Lynyrd Skynyrd - Second Helping (Review)



Após o sucesso de "Pronounced 'lĕh-'nérd 'skin-'nérd", a banda se reuniu novamente para gravar um segundo álbum, o desafio agora era montar um álbum tão bom quanto o primeiro. Um desafio e tanto. O Skynyrd juntou então suas guitarras e foram parar em Los Angeles, na Califórnia. 

O resultado das gravações feitas no Record Plant em 1974 foi o "Second Healping", laçado no mesmo ano. O álbum chegaria ao 10° lugar na Billboard e receberia o certificado de ouro no mesmo ano de seu lançamento. Alem disso é neste álbum que o Lynyrd Skynyrd é marcado como uma banda sulista. A primeira faixa é a mítica "Sweet home Alabama". Uma acida resposta a musica "Alabama" do cantor canadense Neil Young.


Em entrevista o guitarrista Ed King conta como foi o processo de composição do hit:

"A primeira gravação que eu realmente me lembro de ter estado lá, sabe quando você se vê vinte e cinco anos depois? Foi Sweet Home Alabama. Foi a primeira vez que ensaiamos com Leon no baixo, minha primeira vez na guitarra. Eu me lembro de entrar na Hell house e Gary estar tocando aquele seu riff de guitarra, eu só peguei minha Stratocaster e comecei a tocar o meu riff, sabe ‘tam, tam, taram...’ e ai Ronnie disse, não pare, continue. Dez minutos depois Ronnie tinha as duas primeira estrofes da musica escrita. Depois que eu ouvi as duas primeira estrofes cara, eu só ‘fui com a corrente’, peguei os acordes e tudo, ai ele veio pra mim com o refrão. É, eu me lembro muito claramente."

A musica, que canta sobre o sul e traz uma forte critica social, foi ignorada pela gravadora, ela se recusou a usa-la como single, acreditando que a faixa era regional demais para virar um hit.

De frente ao estrondoso sucesso que "Sweet home Alabama" fez, a gravadora passou a acrescentar ao cenário da banda a bandeira confederada, reforçando a ideia da banda como uma banda sulista. Musicalmente falando, "Sweet home Alabama" é o exemplo do Country Rock. Hoje, a musica é quase como um padrão, um modelo. O trabalho de Ed King com a guitarra, os riffs e seu solo, torna até difícil prestar atenção nos demais instrumentos. 

"I Need You", a segunda faixa, traz um sentimento diferente de sua antecessora, se "Sweet home Alabama" é um exemplo de Road Music, daquelas em que você aumenta o som e pisa fundo, "I Need You" vem diminuir o ritmo. Com uma introdução longa com duas guitarras simultâneas, fruto da imaginação de Ed King, a faixa é um lamento. A letra – que, como seu titulo sugere – é carregada de saudades. Há quem diga que a foi escrita em um momento de saudade de Ronnie por sua mulher durante uma das várias viagens da banda. "Don’t Ask Me No Questions" vem com um riff de guitarra expressivo e com uma letra ainda mais. “Não me pergunte nada e eu não lhe digo nenhuma mentira”. É sabido que apesar da movimentação e agitação pela qual os membros do Skynyrd passavam, Gary Rossington e Ronnie Van Zant gostavam de fugir dessa agitação toda e sair para pescar no domingo pela manhã quando estavam em Jacksonsville, ou seja, quando estavam fora da estrada, em geral, não gostavam de falar da estrada. “Eu não pergunto sobre os seus negócios, não me pergunte sobre os meus”.

É fácil ver por que "Workin’ For MCA" - seguida por "I Ain’t the One" - abriria o show da banda por anos e anos, a sua agitação é contagiante e sua letra cômica. Uma autocrítica a gravadora. Com vários solos de guitarra, alguns simultâneos, e um eletrizante solo de piano, a musica te levanta e te faz cantar junto. Não se pode ignorar o excelente trabalho de Bob Burns na bateria. "The Ballad of Curtis Loew" parece ser tocada ali na varanda, quase da pra sentir o cheiro dos dias quentes do Sul. Uma balada magnífica sobre um velho cantor de blues da cidade. A musica não foi inspirada em um musico em especifico, segundo Ronnie, a canção foi inspirada em vários musicos de rua que Ronnie via quando criança.

Com seus vários Slides, "The Ballad of Curtis Loew", se mostra relaxante e convidativa. Aparentemente, a musica nunca foi tocada no palco até a turnê de tributo, com Johnny Van Zant nos vocais anos após o acidente. "Swamp Music" é numero certo nas apresentações da atual formação do Lynyrd Skynyrd. Com as guitarras expressivas, Riffs e solos carregados de uma mistura perfeita de musica country e rock’n roll, a faixa numero seis é considerada hoje uma das favoritas pelos fans.

"The Needle and the Spoon" é uma clara referencia as drogas – mais especificamente a heroína.

"Foi a agulha e a colher, e uma viagem para a lua. Me levou." ... "Sete médicos não puderam ajudar a minha mente, eles disseram: é melhor parar filho, antes da sua morte. Abandone a agulha e a colher, e a viagem para a lua. Nos vamos te levar embora." ... "Eu vi pessoas senhor, que se achavam legais, olhei de novo e vi um bando de idiotas."

Instrumentalmente falando "The Needle and the Spoon" traz o que o Skynyrd sempre teve de melhor, Riffs e solos. Mas o destaque nessa faixa é o magnífico solo do Allen Collins aos 01:40, com um wah wah, um pedal que da um efeito diferente a guitarra, um efeito que o Skynyrd não usa com muita frequência. (recentemente usado em "Good Teacher" no "Last of a Dyin’ Beed"). Pode-se ouvir Ronnie dizer "shoot" – injete, em português – segundos antes do solo. Preste atenção.

Fechando o álbum vem uma versão magnífica de "Call Me the Breeze" de J.J. Cale. Essa faixa vem para coroar Billy Powell como o instrumentista magnífico que ele era. Um Rock’n roll de estrada da melhor qualidade, virou um hit do Skynyrd, se tornando numero mais que certo e necessário, nas apresentações da banda. Alem do solo de piano aos 02:55, Gary Rossington faz um solo harmonioso como só ele faz.

No final das contas, o "Second Helping" fez o improvável, foi tão bom quanto seu antecessor. Rendeu ao Lynyrd Skynyrd vários hits e o titulo de Símbolo do sul.
(contracapa do disco lançado em 74) 


(Vídeo com os singles, para divulgação do álbum) 
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