Narigolim na Estrada - Wanee Festival - Primeiro dia


Essa é a primeira parte da série Narigolim na Estrada, que retrata algumas partes da viagem do Richard Zimmer, baixista da banda Cartel da Cevada, pelo Sul dos Estados Unidos. Começamos pelo 4° dia de viagem, rumo ao Wanee Festival 2012.

18/04/2012, quarta-feira, Wanee Festival

Acordamos, arrumamos toda tralha de acampamento que havíamos adquirido, enchemos o estiropor (isopor) de gelo, comemos um café da manhã bem meia boca no hotel e fomos em direção a cidade de Live Oak.

Só pra situar a pilha do Wanee (se fala "U-ã-ni"), e tentarei fazer de um jeito resumido.

A viagem foi planejada em cima da data desse festival. O Wanee é o festival supremo do Allman Brothers Band e seus amigos. Acampamento e muita música. O Allman é a banda que sempre fecha as duas noites principais. Ainda tem shows das bandas dos membros da banda, tipo do Gov’t Mule, banda do Warren Haynes (guitarrista e vocal da banda), Tedeschi Trucks Band, banda do Derek Trucks e do Oteil Burbridge (respectivamente guitarrista e baixista da banda), Devon Allman’s Honeytribe (banda do filho do Gregg Allman), e por aí vai. Tudo entre amigos e familiares. Eu sempre li, vi e ouvi coisas sobre o Wanee e coloquei como objetivo de vida ir até lá conferir.

Desde 2009 quis ir, mas por um motivo ou outro nunca consegui, e em 2012 não tinha erro. Tive a sorte da Gabi e da Thais terem pilhado, e muito, na ideia e foram pra lá comigo.

Bom, a viagem de Jacksonville pro Spirit of Suwannee (sítio em Live Oak que rola o festival) foi rápida, uma hora e meia. A estrada é perfeita. Bastante movimento, mas todo mundo andando bem e respeitando as pistas. O limite de velocidade é 75 mph, mais ou menos, 120 km/h. E como não tem radar...

O festival começa na quinta-feira, e tem na sexta e sábado seus dias mais fortes. Recebemos o conselho pra ir na quarta-feira para conseguir um lugar melhor no acampamento. Chegamos lá no Spirit of Suwannee e fomos buscar nossas pulseiras, mapas, liberação pro carro e essas coisas. O movimento era tranquilo. Valeu ter seguido o conselho.

O lugar é fantástico e gigante. Já na entrada estávamos de boca aberta e sorrindo feito crianças numa piscina de bolinhas. Ficamos lá 4 dias e não conseguimos ver tudo.

Próximo passo era achar o ponto de encontro.

Chegando
História rápida.

Quando comprei nossos ingressos pro Wanee postei na página de Facebook do festival que iríamos representar o Brasil. Um cara comentou meu post: "eu já represento há 5 anos". Bom, resolvi falar com ele. Fernando Kaiser o nome do vivente. Trocamos uma ideia e ficamos amigos de imediato. Ele é brasileiro, de Curitiba, mas passou a adolescência aqui no BomFim, e mora na Florida há 11 anos, e o mais importante, é Colorado. Foi ele que nos deu a barbada de chegar antes. E ele tava guardando lugar pra gente acampar na mesma área que ele e a mulher dele, a Lida, estavam. Com os dias criamos uma amizade muito bacana com os dois e melhoramos nosso inglês ao conversar com eles. A Lida é americana e tentamos ao máximo só falar inglês pra não excluí-la de nada, e pra praticar mesmo.

Tudo pronto
Encontramos com eles no ponto de encontro combinado, fomos para o local do acampamento e nos assentamos. Tomamos um pau pra armar as novas barracas, trocamos uma ideia, falamos sobre a vida, tomamos umas e fomos fazer o almoço.

Daqui já havíamos combinado de fazer dois "churras". O Fernando comprou a carne pra gente e depois rachamos. Essa primeira foi uma delas. Uma alcatra já cortada em medalhões que já dava vontade de comer mesmo crua. Ele manja muito de cozinhar, e tem uma grelha muito legal que tu cava um buraco na areia, coloca carvão, taca-lhe fogo, e abre essa grelha em cima. Como se fosse uma mesinha, só que com uma tela no lugar da base. Praticidade é apelido. Se alcatra crua parecia boa, imagina ela assada. Pra acompanhar a Lida montou uma saladona que também tava excelente.

