais, fizemos uma infinidade de shows pelo país, tocamos com nossos ídolos, tocamos em rádios FM, demos entrevistas às principais publicações de Rock e fizemos muitos amigos.

Pra comemorar essa longa jornada de pura paixão pela música, batemos nosso recorde de shows em 2012 apresentando ao público uma nova formação com jovens talentosos que deram sangue novo à banda. A receptividade tem sido realmente acima do esperado e as férias que planejamos para dezembro provavelmente não vão acontecer pois os convites pra tocar não param.

De toda forma, estamos compondo material novo para um CD que eternize esse momento mágico que estamos vivendo agora. Também está nos planos o relançamento do nosso primeiro CD "Blues Riders na Cidade Rock" de 2000, uma verdadeira raridade hoje em dia.

Sabemos da dificuldade que as bandas de rock 'n roll tem no mundo musical de hoje. Há uma luz no fim do túnel?

O momento atual é uma equação complicada de se entender. A industria fonográfica se transformou completamente. Há vantagens e desvantagens:

Antigamente as gravadoras só abriam as portas para o grupelho de artistas que lhes lambia as botas e que lhes provia de lucros enormes. Hoje em dia lançar um CD está ao alcance de todos e a divulgação de um trabalho é rápida, simples e muito eficiente.A mídia popular no Brasil nunca teve nenhuma representatividade cultural no país e portanto exigir que o programa do Faustão receba de braços abertos uma banda de Rock autoral é uma ilusão com a qual não se deve perder tempo.

O Rock sempre teve sua própria mídia underground, seus heróis anônimos que promovem o agito cultural para quem tem gosto refinado e não se contenta em ver o Chimbinha tocando guitarra na TV. O Rock é, e sempre será, Cult. Portanto as bandas de Rock sempre estiveram e sempre estarão nesse contexto.

Por outro lado, o público atual não sabe mais o que é escutar música.Vejo a molecada de hoje baixar playlists de 5000 músicas num celular made in China e sair tocando aquilo em ordem alfabética sem saber em que época foi gravado, nem por quem, nem em que contexto foi produzido. Às vezes nem sabem que banda é aquela e às vezes só escutam 15 segundos de cada faixa antes de pular pra próxima. Isso é a degradação da arte. É reduzir a música a uma espécie de Fast Food eletrônico, em que se consome muito e se aproveita pouco.

Pior é que essas músicas são baixadas de forma pirata. Hoje em dia se criou uma cultura de achar que música é algo que se baixa grátis na internet e que pagar por música é coisa para velhotes otários. O que essa turma de acéfalos não consegue entender é que alguém pagou para fazer aquela música. Estúdios decentes custam muito caro. Equipamentos bons custam muito caro. Músicos bons precisam se sustentar e portanto BOA MÚSICA CUSTA CARO.

O resultado da acefalia atual é que muito em breve nenhum artista decente investirá em fazer boa música. Num futuro breve, música será algo feito por amadores desocupados dentro de um quarto com bateria eletrônica e plug-ins ridículos ligados em placas de som chinesas num laptop comprado no Paraguai. E quem será o responsável por degradar a música a esse nível? O PÚBLICO QUE NÃO SABE CONSUMIR MÚSICA.

Essa parte fica para os agradecimentos da banda, comentários etc...

Nós estamos aqui, na estrada, há 18 anos. Talvez seja teimosia, talvez idealismo. Pode ser também a nossa obsessão pelo impossível, o nosso amor pela miragem, um talento inato para o labirinto.

Nos caracteriza uma dureza de espírito típica dos que não se abatem, dos que insistem, dos que tem a coragem para o proibido... Aquela predileção pelo entusiasmo e pela integridade. Nossa obra é para poucos pois só o depois de amanhã nos pertence. Alguns já nascem póstumos.

Nós somos os Blues Riders -  NEVER STOP ROCKIN' !!!
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