Narigolim na Estrada - Atlanta e Nashville, a cidade da música


Essa é a quinta parte da série Narigolim na Estrada, que retrata algumas partes da viagem do Richard Zimmer, baixista da banda Cartel da Cevada, pelo Sul dos Estados Unidos. Dessa vez ele nos fala como foi sua estadia em Atlanta e Nashville, a capital da música.

23/04/2012, segunda-feira Atlanta => Nashville
Fomos dar uma banda no centro de Atlanta para conhecer a capital do pêssego. Deixamos o carro no albergue e fomos de metrô. Estacionar no centro de Atlanta assim como qualquer capital brasileira é complicado e caro.

Tava uma "ventorréia" muito violenta. Digna de um dia de inverno na beira da praia de Imbé. Nosso passeio foi sendo desviado por lugares onde o vento não passava, ou seja, dentro de algumas galerias.
Moda nos EUA. Pipocas cheias de fru fru. Fuga do vento.
Bom, o centro é um centro. Vários prédios altos e imponentes. Hard Rock, Hooters, grandes redes, sombra, calçadas largas, bancas de frutas, mendigos, etc.

Procuramos algum lugar para comer uma boa "soul food", afinal Atlanta é uma das cidades sulistas mais tradicionais. Nos indicaram dois lugares. Um deles estava fechado, e o outro era longe pra ir a pé. Resolvemos voltar, pois o pessoal do albergue tinha nos falado de um restaurante super tradicional que ficava em frente dali. Não tínhamos ido ali direto porque queríamos conhecer o centro.

Então fomos no Mary Mac’s Tea Room. Não, não é uma casa de chás. E lá servem o que tem de melhor da comida sulista e da hospitalidade que tanto é falada dos sulistas.

Realmente a comida era sensacional, o atendimento fantástico, um preço tri justo e um ambiente muito clássico. Já fomos recebidos com uns pãezinhos de milho excelentes.  Como estávamos entre três e queríamos provar muitas coisas, basicamente compartilhamos os pedidos. Tomates verdes fritos, costela de porco, bolo de carne, e mais alguns complementos. Os tomates não gostei, o bolo de carne era muito bom, mas a costela tava uma coisa de louco. Ela desfiava. Suculenta, macia e cozida na medida. De sobremesa pedimos um Georgia Peach Cobbler. Uma espécie de torta quente de pêssego com sorvete em cima. Saímos de lá rolando. A sorte que o carro tava na frente.
Tomates verdes fritos. Creme de alguma coisa. Porco desfiado

Bolo de carne. Purê. Salada de repolho.

Costelinha de porca.

Peach Cobller.
Pegamos o carro e antes de ir embora passamos no Vortex Barand Grill. Um bar e restaurante muito maluco que havia visto no “Man vs Food”. A ideia era ir no domingo, mas já estava fechado. A passada foi rápida, só pra conhecer. Realmente o bar é muito maluco, com um clima muito legal. Bem estilo americano, cheio de informação, placas, motos, caveiras, etc. Uma carta de cerveja gigante e um manual de como o cliente deve se comportar. Tomamos uma cerveja por ali, nos comportamos bem, curtimos o ambiente e partimos.
Decoração do Vortex.
A estrada para Nashville – Tennessee é muito legal. Asfalto perfeito, algumas curvas sinuosas que tu passa por paisagens muito bonitas. Morro, rio e campo. Umas 4 horas de viagem e chegamos no destino.  O bom dessa viagem foi que com a mudança de fuso horário, ganhamos uma hora.

Ficamos no Music City Hostel. Albergue muito legal, com um clima muito divertido. É dividido em umas quatro pequenas casas, e dentro de cada uma delas tem uns dois quartos menores e um grande, onde seria a sala. Um banheiro por casa. Na porta de cada quarto tem um instrumento musical, e não um número. Tudo muito limpo e organizado.

No pátio da frente tinha uma fogueira, violão para fazer um som, e tudo mais para uma boa roda. Guardamos nossas coisas, e separamos as roupas que precisávamos lavar. Quase todas na realidade. Pegamos algumas cervejas e ficamos ali na frente um pouco.

Nashville é conhecida como a "cidade da música". Muita gente vai pra lá pra tentar a vida na música. Principalmente na música country. Isso explicava um pouco a roda de violão. Os caras tocavam demais. Descobrimos que um era músico de turnê de não sei quem, outro ia lançar um disco, outro estava lá para gravar, e por aí foi.

Depois de socializar um pouco fomos em direção a Broadway Avenue, local da vida noturna, onde estão vários "honky tonks". Dois ou três caras que estavam lá fazia algum tempo nos acompanharam. O lugar era perto, mas nem tanto. Mesmo assim decidimos ir a pé, no frio e sem câmera de retratos.
Faltando algumas quadras já conseguíamos ver as luzes. A Broadway Avenue é uma avenida bem larga. 3 pistas que vão, 3 que voltam, e sem canteiro no meio. Nas calçadas dos dois lados, por umas 5 quadras grandes, tem lojas de discos, restaurantes, lojas de artigos de cowboy, lojas de souvenirs, e o mais importante, um honky tonk ao lado do outro. Tipo uma João Alfredo em Porto Alegre, ou Augusta em São Paulo, só que maior. Só que de country.

Honky Tonk é basicamente um buteco de música country.

Só nessa visão já se nota que o lugar é demais. Mas ele melhora. Tu não paga nada para entrar em 95% dos honky tonks. Todos tem uma banda tocando. Desde um country mais comercial até um bluegrass muito pegado. Obviamente, havia bandas muito boas, e outras bem fraquinhas. Como era segunda-feira o movimento tava devagar, mas bem melhor que a maioria das segundas-feiras que já passei em qualquer outra cidade do mundo.

Paramos no Robert’s. Muito tradicional e o preferido dos parceiros do albergue. Realmente aquilo é um buteco de música country. O batera da banda que estava tocando costumava tocar com o Buck Owens, lenda da música country. O legal que o dono do Robert’s era um brasileiro que é muito conhecido por lá. Foi pros EUA anos atrás e fez uma banda chamada Brazilbilly.

O lugar era comprido e um tanto quanto estreito. O palco ficava ao lado da porta de entrada. Ou seja, quando tu passava na rua tu via as costas do baterista. O balcão era bem longo. Duas garçonetes muito rápidas e atenciosas atendiam ali. Na outra parede haviam milhares de botas de cowboy. Essas para vender mesmo. Em frente ao palco rolava uma pista. A maioria do público era de pessoas de uns 60 anos.

Pedi um sanduíche de mortadela. Era bom, mas não chega perto do sanduíche do mercado público de São Paulo. Mas deu uma tapeada na fome. O bar também servia várias cevas diferentes. Lá ficamos um bom tempo. Demos uma caminhada pela rua para conhecer mais, e depois voltamos. Mais algumas cervejas enquanto ficamos vendo os velhinhos dançando um country. Fechamos a conta.

Voltamos para o albergue. Uma saidera e cama. No outro dia não tínhamos nada muito planejado, apenas lavar as roupas.
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