Duane Allman - An Anthology Vol. 1 (Review)


"An Anthology" é uma série de quatro discos laçados em dois volumes com gravações do ex-guitarrista e fundador do Allman Brothers Band, Duane Allman.

Antes de fundar o Allman Brothers - alem de tocar em várias bandas como The Hour Glass, Allman Joys e outras - Duane foi um grande músico de estúdio, participando em gravações de outros artistas como: Wilson Pickett, King Curtis e Aretha Franklin. Após sua morte em 71, a gravadora reuniu diversas gravações antigas de Duane ou em que o guitarrista tenha participado e lançou a série de dois álbuns duplos, "Duane Allman, An Anthology".

Logo de cara se tem um belo Medley, "B.B. King Medley". (ou pout pourri como se diz aqui no Brasil). Mesclando três grandes clássicos do King, "Sweet Little Angel", "It’s My Own Foult" e "How Blue Can You Get?". A guitarra de Duane se destaca. A gravação é do The Hour Glass, a antiga banda que Duane formou com seu irmão Gregg Allman, que já assumia o vocal. Nota-se fácil como a musica tem a cara do Allman Brothers Band.

"Hey Jude" é a segunda, uma versão do Wilson Pickett de um clássico dos Beatles. Há quem diga que Eric Clapton teria convidado Duane Allman para a gravação do "Layla and Other Assorted Love Songs" após ouvir essa faixa no rádio, se é verdade, só o próprio Clapton pode afirmar, mas é uma teoria perfeitamente plausível, afinal, o trabalho de Duane nessa faixa é memorável. Transforma a balada dos Beatles em uma canção completamente diferente. Com a base em um órgão, os instrumentos de sopro reforçando e um solo explosivo bem ao estilo rock’n roll pra finalizar, a faixa é sem duvida uma das melhores do álbum.

Clarence Carter canta a terceira faixa, "The Road of Love". Com um riff repetitivo e envolvente a musica ganha força mesmo não é pela guitarra, mas sim com os instrumentos de sopro, no entanto, Duane sempre se faz notar nas gravações, mesmo não explodindo como na faixa anterior o Slide de Duane se faz presente em um solo magnífico, exatamente em 01:27.

"Goin’ Down Slow" é a quarta faixa e a segunda mais longa do disco 1, com seus 9 minutos. A musica começa lenta e as estrofes são catadas calmas, quase que faladas, mas quando a guitarra de Duane começa, a musica se transforma, um piano aparece pra fazer a base e a guitarra se solta em um solo alternando as notas, ora calmamente, ora freneticamente. Se você, mais que fan do Allman Brothes, é fan do Duane Allman, não pode deixar de ouvir essa faixa.

"The Weight" é a quinta faixa. Cantada pela poderosa Aretha Franklin, esse Soul tem a presença e toda a habilidade de Duane no seu melhor, no Slide. Mais uma vez os instrumentos de sopro fazem a força da musica e Duane brinca com o vocal, solando fraseados curtos após uma frase cantada. "Game People Play" com o saxofonista King Curtins é um belo instrumental no sax e no Slide de Duane, contando com vários outros instrumentos de sopro. A musica é bem gostosa, quando a guitarra e os dois saxes “brincam” de frasear. "Shake for Me" tem uma pega mais diferente das anteriores, com instrumentos de percussão que de certa forma lembra um pouco o Allman Brothers Band. Duane se faz notar logo, com seu Slide pela musica e pelo solo aos 1 minuto e 20.

"Loan Me a Dime" é a penúltima faixa e disco 1 e a mais longa da coleção com seus mais de dez minutos. Essa faixa é uma versão de um antigo blues de Fenton Robinson, cantada aqui por Boz Scaggs. Aqui a faixa vira um blues bem mais lento que sua versão original, e a guitarra de Duane faz a diferença. Com um piano fazendo a base, e uns instrumentos de sopro fazendo um acompanhamento, Duane tem todo o espaço para “brincar”, sua guitarra se destaca pela faixa inteira e mais uma vez, assim como em "Hey Jude", explode em um solo incrível fazendo o final da faixa em um longo solo até começar a frasear com os instrumentos de sopro. Sem duvida essa é uma das gravações mais memoráveis do Sky Dog, e eu digo sem medo que esta é uma das melhores gravações do guitarrista.

Fechando o primeiro CD do álbum, temos "Rolling Stone", também conhecida como "catfish blues", um antigo blues do mestre Muddy Waters. Uma Faixa acústica com uma forte pegada do blues do delta. A musica é feita a base de Slides, dois violões (ou, provavelmente, dois Dobros) fazendo riffs seguidos acompanhando o vocal. Uma verdadeira aula de blues.

Duane Allman com Wilson Pickett que canta Hey Jude

Abrindo o segundo CD temos "Livin’ on The Open Road" com Delaney & Bonnie & Friends. Uma verdadeira Road song, com o slide de Duane passeando por toda musica, nota-se claramente como Duane influenciou Gary Rossigton apenas ouvindo esta faixa.

Em seguida vem "Down Along the Cove", onde mais uma vez Duane Allman mostra sua especialidade, esta é mais uma gravação com Johnny Jankins - que também gravou "Rolling Stone", a ultima faixa do disco 1. A musica acaba assim como começa, matando-se igual do início ao fim, batida repetitiva, riffs repetitivos com o slide de Duane por entre as frases do vocal. A terceira faixa, "Please, Be With Me", começa com uma conversa seguida de um dedilhado delicado no violão, com o slide ao fundo. Uma musica calma com um toque de country, uma das poucas acústicas da coleção.

A quarta faixa é "Mean the Word", um antigo blues de T-Bone Walker, cantado aqui por Eric Clapton. O encontro de Duane Allman e Eric Clapton já rendeu muito. Esta faixa não esta no "Layla and OtherAssorted Love Songs", mas sem duvida foi resultado das sessões de gravações do Derek and the Dominos. Mais uma faixa acústica, um blues carregado com slide pra toda parte.

A quinta faixa é "Layla" do Derek and The Dominos, exatamente como nos disco da banda, sem tirar nem por, afinal, a musica é de um equilíbrio tão bom que se mexerem nela é capas de estragar. Logo em seguida vem "Statesboro Blues", retirada do "At Fillmore East", exatamente como esta no álbum de 1971. A sétima faixa é "Don’t Keep Me Wondering", retirada do "Idlewild South" de 1970, o segundo disco da banda.

A oitava musica é "Stand Back", esta, retirada do "Eat a Peach". Seguida de "Dreams", retirada do "The Allman Brothers Band" de 1969, o álbum de estreia da banda. E finalizando o álbum, "Little Martha", retirada do "Eat a Peach". Tida como uma das melhores composições de Duane, não é por nada que até hoje os fans se emocionam e gritam ao ouvir os riff característicos da musica, como acontece no álbum "Everybody's Talkin'" da Tedeschi Trucks Band - banda do guitarrista Derek Truckes. Na segunda faixa, "Midnight in Harlem", o guitarrista inicia com um improviso e faz um dos riffs iniciais de Little Martha, exatamente aos 2 minutos e 10, o que faz a galera se manifestar.

No fim, "Duane Allman - An Anthology" é um disco fundamental para todo fan do guitarrista. E se você – se é que isso é possível – não percebe como a banda perdeu com a morte de Duane, escute duas ou três faixas desse álbum e vera a falta que o Sky Dog faz, não só para o Allman Brothers, mas para a musica em geral.

Duane e King Curtins, com quem gravou "Game People Play"

Duane e John Hammond, com quem gravou "Shake for Me"

Duane e o Derek and the Dominos



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