Lynyrd Skynyrd - Pronounced 'lĕh-'nérd 'skin-'nérd (Review)

(Esquerda para direita, sentados: Leon Wilkeson, Billy Powell, Ronnie Van Zant, Gary Rossington. Em pé: Bob Burns, Allen Collins, Ed King.)
Em 1973, do meio da cidade portuária de Jacksonville, surge o Lynyrd Skynyrd. Desde os anos 60 o embrião do Skynyrd já corria as estradas tocando em bares e espeluncas pelas noites a fora, então, quando o grupo se reuniu para gravar seu primeiro álbum, a banda já estava mais que afiada.


Com uma pitada de blues, boogie oogie, Country e muito Rock’n roll o Lynyrd Skynyrd mostrou pro mundo o que o sul tinha de melhor (e que nunca voltaria a ter). Pronounced é o que se pode chamar de “entrada triunfal”, uma estreia magnífica. Uma mistura sublime de descendência negra com estereótipos caipiras!”, a primeira faixa – que viria a abrir os shows da banda por anos – abre com a mão pesada de Gary Rossington em um belo riff dando base a intro, seguida pela poderosa voz de Ronnie Van Zant cantando sobre um cowboy que não quer se prender.

Com um efeito sobreposto, o que da a sensação de duas guitarras simultâneas, o Lynyrd Skynyrd fez o seu som característico. Apesar de já apresentar o trio de guitarras que faria sucesso, o álbum foi basicamente gravado pelo Allen Collins e Gary Rossington nas guitarras, Ed King estava no baixo, só tocando guitarra em "Mississippi Kid".

“Tuesday Gone” que viria a ser um clássico atemporal, sobrevivendo há praticamente quarenta anos, conta uma triste historia de amor... Não posso afirmar, já que me faltam fontes, mas já li que a historia de “Tuesday Gone” foi baseada em uma garota por quem Ronnie se apaixonou, e, no dia em que o jovem foi declarar-se, ele se atrasou e quando chegou ao local de encontro, a estação de trem, o trem já tinha partido. Se a história é real ou não, não importa, ainda fica a musica. Um trabalho magnífico banhado ao som do órgão, com muitos Bends e um lindo solo de piano seguido de um trabalho esplendido com slide. É fácil entender o motivo de “Tuesday Gone” ter virado o clássico que virou. O Skynyrd mostrou que os beberrões truculentos poderiam ser sensíveis, e fariam isso melhor ainda nas faixas seguintes como "Simple man" e "Free Bird".

A terceira faixa é “Gimme Three Steps”. Se até agora o Skynyrd mostrou a imagem do Cowboy e do homem sensível, em “Gimme Three Steps”, a situação muda. A canção é basicamente uma história:
“Eu estava me divertindo em um lugar chamado Jug com uma garota chamada Linda Lu, então entrou um cara com uma arma procurando você sabe quem. Ai disse: ‘Ai, você ai de cabelo amarelo, ta querendo provar o que? Porque essa ai é minha mulher e eu sou do tipo de cara que se importa, e isso tudo deve ser por sua culpa! Eu disse: Como é?'” ["Gimme Three Steps"]
E daí a história de desenrola com um tom um tanto cômico. Com relação à letra, deve ser muito divertido ouvir em algum bar, afinal qualquer um de nos poderia ter conhecido a Linda Lu. Instrumentalmente falando, “Gimme Three Steps” mostra o que é básico no Lynyrd Skynyrd, riffs, riffs, solos e mais riffs. Em minha opinião, “Gimme Three Steps” ganharia mais força em sua versão ao vivo, o que não desmerece sua versão de estúdio, afinal a musica virou um dos clássicos do Skynyrd, numero certo nas apresentações da banda, até hoje.