Visão geral da nossa parte do acampamento ainda vazio
Barriga cheia, era hora de fazer o reconhecimento do gramado. Para tentar sintetizar o clima do Wanee, lá é a terra mágica dos duendes felizes. O pessoal vai muito preparado pro acampamento, vários motor-homes, carrinhos de golf (em sua maioria customizado de forma hippie), churrasqueiras, mesas, enfim... os caras levam as casas pra lá. A maioria das pessoas eram mais velhas, pareciam ter vivido em Woodstock. Muita gente usando camisetas, calças, até meias tie dye. No geral usavam roupas e adornos pra divertir o próximo. Óculos malucos, chapéus engraçados, e mais um monte de parafernália. O mais importante de tudo, todos estavam sorrindo. Logo que saímos pra essa caminhada uma hipponga nos olhos com um sorrisão e gritou: "Happy Wanee". Respondemos na hora a mesma coisa e quase chorou de tanta felicidade. Definitivamente estávamos no lugar certo.

Gabi e Eu / Thaís e Eu

Como nas últimas edições do festival muita gente começou a acampar mais cedo, eles colocaram 4 bandas pra tocar na quarta-feira, e chamaram isso de Happy Hour do Wanee.

Os shows eram num palco diferente do que seria usado pro resto do festival. Era uma cabana rodeada de árvores, conhecido também como Engine Barn Stage. Era menor e numa áera pra menos gente.

Não ficamos o tempo inteiro na frente do palco assistindo os shows, pois quarta seria o único dia pra ficar "passeando". Então ficamos rodeando pelas lochinhas, palcos, bares, etc.

Indicação pra compra de Wanee Money e algumas amostras / Beebs and the Money Makers

Para comprar comida e bebida se comprava tickets conhecidos como "Wanee Money". A ceva custava 5 WM, tu podia escolher entre 5 tipos de cerveja, e tinham diversas bancas espalhadas pela área dos shows. Um lanche bacana tinha que investir uns 8 ou 9 WM. A "praça de alimentação" ficava entre os dois palcos. Pro acampamento tu podia levar e beber o que quisesse, mas pra área dos shows só se podia consumir o que comprasse lá. Bom constar que na área dos shows havia vendedores ambulantes que gritavam "ICE COLD BEER", e vendiam ceva (Bud) de 16 onças, equivalente a nossa de 473ml, por 7 doletas.

Primeiro show foi da Beebs & The Honeymakers. A Beebs é uma mulher que se veste com uma roupa bem diferente e parece uma boneca maluca, e os Money Makers são a banda dela. O som é bacaninha, não me agradou a ponto de procurar o disco, mas é um bom som pra uma festinha. Difícil rotular a banda, o melhor é ouvir. Aqui um link pro clip deles.

Depois tocou Juke. Não levei muita fé porque o vocalista era um baixinho marrento lutador de jiu-jitsu. Maldito preconceito. Em seguida pensei, e se for um lutador de jiu-jitsu marrento, mas cantar pra caralho? Foi mais ou menos o que rolou. O cara canta bem e toca muita harmônica. Banda bem legal, rock com blues pegado.

Em seguida, show do Flannel Church, banda do Duane Trucks, irmão mais novo do Derek Trucks. Mas este Trucks assim como seu tio, é baterista. A expectativa era grande, afinal background familiar é o que não falta. Mas o show não foi muito legal. Meio duro demais, não rolava aquele groove esperado.

Por último, o show do Cope. Não fazíamos nem ideia de que banda era essa, mas foi muito legal. Um rockão bem bacana, banda com vontade de tocar, muito groove. Enquanto a banda tocava e fazia suas jams um artista ficava no canto do palco pintando um duende. Muito bom.

Show do Cope. Detalhe pro teto da cabana
Assim que escureceu já começou a rolar um “telão” muito legal, que na hora do Cope por estar mais escuro ficou mais evidente. Eles projetavam as imagens das bandas com efeito de raio x verde nas árvores que ficavam na volta do palco, e alternavam com cenas do "Alice no País das Maravilhas". Por mais clichê que pareça, num momento como aquele era impossível não cantar: "It’s getting better all the time".

Depois disso era hora de voltar pra barraca e dar boa noite. O dia seguinte prometia!
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