Howlin’ Wolf – The London Holwlin’ Wolf Sessions (Review)


No final dos anos 50, o blues cruzou o Atlântico e passou a fazer a cabeça de muitos músicos do Velho Continente, notadamente os britânicos. Bluesmans como Howlin’ Wolf, Muddy Waters e Elmore James exerceram grande influência nos trabalhos de artistas como Eric Clapton, Rory Gallagher e de bandas como Rolling Stones, The Who e Led Zeppelin.

Sabendo disso, a gravadora Chess Records, em uma jogada genial, promoveu no início dos anos 70, o encontro entre grandes artistas de seu catálogo (Howlin’ Wolf, Muddy Waters, Bo Didley e Chuck Berry) e jovens artistas britânicos.

Lançado em 1971, "The London Howlin’ Wolf Sessions" é o primeiro da série. Gravado em um estúdio londrino, o álbum é o resultado do encontro entre o velho lobo, Howlin’ Wolf e "certos músicos britânicos": Bill Wylman e Chalie Watts (a cozinha dos Rolling Stones), Eric Clapton, Steve Winwood, Ian Stewart (tecladista considerado o sexto Stone) e Ringo Starr (creditado no disco como "Ritchie”). Há ainda que se ressaltar que o disco conta com a contribuição do lendário guitarrista americano, Hubert Sumlin, morto no final de 2011, grande bluseiro e parceiro de Wolf.

Essa reunião deu origem a um disco memorável, para deleite dos fãs de blues! Os jovens músicos ingleses se portam como “aprendizes”, venerando Wolf, cujo canto gutural soa poderoso, absoluto como um autêntico grito de um lobo. Ainda assim, não podemos deixar de notar que os convidados são responsáveis por adicionar aos clássicos de Wolf, uma sonoridade “setentista”, presente em qualquer banda de rock da época.

Em canções como "Rockin’ Daddy" (que abre o disco, em um ritmo alucinado), "Worried About My Baby", "What A Woman!" e "Built For Comfort" temos alguns indícios de como o rock and roll e o blues são consanguíneos! Clapton dispara, à vontade, com sua guitarrada, bluseira até a alma!

O disco ainda viaja por outras sonoridades: as clássicas "I Ain't Superstitious" e "Sittin' On Top Of The World", a nervosa "Wang-Dang-Doodle", a poderosa "Poor Boy", "Highway 49" (em que ouvimos um tema à Elmore James) e "Do The Do" (com uma guitarrada que lembra Bo Didley). E o que dizer de "Who's Been Talking?" com uma indisfarçável latinidade à Carlos Santana, em que o órgão tocado por Winwood se destaca?

O ponto alto do disco, sem dúvida, é "The Red Rooster" (composta por Willie Dixon), canção icônica do repertório de Wolf, marcada por um envolvente riff de slide guitar. Vale a pena prestar atenção  em "The Red Rooster (false start and dialogue), faixa que antecede a versão integral da música. Aqui, ouvimos o velho lobo, munido de seu  violão,  ensinando Clapton e os outros, o andamento correto da música.  Simplesmente emocionante!

"The London Howlin’ Wolf Sessions" é um clássico indiscutível, em que o velho lobo e seus convidados trocam figurinhas, com naturalidade. Como não poderia deixar de ser, o álbum nos apresenta verdadeiros petardos bluseiros, para serem ouvidos com alma. Para aqueles que veneram o blues! E para todos os que amam o rock!


Faixas:

01 - "Rockin' Daddy" (Chester Burnett)
02 - "I Ain't Superstitious" (Willie Dixon)
03 - "Sittin' On Top Of The World" (Chester Burnett)
04 - "Worried About My Baby" – (Chester Burnett)
05 - "What A Woman!" (James Oden)
06 - "Poor Boy"(Chester Burnett) 
07 - "Built For Comfort" (Willie Dixon) 
08 - "Who's Been Talking?" (Chester Burnett)
09 - "The Red Rooster (false start and dialogue)"
10 - "The Red Rooster" (Willie Dixon) 
11 - "Do The Do" (Willie Dixon) 
12 - "Highway 49" (Big Joe Williams)
13 - "Wang-Dang-Doodle" (Willie Dixon)


Anderson Lobo
(http://www.poetaandersonlobo.blogspot.com.br)
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