Em seguida vem “Simple Man”, outro super-classico. Uma linda balada sobre os ensinamentos passados de mãe para filho. Em sua versão ao vivo, lançada no CD Deluxe do "One More From the Road" em 2001, se pode ouvir Ronnie falando antes da musica: “Essa é uma musica que é muito querida por mim, é sobre algo o que minha avó falou pra mim, então decidimos coloca-la neste álbum.” Ronnie Van Zant sempre defendeu que escrevia musicas simples para pessoas simples, "Simples Man" é um exemplo perfeito. Em três acordes o Skynyrd montou um colosso de musica.
“Voce já esteve no gueto? Já sentiu o vento frio soprar? Se você não sabe do que estou falando, porque não levanta e grita, porque têm coisas acontecendo das quais você não sabe” [“Things Goin’ on”]
“Things Goin’ on” vem com riff’s poderosos e um piano muito ao estilo Honky Tonky, uma letra que beira uma denuncia sobre o descaso do governo, “Things Goin’ On” traz uma mistura magnífica de estilos musicais, coisa que o Skynyrd fazia com maestria.

“Mississippi Kid”, a sexta faixa, tem uma pegada acústica, com a presença de um dobro, bandolim, e uma gaita no melhor estilo country. "Poison Whiskey" é trabalhada em um forte riff de guitarra e os solos característicos do Skynyrd, sua letra remete a bebedeira e tudo mais, mas com o agravante da morte por um Whisky envenenado, há quem diga que a letra se remete a Robert Johnson, o famoso bluesman que teria sido envenenado. Se é verdade não posso afirmar, mas, assim como Johnson, Ronnie tem o habito de lançar agudos pelas musicas, desde a primeira faixa do Pronounced isso é visível, se essa técnica foi herdada de Johnson, não se sabe, mas as coincidências são muitas. Por fim, "Poison Whiskey" é uma música divertida e pode sem duvida entrar (em minha opinião) como uma das melhores canções compostas por Ed King.

"Free Bird", a nona e última música do álbum entraria para a história, não só como maior hit do Skynyrd, mas como o hino do Southern Rock. A linda introdução é organizada por três instrumentos, primeiro, um órgão profundo, similar aos ouvidos nas igrejas sulistas; Um violão com batidas longas precedendo um o dedilhado de piano e, quando tudo isso forma um melodia magnífica, entra o Gary Rossigton, descendo o braço da guitarra rasgando um slide diferenciado. Em entrevistas Gary teria dito que em "Free Bird" ele usava uma afinação diferente, substituindo a corda Sol por uma mais pesada afim de formar um som diferente dos slides usuais – talvez daí o motivo de até hoje, o guitarrista usar uma SG da Gibson para tocar "Free Bird" e não a sua Les Paul Berenice.

Depois que a melodia já esta arrumada, com órgão, violão, piano, guitarra e bateria, a voz de Ronnie toma a música com a letra. Há quem diga que a letra tenha surgido pela frase “If i Leave here tomorow, would you remeber me?”, que teria sido dita por uma namorada de Allen Collins, guitarrista que escreveu a música juntamente com o vocalista Ronnie Van Zant. Gary Rossington afirma que a letra da música foi escrita em apenas três minutos, Ronnie teria ouvido a frase, sentado e escrito a música. O magnífico solo de cinco minutos que coroa a música pode ser todo creditado ao Allen Collins, embora a música claramente apresente uma batalha de guitarras, a gravação foi feita sobreposta, ou seja, Collins gravou um solo e posteriormente gravou o outro e o sobrepôs.

Embora a letra – aparentemente – tenha sido feita em três minutos, o mesmo não se pode dizer do solo, este, foi fruto de muito ensaio e show pela noite. Ronnie Van Zant aparentemente dizia toda noite: “O solo não esta longo o suficiente, alongue mais.”, a politica do vocalista era muito rígida quanto aos ensaios. O fato é que "Free Bird" é uma aula de guitarra, desde sua delicada melodia até sua mudança de tempo e entrada do solo, um inicio clamo e delicado e uma aceleração explosiva terminando em fadeout.

O Pronounced sem duvida é um dos maiores álbuns da historia do rock, em 74 o Skynyrd ganharia o disco de ouro por ele. Pode-se dizer que com essa estréia a banda dos garotos de Jacksonville botou seu nome na história.
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